sábado, março 31, 2007

TEMPESTADES


(Resposta a um desafio da Cleópatra)





"Quem tem medo de tempestades acaba a rastejar"



...

Há tempestades nos olhos de quem ama.

E bonanças. É de contradições que é feito o amor. E de desafios. E de ousadias. Não de medos!

A minha voz desenha-se, solitária, perante o teu silêncio e os teus olhos que se desviam, na fuga de quem receia a palavra que se adivinha.
Há algo líquido no tempo e eu não o prendo. Saboreio-o. Tem travo a mar e a alecrim, a momentos roubados ao nunca, a rotas de ida com destino ao sempre, ainda que não saiba 'onde' nem 'quando'. Ainda que saiba 'porquê'... ainda que saiba com 'quem' queria...

Há tempestades nos olhos de quem ama.

Feitas de memórias, de saberes, de saudades e de vontades. Feitas de presente, onde tudo acontece. Ou não. E é neste não acontecer que nos perdemos.

Agora que chegaste aos meus olhos não t(r)emas!

Quem tem medo de tempestades acaba a rastejar...

sexta-feira, março 30, 2007

GOSTO DE GOSTAR DEVAGARINHO...



Não consigo começar a escrever. Toca o meu telemóvel a anunciar mensagem escrita... e o Outlook avisa-me da chegada de outro 'mail'...
As respostas tornam-se necessárias e querem-se rápidas, imediatas. E tenho pena. Pena, por ter de acelerar a minha capacidade de resposta na ponta dos dedos. Pena, por não poder saborear devagar cada letra, como as desenhadas a canela num chocolate quente.
Esta comunicação é gira, mas evita que as pessoas se olhem e se saboreiem com o olhar, se deliciem no prazer dos gestos, na forma a informar a forma. Os dedos levam-nos a conta-gotas até ao outro, um conta-gotas rápido de mais.
Para mim... uma amizade, uma relação, constrói-se 'à moda antiga', cumprindo etapas, marcando encontros, pensando a dois. Ou tocando. Na mão do outro. Há alguma coisa que se compare aos olhos do outro? Por isso gosto tanto dos olhos. Gosto da luz líquida dos olhos.
...
E gosto de gostar devagarinho.
Gosto que me vejam abrir a porta com os cabelos primeiro, depois com os olhos e no fim com o meu sorriso habitual.
E de ser por mim que esperam. Pelo sabor da minha pele, pela luz macia da minha voz, pelos gestos do meu olhar... que não cabem nas palavras.

SOLIDÃO...




...

Advertência: este 'post' pode provocar efeitos 'primários'...

...
Hoje, é tão comum chegar a casa e não ter ninguém que nos salte para os braços ou nos estenda um raminho de cerejas!


quarta-feira, março 21, 2007

UM BEIJO NO POEMA



Sei-te
através das palavras
com que vou construindo este dia novo
que agora se levanta.
Inventei-te no espaço exacto
das minhas mãos
desejosas da viagem
no teu corpo.


Dele direi:
este é o meu país por conhecer
onde ergui minha casa
e inventei um amor
nunca antes pressentido.
Visto-me com as cores do dia nascente
e desenho-te um beijo no poema.

...


Ni*



segunda-feira, março 19, 2007

«E OS TEUS OLHOS AMANHECERAM...»




(...)


Amei-te sem ter a certeza da manhã, sem ouvir
o vento que fez bater as janelas num eco do passado,
sem correr as cortinas do mundo para que
ninguém nos visse, sem apagar do teu rosto
o brilho da vida, enquanto as aves dormiam,
e o licor do sonho se derramava sobre os corpos
que cortavam a noite.

Mas ao seguir o seu rumo, o azul
floresceu das cinzas, a música despontou
dos silêncios da madrugada, e os teus olhos
amanheceram quando me disseste que
te amei, sem saber porquê.


O meu 'mestre'... único!

sexta-feira, março 16, 2007

segunda-feira, março 12, 2007

SABES?

...
Sabes...
A vida perdida...
ainda vamos a tempo de a redescobrir!
Conjugá-la como um verbo.
Como se fosse um campo
de bem-me-queres,
bem-te-quero...
em pleno mar.
Suspenso.
Em cada momento de respirar.
...
Sabes?
...
Ni*

BOA SEMANA!


quinta-feira, março 08, 2007

VOU SEGUINDO...




Vou seguindo...

Sem negar o olhar ao horizonte,

Pintando rotas de pássaros em voos de luz,

Rumo ao abraço com o infinito.


Vou seguindo...

E dos meus afectos faço dançada ponte.

E nos meus versos transmuto calado grito.

Porque a VIDA ainda me seduz.




Vou seguindo...

Tatuada do odor do alecrim e do jasmim...

Abraçada pelas cores das vozes que não me negam.

Bebendo chuvas salgadas, afastando o lamento.


Vou seguindo...

Crio jardins com pomares, luas cheias e novas, sem fim.

E sorrio, sem aceitar que os sonhos à escuridão se entregam.

E canto, porque a VIDA é apenas um momento.






Ni*


... num ínfimo passo do Caminho...


sábado, março 03, 2007

E PODE ACONTECER QUE TE DÊ PAZ...

Devido a uma desconfiguração todos os posts do blog terão que ser reeditados.
É algo que farei, lentamente...

Abraço de vento...



Ni*






Não tenhas medo, ouve:
É um poema.
Um misto de oração e de feitiço...
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo,
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz...


"Um Poema" de Miguel Torga (Diário XIII)




(Leitura minha)