domingo, junho 29, 2008

NUMA NOITE...






Numa noite com data certa na pureza desta cidade que não cessa de me aveludar a pele



Escrevo-te para te murmurar aquele 'amo-te' que me desenhaste há anos atrás. Murmuro-to hoje porque ainda te amo, embora te negue muitas vezes três vezes, e porque é esse ter-te no negar-te que me mantém viva. Sei que os meus cabelos negros te correm nas veias e o meu nome, que os meus dedos escreveram nos teus poros, morde-te a memória. Sei. Não há nada de ti que não saiba de olhos fechados, como caminho único. Mas o que conheci então é o meu passado. E hoje, frente às minhas mãos onde as linhas que te escrevo se cruzam com as tuas, o futuro chama-se espelho do espelho do espelho do que sempre fomos. Sonho-te todas as madrugadas, de olhos abertos, para de ti receber mais um dia em cada dia. Ou será mais uma vida, em cada vida? E assim, dormente, enroscada na interrogação, sou.



Volta.


Ni*





(Inevitável... escrever... face a um texto que li aqui e aqui... após uma noite de trabalho... de exaustão. E agora... vou dormir com a madrugada...)

6 comentários:

Cleopatra disse...

NI, ninguém merece gostar tanto ...assim.

Ariel d'Angouleme disse...

Leste e leste e escreveste...
e fez-se espelho do espelho do espelho do real...
e a vida é um reflexo que retorna enquanto há vida...

Beijo*

OUTONO disse...

Se...não existisse definição para sensualidade, juntaria o teu sentir, para dissipar a dúvida...

Beijinho.

Excelsior disse...

...Num mar com sabor a pele, de um dizer perdido... mas sempre cantado, num suar de uma noite, desta cidade que humedece...

...sussurro-te o "amo-te" que sempre foi eterno, no sem fim que nem precisou começar, pois já era...

Em beijos enrolados, dedos acordados, ondulares ousados, conto-te o que nunca de ti esqueci, mas em nós é sempre um começar novo...

Mesmo que num sonho, interrompido anos dentro de anos...

...mordisco o recordar do teu prazer insinuado, mostrado, escondido, proibido..

E tudo o que eu sou, é teu para saberes... pois tudo o que sou, é o que em mim acordas.

E aqui, agora, num recordar de cabelos e semi-nudez, olho para os meus dedos cansados que tentam ecoar algo... que seja dança merecedora, da valsa-seda, que o erotismo da tua vida é... Pois sempre foi, e nunca (em mim...) deixará de ser...

Sonho-me contigo, todos os segundos da noite e da manhã e da tarde e do entardecer... com o pulsar do coração, que bate um pouco mais rápido, quando a antecipação do teu rosto-olhar, é, no horizonte... de décadas e anos, tornadas horas e segundos...

Assim...

...abraçado à minha Verdade... eu sou.

...

(...Nunca vás...)


...

Lendo o texto inicial... no qual seguiste... sorri-se...

...tanto...

...pois tornas o escuro, em luz...

...a (auto-)negação, na afirmação de um sentir...

...uma lágrima triste, num sorriso seduzido...

...

Transmutação...

*sorrindo*

...

(...Céus, tu escreves tão bem!... que até vicia...)

...

João C. Santos disse...

o porte mais pesado do amor...

a saudade, a dor, a loucura

tudo me diz o mesmo...

quando se nega dizem-se estas três palavras ao mesmo tempo...

Ni disse...

CLEÓPATRA... ARIEL... OUTONO... EXCELSIOR... JOÃO SANTOS...

Comentários tão heterogéneos... e todos tão especiais... tão... profundamente impregnados da verdade de quem aqui os escreveu.

Os vossos comentários - acreditem! - é que fez este post valer a pena.

Emociono-me quando vos leio e releio... e fico contente por este espaço ser um local de 'verdade'... partilha...

O meu texto foi o resultado de um sentir imenso e... angustiante... quando li o texto que refiro nos links. Texto belíssimo... mas de negação. Não sei de onde me veio a força para manter os olhos abertos... porque a exaustão era indescritível... mas escrevi... escrevi a transmutação da negação em aceitação.

Apenas isso.
Coisas que a idade nos traz... a serenidade até na revolta... o sim até no não... e sobretudo... o levantar os olhos... e mostrá-los.
Lá... tudo está dito.


Obrigada a todos.

Ni*

(Após um dia complicado... mas com um momento que 'cá dentro'... me fez dançar descalça... e esquecer que a água do mar é salgada. Nisso... o poeta enganou-se. Os problemas? Amanhã enfrento-os e resolvo-os. Hoje... permito-me apenas a Paz. Paz.)