segunda-feira, abril 06, 2009

POUSA O SILÊNCIO DAS PALAVRAS SOBRE A ÁGUA...


Dizes-me que escutas o silêncio das palavras.
Eu sorrio-te.
E na mão que te estendo, poderia colocar letras.
Todas maiúsculas.
Para que as ouvisses dançar
quando lambo a tua pele
e dela faço o meu poema.


Mas sorrio-te, apenas.
E olho-te.
Não com um olhar fugidio de quem receia
o encanto de ser encantada...
Mas com olhos de água.


E agora, diz-me...
escutas o silêncio do sal na água?


Ouve.
Ouve bem.
O que te diz?
Conta-me... sem pressa.

...

O início de um mundo
é apenas o sopro de um nome, sabias?
Murmura o meu...
Ou geme-o.
Ou grita-o.


Pousa o silêncio das palavras sobre a água...
E ousa ser o canto da minha primeira madrugada.

...

Ni*

9 comentários:

Anónimo disse...

Cheguei agora a casa e o inevitável aconteceu. Aquí estou à procura de encantamento.
O azul assim luminoso dá-me mais bem estar que a neblina de Sintra.Sem prejuizo do prazer que dá um chá com uma gota de leite e um mil folhas em Seteais, numa tarde sem luz.
Vou reler este teu poema e reler ... e prometo que sempre que estiver a ver o mar vou tentar ouvir o sal.
Um terno beijo e muito obrigado por estes momentUS.
João Miguel

Carlos Pires disse...

Não há anjos - nem demónios. Este mundo é mais do que suficiente - para nos encontrarmos ou para nos perdermos.

Maria disse...

Hoje deixaste-me sem palavras.
Tinha de o dizer, aqui.

Sorrio-te, com olhos de água.
E sopro-te um beijo...

INES DE CASTRO disse...

SAUDADES!

Excelsior disse...

Dos textos que te tenho o privilégio de conhecer, este, que foste revisitar, é um dos mais fortes.

A dança de figuras de estilo... num tecer emoções e imagens, tão bem conjugadas... na emoção que nasce no tear que usas, e que acaba por ser o nosso coração... é de uma Beleza que faz parar o tempo. E tu dás-nos essa Beleza. Dádiva em forma de Sentimento que depositas no cerne das nossas Almas, ao ler-te.

...

Obrigado.

Este teu texto é das melhores provas que conheço, de que a tua Escrita faz falta no Universo Literário actual.

...

(Que o único Sal no teu Olhar, brote apenas da Nascente da tua Alegria mais Plena... reconquistada!)

Adrian LaRoque disse...

Ni, muito bonito este poema, gosto da tua sensibilidade. Obrigado pelo poema ao "Guardião", recebi também o email com o texto e o 'wmv'...adorei.
Sempre que quiseres podes usar as minhas imagens para poemas nos teus blogs não tem problema.
Uma vez mais obrigado pelos comentários e pelo carinho.

Adrian

Alberto Campos disse...

Leio o silencio gritado das ondas onde escreves.
Não que esse véu de sal e maresia seja o fonte breve do leito onde desnudo a palavra calada.
Largo as palavras ao vento e rogos aos antigos Deuses, modernas graças.

Que a brisa leve este olhar cansado rumo ao porto ausente onde me aguardo,
Que na praia as musas me aguardem, vil e mareado de mil viagens, mil perdições.

Grito em silencio teu nome de azul feito e a agua será meu leito.

Que os nossos remos se cruzem e nossas rotas levem ao outro ládo do sol.
Não onde se põe, mas onde a aurora escreve em luz tua escrita!

OUTONO disse...

"Pousa o silêncio das palavras sobre a água...
E ousa ser o canto da minha primeira madrugada."

Quem me dera ter esse silêncio de palavras e, esculpir gotas de água ...como prendas azuis...para te oferecer!

Tenho apenas, o sentir frágil de escutar o teu canto...e sonhar como se fosse madrugada no teu acordar.

O teu nome, o teu olhar, cada silêncio das tuas palavras doces, são sinfonias de apelos...ousar corresponder, é o limite entre o horizonte e a linha de água cristalina, que move a tua escrita.

Para lá do murmúrio...há lábios desejosos, que nunca secam...mesmo com o sal de sabor maresia...

Beijinho

Anónimo disse...

Um beijinho de Santa Páscoa.
Teresa