
- Para todas as mulheres que ousam acreditar no Amor, após o desamor-
(...)
Ela tinha uns olhos brilhantes, profundos como a noite. O cabelo, da cor do das ninfas das águas calmas, embaladas por amores nunca resgatados.
Os pensamentos povoados de sonhos.
O desejo, incandescente de voar, de rasgar horizontes cada vez mais altos, cada vez mais fundos.
Ela, como Ícaro, era dotada de asas... mas na alma.
E, como Ícaro, experimentou a dor de chegar demasiado perto do sol.
Viveria tudo outra vez!
Ela ousava... seguia o instinto de ousar usar as leis do Universo e da vida.
Descobriu-se outra, nos braços de um grande e inconfessável amor... depois 'dele'...
E nada voltou a ser como era.
Àqueles que a amaram, escapou-se-lhes por entre os dedos como poeira dourada, numa rebeldia quase indefinível, que doía e encantava.
A si própria, concedeu-se o privilégio de ousar viver intensamente, de dar voz, corpo e vida aos seus desejos mais secretos.
E soube não oferecer resistência ao invasor impiedoso, doce e mais que tudo, desejado, recebendo-o em todo o seu ser com a infinita coragem e sabedoria dos que se sabem deixar amar.
É que não se decide quando, nem se escolhe quem se ama!
Ama-se.
(...)
2 comentários:
E está tudo dito!...
O Amor vence sempre!
Dá vantagem à tristeza, ao desespero, ao desencanto; depois, inesperadamente, ressurge em glória.
E, com a sua luz incandescente, esvazia o passado sofrido e dá cor à versão que, consciente ou inconscientemente, era o Ícaro perseguido...
O Universo aplaude porque foi observado!
"....a infinita coragem e sabedoria dos que se sabem deixar amar...."
E são tão tristes porque não se deixam amar Ni.
É bem verdade, poucos têm essa sabedoria!
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