
Se partires, não me abraces – a falésia que se encosta
uma vez ao ombro do mar quer ser barco para sempre
e sonha com viagens na pele salgada das ondas.
Quando me abraças, pulsa nas minhas veias a convulsão
das marés e uma canção desprende-se da espiral dos búzios;
mas o meu sorriso tem o tamanho do medo de te perder,
porque o ar que respiras junto de mim é como um vento
a corrigir a rota do navio. Se partires, não me abraces –
o teu perfume preso à minha roupa é um lento veneno
nos dias sem ninguém – longe de ti, o corpo não faz
senão enumerar as próprias feridas (como a falésia conta
as embarcações perdidas nos gritos do mar); e o rosto
espia os espelhos à espera de que a dor desapareça.
Se me abraçares, não partas.
Maria do Rosário Pedreira
7 comentários:
Ni...
Fiquei como que sem palavras com este poema...
A sério... não sei mesmo o que dizer...
Só sei que te abraço... pois não vou partir...
E num abraço com muito sentir
Beijo grande
Mi*
(*)
Deixo-te ..........uma lágrima.
MI:
Ficar sem palavras face a um poema é bom... denota que todas as palavras estão nele contidas... :)
Um abraço, doce menina...
CLEOPATRA:
...
Saio devagarinho...........
Abraço.
Ah como ADORO este texto.
Quantos abraços me falharam em partidas que não desejei.
Dói.
Ni... vou ter de levar este poema para o meu blog. Deixas-me?
MARIA, RUI, CLEOPATRA:
A vossa sensibilidade diz-me tanto, mas tanto...
Sim, Cleo... leva-o.
Beijos
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