quarta-feira, fevereiro 14, 2018

ENTRE O SONHO E A ALMA...

Há uma linha ténue, percorrida por veleiros delineados na Luz, onde a alma deixa recados tecidos nas asas das gaivotas.
...e o teu nome está em todos eles.
...
Mas eu quero mais!
Muito mais!
...




domingo, fevereiro 11, 2018

MADRUGADA


...

E, de repente, todas as aves suspendem o voo. São leves, os teus dedos, quando se espraiam na seda e na espuma do meu ventre. Os meus olhos, calados, aceitam a fluidez de palavras retidas nos teus. Como se reconhecessem, de um momento etéreo, onde o tempo não é tripartido, todos os silêncios que necessitas de me contar. E a madrugada, acetinadamente, trocou o vazio pelo saber, como quem anuncia ao dia nascente que os amantes não têm horas, porque todas lhes pertencem...
...
Ni*

sexta-feira, fevereiro 09, 2018

IMPÉRIO DE HORAS DESIGUAIS

(1/1/2018)


...
... mas a vida só se transforma num deserto que nos grita silêncios quando perdemos o Norte. Quando nos falta alento e companhia com quem se tenha vontade de inventar uma nova - e irrepetível- carta de marear. Para que, aproveitando o seu perpétuo movimento, seja a partir de que Norte for, aprendamos a viver dançando com ela...
... transformando cada minuto num império de horas desiguais.
...
Ni*... a falar com os sentimentos e sem argumentos.

terça-feira, fevereiro 06, 2018

GOSTO DE GOSTAR DEVAGARINHO...



Não consigo começar a escrever. Um toque do meu telemóvel anuncia a entrada da mensagem escrita... outro avisa-me da chegada de mais um 'mail'...
As respostas tornam-se necessárias e querem-se rápidas, imediatas. E tenho pena. Pena, por ter de acelerar a minha capacidade de resposta na ponta dos dedos. Pena, por não poder saborear devagar cada letra, como as desenhadas a canela num chocolate quente.
Esta comunicação é, tantas vezes, o sorriso esperado no dia, mas tantas vezes evita que as pessoas se olhem e se saboreiem com o olhar, se deliciem no prazer dos gestos, na forma a informar a forma. Os dedos levam-nos a conta-gotas até ao outro, um conta-gotas rápido de mais.
Para mim... uma amizade, uma relação, constrói-se 'à moda antiga', cumprindo etapas, marcando encontros, pensando a dois. Ou tocando. Na mão do outro. Há alguma coisa que se compare aos olhos do outro? Por isso gosto tanto dos olhos. Gosto da luz líquida dos olhos.
...
E gosto de gostar devagarinho.
Gosto que me vejam abrir a porta com os cabelos primeiro, depois com os olhos e no fim com o meu sorriso habitual.
E de ser por mim que esperam. Pelo sabor da minha pele, pela luz macia da minha voz, pelos gestos do meu olhar... que não cabem nas palavras.

domingo, fevereiro 04, 2018

PALAVRA DE MULHER


«Vivemos pela esperança»
*
Num programa televisivo sobre 'A mulher', confesso que fui tocada por testemunhos inacreditáveis vindos de todos os cantos do mundo. Ouvi mulheres a suplicarem não por mais poder, riqueza ou tempo de antena, mas por instrução. Estas mulheres queriam aprender. Queriam que as filhas fossem à escola. Queriam ter acesso aos meios de informação e de comunicação modernos.
Mulheres que falavam dos rapazes que percorriam meia hora de caminho até à escola mais próxima e das raparigas que sufocavam em casa, despidas de sonhos, incumbidas de serem mães antes do tempo.
Brincar é palavra que não existe. Ali trata-se de crescer à pressa, para render mais e melhor.
Uma mulher dizia, de olhos brilhantes:
«As mulheres são metade do mundo e mães de outra metade»
São o futuro do homem e quem não perceber isto perde o futuro.

sábado, fevereiro 03, 2018

PARA O OUTRO LADO DO ESPELHO...


Esta noite... deixa-me ser o embalo fluido, que te leva de ti para o outro lado do espelho. Deixas?

Ni*

sexta-feira, fevereiro 02, 2018

NUMA RENDA FINA QUE SE DESFAZ AO TOQUE...



:..*..:

Esta palavra AMOR...

Ousadia pronunciá-la, sobretudo quando somos os primeiros a afirmar 'Não sou a pessoa mais indicada para falar dele neste momento...'. Não sou, sei-o. Do amor verdadeiro, despojado de tudo, intenso e brutal, que com beijos se torna profícuo, triunfal, capaz de transportar montanhas e despertar cidades adormecidas.

É através desse amor que se desfazem laços, se voltam páginas e se viram costas.Abrem-se novas esperanças, esfarrapam-se vidas, trocam-se destinos, tecem-se sonhos, linha por linha, numa construção nem sempre pacífica, mas, paciente, demorada, que envolve e progride entre risos e lágrimas emoldurando uma história feita de instantes, feita de imagens tantas e tantas vezes, na essência, desfocadas.

É através desse amor, tão comum e tão singular, que o sol dá lustro ao dia e a lua enfeita o seu espaço no céu, o acordar é mais leve, o adormecer mais sentido, os nossos passos elevam-nos e as palavras rodopiam, loucas, numa eterna ânsia de recomeço.

Subtil quando chega, destemido e poderoso, denuncia-se no olhar inundado de brilho, entrega-se em duelos, fulmina em cada demanda e redime-se no perdão.

Etéreo. Diáfano. Sensível. Numa renda fina que se desfaz ao toque.

Chega, em espelho. Esse amor reflectido baila no ar, numa verdade líquida e transfigurada porque é nosso, só nosso.

Ele repousa em cada segundo que deixamos por aí ao som do ar, ao toque da areia fina, a fluir sem sentido, sem rumo, num acaso encantado. Esse amor tão verdade, dádiva tão profunda e só, que desajeitadamente misturamos com tudo.

Chamam-lhe ternura, chamam-lhe cumplicidade, chamam-lhe amizade, chama-lhe sexo. Dá por todos esses nomes, camuflado, a nosso gosto lá está, a confundir e a baralhar,a fazer batota e a esgueirar-se, escondendo-se disfarçado.

Mascarado de prazer, mascarado de dor, mascarado de paixão, mascarado de nada e, tanto faz, o amor sabe o que é. A correr veloz, surpreendendo-nos com a pressa ou, em câmara lenta, no reviver continuado de todos os takes.

Não importa o nome, a categoria. Quando chega reconhecemo-lo na alegria, na intimidade, na serenidade, na euforia. Sussurra e grita na nossa alma, dura e perdura nas nossas mãos, profetiza...

O amor impõe-se.

Não há dia nem noite que o apague, não há maré que o arraste, nem rochedo que o arrase. Forte como o vento, vulnerável como as nuvens, simples, tão simples que não há também palavra que o dite e já tantas correram o mundo e já todos doutrinaram sobre ele.

Mas, nenhuma palavra é tão pouco, ou tão tanto, que lhe baste.

A linguagem do amor... esse poder inabalável que transfigura e regenera, ameaça e corrompe, reconcilia e comove...

...e até acreditamos nele. Até acreditamos.


Ni*