domingo, fevereiro 15, 2009

'DUMA CARTA'... (DESAFIO DA CLEOPATRA)


Desafio da Cleopatra:


MOTE:

“Duma Carta”


Escrevi-te ontem
somente para dizer
das minhas mágoas e do meu amor…
O Sol morria…
Tudo era sombra em redor
e eu…, ainda escrevia…

A pena sempre a correr
sobre o papel,
deixava cintilações,
nas pedras do meu anel!

E a pena corria…
Nem precisava ver, o que escrevia!

Anoitecera.
…………………………………………
Como eu em toalha de altar
A mesa
revestiu-se de luar!…

Nascera a lua.
E a pena, nos bicos leves,
dizia ainda:
– Sou tua!
Por que é que me não escreves?
Mas o papel acabou
e a pena continuou:
Por que é que me não escreves?
O meu amor é todo teu.
Só eu te sei amar!
– Só eu!…

Janeiro
1922


Judith Teixeira


~*~

(Foto-montagem: imagem retirada do blog da Cleopatra sobre foto minha. )




«Escrevi-te ontem
somente para dizer»


Que continuo aqui, parada no hoje. Como passageira adiada numa estação-desencontro, onde o comboio nunca tem o destino certo e onde as horas são sempre amanhã.
Se pelo menos soubesse falar-te de amores e lhes retirasse todas as rimas óbvias, gastas e repetitivas, com dores, talvez me aninhasse no silêncio de uma palavra onde esta distância-uivo-de-lua-nascente-mais-que-presente cessasse no agora e... para sempre. Mas onde e como esconder de ti o rio de fogo das saudades? Tudo passa, dizem. E todos os rios secam, dizem também. Menos um, feito abraço embalado e suspirado, por onde navegámos negando a solidão da noite. Lembras-te?
Mas eles, os que tanto dizem, não sabem.

E ninguém, nunca, saberá, que ainda permaneço deste lado do tempo onde sou tua.
Nem tu.

Nem tu...

«Por que é que me não escreves?»


Ni*

Fevereiro, 2009, hoje...




16 comentários:

Anónimo disse...

Como é que eu te posso escrever, se não sei que és minha, nem nunca saberei ?
Com muita ternura e sempre encantado
João Miguel

Ni disse...

JOÃO MIGUEL:

:)

...
Gostei do desafio da Cleopatra... e surgiu este textozinho, num dia em que o trabalho é imenso MAS o sol convida a VIVER... a ir ao encontro do mar.... pisar a areia... sentir o abraço do vento.... e a concentração não é companheira.

...

OUTONO disse...

Escrever-te...
Faz tempo, que a sombra de dias cheios, marca o ritmo de um passar lento sem te lembrar...
Escrever-te...
Como gostaria de ter essa liberdade, esse anúncio de desejo, essa motivação palavra...
Escrever-te...
Talvez no imaginário por do sol, entre flutuações de humores ou desesperos, de interrogações ou certezas...
Escrever-te...
Diz-me apenas ...sim ...podes tentar...dá-me essa luz no sorriso dos teus olhos...mesmo que não tenha força...escreverei com um aceno

Ni disse...

OUTONO:

Escreves tão bem...

«Mesmo que não tenha força... escreverei com um aceno.»
Gesto-pausa no tempo, talvez o teu olhar se aquiete e me ouça
E se alegre com o som das papoilas e a memória-infância do verde feno...

«Sim... podes tentar...»
E se em cada letra tua colocares um barco azul, mesmo de papel, mas que saiba navegar...
Prometo escrever-te um poema com rima de sal e mar...

Boa noite, amigo Outono!

Boa semana para ti e para o mundo!

Anónimo disse...

Porque é que não escreve sobre o amor feliz, onde há partilha e reciprocidade e sentimento e vida e riso e futuro?
Um beijinho
Teresa

Ni disse...

TERESA:

Talvez um dia... talvez... volte a escrever sobre esse amor alegria, transmutação de noite, névoa, em leito de brilho e dia. O tal amor partilha, permanente sedução, convite à viagem-paraíso-ilha...
Amor-reciprocidade, sem preconceitos, sem medos , sem idade... e vida e riso e futuro... em que os olhares, sem palavras, dizem 'quero... juro'...

Talvez, Teresa, eu volte a acreditar que tal amor não é ficção.

Beijinho

Ni*

Anónimo disse...

Querida Ni,

Afianço-lhe que não é, porque eu vivo um amor feliz.
Que Deus lhe tenha reservado a si um amor assim, feliz.
Um beijinho
Teresa

Ni disse...

TERESA:


«Um Amor Feliz»... expressão bonita para um sentir ainda mais bonito.
Que assim perdure... que assim a ilumine esse bem querer partilhado.

Beijinho


Ni*

Pecadormeconfesso disse...

Ela também vive um amor feliz.
Eu nao.


Também respondi ao desafio da Cleo.
Ela tem cada uma!
Até pareces tu!Que duas!
É bom sermos arrastados a escrever é sair da letargia.

Ni disse...

PECADOR:

Se «ela» vive um Amor Feliz... isso deveria deixar-te feliz. Saber que a quem queremos bem a vida lhe oferece caminhos atapetados de rosmaninho e alecrim... já é um motivo para nos fazer sorrir.

...

Eu li a tua resposta ao desafio da Cleo. Está excelente!

Eu e a Cleo temos muitas coisas em comum.... sorriso. Gostos, modo de encarar a vida, de rir... parecemos duas 'miúdas', na alegria partilhada.

Aliás, pela noite dentro, ambas a trabalhar e a conversar no msn.... já nos rimos muitoooooo.
É uma força viva, a Cleo!

E gosta de desafios... e de desafiar. Tal como eu!
Um desafio de escrita é fascinante...

Beijinhos, 'PECATOR'!

Ni*

Que duas?! Hehehe... realmente...

Lúcia disse...

'E ninguém, nunca, saberá, que ainda permaneço deste lado do tempo onde sou tua.
Nem tu'
E a solidão que deste lado se sente...
Com sempre, Ni, lindíssimo. Gosto da tua sensibilidade na escrita das mantas de sentimentos que nos envolvem. Escrita pura!

INES DE CASTRO disse...

PROFESSORA MAIS LINDA DO MEU CORAÇÃO =D que abraço caloroso o de hoje. só quero que me diga uma pequena coisa que não encontro em lado nenhum :/ qual é o tema 3?! lol:)

UM BEIJINHOOOOOO!
gosto de si, daqui a lua:)

Ni disse...

INÊS DE CASTRO... MEU ANJINHO DISTRAÍDO:

Os temas,além de apresentados e explicados... um a um.... em Data Show na aula... (há 1 mês atrás!!!), estão no nosso blog, num post colocado dia 30 de Janeiro...

Aiaiaiaiai... a menina bonita anda distraídaaaaaaaaaa!!!!

Em baixo indico... de novo.... o tema.

Exigência: não aceito um trabalho abaixo de Excelente!!!


- Adorei o abraço... espontâneo, caloroso, natural.... quando ia para uma aula! São momentos assim que me fazem dançar em vez de andar. E sorrir. E sorrir... apesar de tudo! :) -

Beijinho

CC


Tema 3 – O SUBTÍTULO - Episódios da Vida Romântica (visão crítica de uma época)

Os Episódios da Vida Romântica constituem-se como «flagrantes» da vida portuguesa, onde estão representados os defeitos caracterizadores da sociedade portuguesa da segunda metade do século XIX, em múltiplos aspectos.
O romance Os Maias denuncia os vícios da Pátria, para a qual Eça de Queirós olhava do exterior. De facto, o afastamento de Portugal, por razões profissionais, possibilitava-lhe realizar a análise objectiva, por vezes impiedosa, de uma sociedade ridícula, decadente, tão distanciada da civilização estrangeira que ele tão bem conhecia.

Análise dos Episódios:
*Jantar no Hotel Central (Capítulo VI)
*Corridas de Cavalos no Hipódromo (Capítulo X)
*Chás e jantar em casa do Conde de Gouvarinho (Capítulos X e XII) .

Ni disse...

LÚCIA:


Não sei quem és, mas sempre que te leio no teu blog sinto exactamente a mesma coisa: 'escrita pura'. E gosto! E gosto que gostes da minha escrita!

Beijinho

Ni*

Henrique Dória disse...

Cartas escritas nem sempre são enviadas.Lembras-te de NIGHTS IN WITE SATIN?

Anónimo disse...

Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.
E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras...

Sophia de Mello Breyner Andresen