terça-feira, novembro 18, 2008

QUE ME LEIA QUEM ME SOUBER LER...



(...)

Não procuro mais, não penso mais, sigo-me. Encontro-me ao olhar para o mar, devolvo-me ao pegar na caneta e ao fazer dela a espada com que me resgato e combato pelo que sou, pelo que sinto. Ainda que doa. Ainda que não entendas. E em cada dia, página branca e pura, derramo-me em azuis. E, sempre com a cabeça levantada, percorro os caminhos da memória e volto mais forte. Não minto, nem com as palavras nem com os olhos. Que me leia quem me souber ler.

(...)


Ni*


«E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar... »

Fernando Pessoa





6 comentários:

Maria disse...

Descansa o olhar sobre o mar.
Os azuis ficarão mais azuis e talvez doa menos...

Deixo-te um sorriso de sol
e um abraço de vento...

Alberto Campos disse...

Não te sei ler que nunca te vi de ti mais que as palavras anunciadas ou transcritas do poeta maior. Não te conheço o azul que te banha os olhos o verde dito da esperança que te inunda a alma. Reconhço talvez em ti o vermelho da paixão que te completa o sentir.
Partilho contigo a espada feita pena com que combato também pelo que sou, o cajado feito caneta com que percorro os caminhos de memórias de outros tempos, outras vidas.
A verdade é o apanagio das almas simples, talvez por isso mais acessiveis e expostas ás intemperies da razão.
Não há metafisica maior que olhar o mar...simplesmente.

Pescador disse...

em tempos eu pensei que sabia ler os olhos de outras pessoas..
mas agora assusta-me nem sequer ser capaz de reconhecer aquilo que os meus olhos escondem...
em tempos naveguei pelas tuas palavras e conheci um pouco da tua alma...
acho que te quis ler...
...
este teu post fez me lembrar esse tempo a tão pouco tempo quando ao ler as tuas palavras descobri-te...
...
o meu silêncio não impede ocasionais visitas, mas esta tua frase "Que me leia quem me souber ler." levou-me ... deixou-me um sabor estranho..., um odor de perfume...
e senti saudades..., saudades da meNINA, com quem trocava palavras e confidências...
Perdi-te neste mar..., mas hoje voltei a encontrar-te...
Muitas saudades nina... muitas mesmo.
Continuas uma mulher "linda" sabias !!!
Bjs docessss e um sorriso sincero
Pescador

Quase nos 50 disse...

"Tristeza não tem fim, felicidade sim...."
Vamos a levantar esse astral que bem merece!
Um abraço

Rudy disse...

Engraçado... quando entro neste blog, leio e releio. E na verdade o que leio e releio tanto me diz e tanto me inspira ... Faz-me viajar ao passado ... Engraçado ainda, quando me recordo das suas aulas de português e vejo a sua essência de luz a irradiar a sala com tantos alunos ...

Além de professora, uma amiga ... Sempre com os olhos atentos nas letras dos alunos ... sempre pronta ajudar e a partilhar sabedoria ... Tenho-a como uma grande fonte e alvo de inpsiração ... É uma pessoa emotiva, que sempre motivou os seus alunos a escreverem ...

Nota: Quando entro neste blog sinto uma mescla agradável de sentimentos ... Recomendo =)

Beijinho NIna * Gosto muito de si ...


Uma viagem ao passado ...

Ao respirar de olhos fechados vi a limpidez tranquila deste meu silêncio que me levou até à ponta de uma falésia ... Sentei-me nas rochas incertas e olhei o mar ...
O mar lembrou-(me) ele ... O passado ...
Recordei-o ... Deixei-o para sempre na minha memória ... Não o quero esquecer.
Eu vi o passado tão nitidamente como se estivesse a acontecer naquele preciso momento.
Ele olhou-me uma última vez e eu abraçei-o mais um pouco ... O mais que podia ...
Dos meus olhos vítreos e sem vida pareciam começar a cair cascatas ... Despertou em mim "saudade" ...
A saudade dos maravilhosos momentos que vivi outrora!
Tentei agarrar o tempo, mas o tempo corria indiferente à minha saudade.
Ao respirar o vento furioso intensificou ... Com ele trouxe o frio ... O sofrimento que dera lugar ao vazio ...
Abri os olhos e vi o mar à minha frente ... O céu olhou-(me) com aquele azul penetrante e as lágrimas secaram, deixaram de escorrer pela minha face ...
Levantei-(me) e deparei-(me) com a solidão absoluta ...
Dei um passo à frente, dois, três .... E naquele curto espaço de tempo, corri por ter visto o ternuroso olhar do passado no fundo do oceano, para lá das rochas, e na ânsia de estar com ele para sempre saltei da ponta da falésia ...
Não senti nada mais do que a saudade, o cheiro a maresia e o vento ...

No limiar de uma nova era dou por mim a caminhar vagarosamente até ao presente ... Não sabendo o que o futuro me reserva, conforto-me nos braços do "Passado"!

Hoje vivo na angústia desta ideia: Quem me dera puder recuar no tempo e viver todos os momentos felizes que já vivi.



[*[Rudy]*] (Antigo aluno da ESJCP)

Anónimo disse...

Sobre a minha cabana
um arco-íris
embriagou-me

Haiku de Ryokan