
Doem-me as palavras, meu amor, das mãos ausentes. Da ternura febril com que as derramo no silêncio das reticências, que tudo sabem e tudo calam. E tudo permitem, porque os seus pontos são vitais, respirações com voos de aves inomináveis, nunca finais. Tu existes, na vertigem da paz do mar que os teus olhos me contam. A minha boca, suave e cereja, desenha-te em risos a flor laranja que te surpreende. Recrio-te, no abraço de vento que te cruza as costas e me funde em ti. E eu tremo, quando o meu peito te respira contra o teu. É nas tuas veias que me diluo. Dou-me no sal das palavras que te beijam. Sentes-me? Nega o medo. Embarca nos meus olhos. Passa a margem, passa a tristeza, passa a negação da felicidade, passa limites de espaço e idade. É agora e aqui que somos. Aqui, meu amor. Aqui. Doem-me as palavras, meu amor, das mãos ausentes. Voa em mim, meu amor que és...
Ni*
4 comentários:
"...Dou-me no sal das palavras que te beijam...."
Todo o texto é bonito e tocante, mas esta frase é excelente.
Se existir, quem quer que seja que tenha inspirado este texto, tem motivos para se sublimar em contentamento e paixão.
Sublime...
Como se pode negar o que nos afirma, para além das forças, para além das mãos sem querermos,
este sem medo de vida só percorre veias de anjos aonde só a distância me acena alguma paz
Nina...
depois de uma viagem espectacular voltei... (confesso, trago os olhos cheios!!)
E gostei de voltar… o momentUS está em grande! E ainda por cima com muitas verdades… porque para mentiras já basta as de algumas pessoas sem moral.
Beijinho grande para ti,
Para o Diogo e para o Filipe…
BOA PÁSCOA!!!
Catarina
P.S.: Nina Maria, cuidado com as amêndoas e com os ovinhos!!!
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