quarta-feira, maio 18, 2011

DUMA CARTA...

Post recuperado...
(roubado ao tempo-esquecimento...)


Desafio da Cleopatra:


MOTE:

“Duma Carta”


Escrevi-te ontem
somente para dizer
das minhas mágoas e do meu amor…
O Sol morria…
Tudo era sombra em redor
e eu…, ainda escrevia…

A pena sempre a correr
sobre o papel,
deixava cintilações,
nas pedras do meu anel!

E a pena corria…
Nem precisava ver, o que escrevia!

Anoitecera.
…………………………………………
Como eu em toalha de altar
A mesa
revestiu-se de luar!…

Nascera a lua.
E a pena, nos bicos leves,
dizia ainda:
– Sou tua!
Por que é que me não escreves?
Mas o papel acabou
e a pena continuou:
Por que é que me não escreves?
O meu amor é todo teu.
Só eu te sei amar!
– Só eu!…

Janeiro
1922


Judith Teixeira


~*~

(Foto-montagem: imagem retirada do blog da Cleopatra sobre foto minha. )



«Escrevi-te ontem
somente para dizer»


Que continuo aqui, parada no hoje. Como passageira adiada numa estação-desencontro, onde o comboio nunca tem o destino certo e onde as horas são sempre amanhã.
Se pelo menos soubesse falar-te de amores e lhes retirasse todas as rimas óbvias, gastas e repetitivas, com dores, talvez me aninhasse no silêncio de uma palavra onde esta distância-uivo-de-lua-nascente-mais-que-presente cessasse no agora e... para sempre. Mas onde e como esconder de ti o rio de fogo das saudades? Tudo passa, dizem. E todos os rios secam, dizem também. Menos um, feito abraço embalado e suspirado, por onde navegámos negando a solidão da noite. Lembras-te?
Mas eles, os que tanto dizem, não sabem.

E ninguém, nunca, saberá, que ainda permaneço deste lado do tempo onde sou tua.
Nem tu.

Nem tu...

«Por que é que me não escreves?»


CC (Ni*)

Fevereiro, 2009


1 comentário:

Cirse disse...

Nina querida...

Leio-te emocionada, com o coração feliz!

Obrigado pela oferenda das tuas palavras.

Luz e paz, pra ti!

Carinhosamente,

Cirse.