sábado, maio 13, 2006

IMPÉRIO DE HORAS DESIGUAIS



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... mas a vida só se transforma num deserto que nos grita silêncios quando perdemos o norte. Quando nos falta uma pessoa com quem se invente uma nova - e irrepetível- carta de marear. Para que, aproveitando o seu perpétuo movimento, seja a partir de que norte for, aprendamos a viver dançando com ela...
... transformando cada minuto num império de horas desiguais.

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Ni*... a falar com os sentimentos e sem argumentos.

sexta-feira, maio 05, 2006

MONÓLOGO






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Já fizeste um dominó? Já pensaste que a existência humana é, tantas vezes, assim? Passamos dias, semanas, meses, anos, a construir os nossos sonhos e, num breve instante, alguém tropeça neles e tudo se desfaz e desmorona, numa sucessão de azares impossível de travar.

Quando o meu dominó começa a cair, junto-lhe mais peças na cauda e aproveito para limpar fantasmas na enxurrada. Ao menos sofro tudo de uma vez, condenso a frustração num par de dias e fico a enxaguar a tristeza até ela secar ao sol.

Depois, com muita calma, começo a montá-lo outra vez e, aos poucos, vejo-o crescer sozinho, como se o embate que faz cair as peças tivesse o poder de as levantar.

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Sou e serei a mulher mais persistente que se cruzou no teu caminho.

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Sísifo, filho de Éolo e rei de Corinto, é a encarnação da fadiga eterna; durante dias, meses, anos, séculos, tentou colocar no alto de uma montanha uma enorme pedra. No entanto, cada vez que se aproximava do cume, a pedra caía, resvalando pela encosta abaixo, obrigando-o a começar de novo a ingrata e árdua tarefa.

Serei eu tão insensata a ponto de fazer o mesmo com os meus sonhos?

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Ni*... numa noite em que me escondi do sono.

segunda-feira, maio 01, 2006

PRETÉRITO MAIS QUE IMPERFEITO




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Era, realmente, mais fácil se, no lugar de um adeus, fossemos rebeldes, simplesmente, irascíveis, ou, então, vaidosos e impertinentes, diante de tudo o que nos salta do coração até ao corpo. E, mais ainda, se as palavras se esgueirassem pelos olhos e falassem à margem de tudo o que sentimos. E, sempre que um adeus hesitasse na garganta, elas nos traíssem numa nesga de sílaba ou num gesto estonteante.


Mas, como acontece tantas vezes, há palavras que são da nossa família sem que tenhamos, alguma vez, percebido o que querem dizer. É assim o 'adeus'. E, por mais que se faça da família, todo o adeus amachuca o coração. E transforma, vezes demais, cada memória num pretérito... mais que imperfeito.»

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in 'Dizer adeus sem dar por isso'

Ni*