domingo, janeiro 20, 2008

MESMO DE OLHOS VENDADOS... ENCONTRAR-TE-IA...


'Mesmo de olhos vendados... encontrar-te-ia.' Ele sorriu. 'Como?'. Ela murmurou palavras quentes de certeza e de marés, a boca dela tocando a dele: 'Pelos sulcos que os cisnes desenhavam no lago do jardim onde desde sempre te aguardei. E na esperança sempre verde, sempre líquida, da tua chegada, tranformei o meu peito num altar votivo da Força... que permitiu que no meio dos momentos mais áridos da minha alma, e das turbações mais frenéticas do meu corpo, eu abraçasse cada alvorada como uma promessa de ver-te chegar e entrar em mim. Eu encontrar-te-ia.' Ele olhou-a, em silêncio. 'Fala comigo', disse ela, num murmúrio quente que se ouviria do outro lado da lua... se os pássaros de rumos ousados por lá passassem. 'Não posso, não quero! Hoje apenas tenho dentro de mim o silêncio de te cobrir toda de beijos...'
Ela encontrá-lo-ia. Mesmo de olhos vendados. Mesmo com tempos trocados, com espaços desfasados. Ela sabia-o. E ele também.
Ni*


5 comentários:

Excelsior disse...

...E ele saberia. Oh, se saberia. Que o mundo sem mundo, não é Esfera. É estrada de passagem.

Que o voo, sem asa, é rasgo de luz efémera e bela, numa tristeza até de si mesma desconhecida.

Que amar, sem saber quem se ama, é amar... sem sabor a mar.

Que mesmo tendo apagado, nunca havia escondido.

Que mesmo que em lágrimas solitárias, tivesse aceite fechar no cofre da sua essência, o Maior dos seus Tesouros, o mais Dourado e diamantino dos seus Elos... que mesmo que para tal, vez alguma voltasse a olhar... bastaria contemplar uma mera sugestão da sua imagem, para que todas as combinações, e todas as voltas, de todas as fechaduras de tal arca se soltassem, se desfizessem, como que numa ânsia de libertarem o que nunca aceitaram prender.

E em mornos e deslizantes beijos, emaranhados em provocantes carícias, em sorrisos de uma juventude redescoberta... ele sussurra, num silêncio de um olhar que tudo diz... um gemido que exclama Amor.

Excelsior

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...

(Obrigado por fazeres despertar Magia com as tuas palavras, Ni.)

*sorriso*

Ni disse...

EXCELSIOR:

Sorrio.
A Magia está dentro de ti!
As minhas palavras (acredita!) são simples ecos de memórias ancestrais... nada mais.

Lindo, o teu texto!
Forte e sentido!
Gosto muito da mudança que se operou na tua escrita. Está mais intensa, profunda, sábia.

...

Excelsior disse...

Ni...

*sorrindo... muito*

...A Magia pode estar, e ter estado sempre, em mim... mas há quem saiba a Chave para a invocar, para a acordar, para a fazer sair... e tu tem-la. :) Porque nas tuas palavras, Magia é.

E pouco de "nada mais", as tuas palavras têm... exactamente porque são "ecos de memórias ancestrais"... (Ah, são isso, e tanto mais...) :)

A singularidade da tua escrita acorda na minha, expressões que nunca esperei ver-me escrever...

...e é curioso, o que referes da minha escrita... porque em verdade, sinto-a a mesma de sempre... com a diferencia que agora arrisco falar sobre sentimentos... que quiçá, nem em mim mesmo, quis encarar que existiam...

...Falar menos sobre mágoas e feridas solitárias...

...e mais sobre ternura partilhada...

:)

Mantenho: devias escrever um livro. :) Onde a tua alma voasse, livre de quaisquer grilhões de expectativas alheias... excepto o teu próprio prazer de fazer fluir e criar...

Rui @t Blog disse...

Sente-se ao som da canção o teu gritar baixo das palavras com que foste compondo o texto, onde lágrimas serviram de tinta, escorrendo pelo aparo experiente que a vida afiou.
No final, um lenço toma conta de tudo até que voltes a sorrir quando a tinta acabar de secar.

Salam Aleikoum

Dexter disse...

curti o espaço! volto depois