domingo, fevereiro 18, 2007

RESPOSTA A UM DESAFIO TEXTUAL






O desafio, aqui:






...





Há na luz da manhã a promessa dos dias felizes.

As tempestades são-nos exteriores e passadas. A noite foi intensamente desenhada na pele, nas carícias que nascem no afecto e se soltam, com alma própria, dos dedos. Não comandamos os sentimentos, dizes-me. Ainda bem, sorrio-te eu. E é esse sorriso meu que te abraça, neste momento do dia nascente, em que nós nascemos também. Sei que quando abrir os olhos estarei a aceitar o pacto de mais um dia, que só poderá ser feliz porque ao teu lado. E é esse dia a maior oferta que nos daremos. Os meus cabelos longos, escuros, traçam linhas bailadas sobre o teu braço e o teu peito, em cascatas de promessas de seda. Sim, cumpro as promessas. Sim, ganho as apostas ainda que as perca. É quem não receia o amor que vence as batalhas, sabias? Adio o acordar. Permaneço neste conforto de (te) sentir apenas, sem que saibas que ouço a música que a tua vontade de parar o tempo me conta e canta. Há algo de divinamente humano e puro nesse teu enlaço, nesse estreitar-me, como se os meus poros respirassem os teus. Vou acordar, amor. O mar depositou em nós a esperança das algas verdes e das marés cheias. A areia estende-se em braços que procuram o calor. O nosso. É urgente que o saibas. Será o meu sorriso que to dirá....


...


Há no vagar dos passos sobre a areia a sabedoria das gentes do mar. Aprenderam com as luas e as marés o som do tempo. E nos olhos transportam a paciência do sal, que espera que a água se desenhe nuvem para só então se mostrar. A tua mão na minha nega o medo. E eu fecho os olhos, no abandono confiante do sentir e dos sentidos, como se o caminho só pudesse ser este, ao teu lado. Há uma idade, após a idade das certezas, em que tudo arriscamos. Podemos não saber para onde seguir, mas sabemos com quem queremos ir. Juntos, meu amor!


...







Ni*

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

AMOR... PEDAÇO DE CÉU DE SEDA...




A imagem fala por si.

Metafórica, a lembrar-nos a fragilidade da seda que envolve todos os afectos. Assim como os instantes de eternidade, os pedaços de céu, os momentos de espelho com o que há de mais semelhante com a felicidade.


Para quem hoje não vai receber nem beijos, nem flores, nem aquelas ternuras que se aninham no brilhozinho dos olhos... (esteja só ou acompanhadamente só) é natural que, ainda que diga que este dia serve apenas os valores do consumo, sinta bem lá no meio da sua verdade , como carta de marear delineada com traços profundos, a tal ilha da solidão.
...
Deixo uma sugestão... que eu vou seguir também... ame-se!
Verá que não há canto de passarinho nem poesia do mar que não sejam seus!
...
Ni*

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

DEIXA UM ESPAÇO LIVRE...


'Não queiras saber tudo. Deixa um epaço livre para te saberes a ti.'

Vergilio Ferreira

.

:.´*`.:

Esvaziei-me de quase todas as tristezas,

mas deixei, intacta, uma esperança.

Soltei mágoas, presas em palavras

a que troquei as sílabas,

adoçando-as.

Coloquei ilhas de reticências

entre a vida e a dor.

Arrumei o mar no fundo dos olhos

e as asas à superfície da vontade.

E deixei espaço, muito espaço,

para reinventar os momentos

e me recriar.

Ni*

segunda-feira, janeiro 29, 2007

A LUZ DOS DIAS FELIZES - (300º 'post') -





'O que mais deixei para trás, em cada viagem que fiz, foram os amigos que não voltei a ver. (...)

Disse-me uma vez, numa dessas constrangentes despedidas, um amigo sarahui: - Os que não morrem, encontram-se.


Mas aprendi que não era verdade, infelizmente. Quando muito, poderia talvez acreditar que os que se encontraram nunca mais morrem na nossa memória.

Mesmo que apareçam tão-somente assim, esporadicamente, do fundo de uma gaveta, onde vive arquivada, a luz dos dias felizes.'

*
Miguel Sousa Tavares, in Sul Viagens




domingo, janeiro 28, 2007

«MATAR A SEDE COM ÁGUA SALGADA...»




'Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas às urgentes
Perguntas que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer enquanto
O nosso amor durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...

Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada...'

Miguel Torga

tempUS



MEnina FELINA... em pensamentos soltos... sem tempo.

Ni*

Às vezes pouso a cabeça em certas memórias...
E suspiro...
Deito o olhar para uma nuvem que quer passar...

e não o retiro!

O ideal seria não se dar pela passagem do tempo.
Seria viver dentro dele, como sua partícula natural,

e não temporariamente...
Não me sentir assim...
Como uma estrangeira em visita ao país da eternidade,

cuja Língua ignoro.
Será que sabe a sal ou será doce o que não sei?
Se é espelho de mim, estará à margem da esperada lei...
...

No meu pulso fino, um relógio impõe-me esse tempo.
Quando o homem inventou o relógio estava, no fundo,

a tentar minimizar os estragos
por se ter esquecido de trazer o tempo no coração...
Apenas um fugaz brilho no olhar, desses tempos de Verão.

Como seria perfeito se tratasse a eternidade por 'tu',

ao ponto de me fundir com ela.
Mais felino do que eu, esse tempo, que me foge!
E, no entanto, ele nunca deixa de estar 'lá'.
E eu... 'cá'!

E sorrio, sempre que me cruzo com o horizonte...
Atemporal ponte...
Porque ele me mostra que para a eternidade é indiferente

que esteja no presente, no passado ou no futuro.
Porque acima de tudo 'SOU'.
Não lhe interessa se fico ou se vou!

...

Tempo, verdade, realidade, mundos, segredos...
E sorrio... sorrio...


É que às vezes...
os gatos deixam-se longamente afagar,
como se os deuses fizessem uma cedência ao mundo existente do lado de cá da realidade...
Onde o odor no ar é de algo com a cor da saudade...

...

Aflora-me à memória a canção 'quero o meu primeiro beijo...'

Outro, mais um, desejo...
Um desejo que se perdeu no tempo pode voltar mais tarde.
Ele é mais forte e mais teimoso do que quem o perdeu...

Sorrio de novo...
Algo mais felino e mais persistente do que eu!

'muito mais é o que nos une, que aquilo que nos separa'

E, de repente, a lucidez de que as ideias não dependem de mim.
Eu é que dependo delas!
E agora... tenho de aceitar este novo mistério na minha vida.
Ainda que não vislumbre o começo, quanto mais a saída!

(...)

...Pois é...
uma boa companhia faz pensar, por algum tempo, que não se nasceu só...
Que é ficção a nossa origem no pó.
Que seja, mas será pó de querer... podes crer!
Porque vou decifrar o enigma, e contigo sair do labirinto...

'Haverá gente informada se é amor isto que eu sinto...'



Nina

Lisboa, ao longo do tempo...

(Para ler a ouvir Rui Veloso, 'Primeiro Beijo'... tal como foi escrito)


terça-feira, janeiro 23, 2007

ESSE TERRITÓRIO DE ESPANTO...




Quanto mais próximo se fica do amor, mais necessário se torna conhecer quem nos mostrou esse território de espanto.

O deslumbramento, a luz intensa e fulminante gerada pela atracção de almas e de corpos (fases por esta ordem), embotam ou retardam a chegada do lado negro de cada um a essa nova dimensão recém criada.
A contribuição "generosa" de vícios e de marcas, de insuficiências e de excessos é condição necessária (mas obviamente não suficiente - uma relação amorosa não é uma terapia, embora possa e deva ser regeneradora) ao evoluir da paixão para uma relação amorosa de sentido pleno e total, de encontro e de partilha.


A entrega não é apenas do brilho, mas das pequenas/grandes trevas que nos habitam.

Alcançar o elo seguinte da espiral pode então ser duro, difícil de enfrentar, mas é útil e tão imprescindível como qualquer dor de crescimento - o esqueleto só atingirá a sua fase adulta por meio de saltos, e, numa relação a dois, essas mudanças não representam apenas alterações quantitativas, mas também qualitativas: (re)qualificam a relação, dão a maior contribuição possível para a pertença - mostram cada um com o seu wild side, o tal 'lado lunar' eufemístico, e expõem-no ao olhar do outro.

Se esse olhar mantiver a luz, era mesmo amor.




quinta-feira, janeiro 18, 2007

O CAMINHO DA CERTEZA




Tinha aprendido que o caminho da certeza se fazia sem complacência nem quebra de vontade. Só lhe faltava a noção exacta da medida do amor, para lá das roupagens espúrias, das distâncias impostas, da intransponível barreira da reserva cultivada a frio, e por tudo isso ainda tinha pronto o cavalo do medo para fugir sem demora, a entrega total negada como condição de sobrevivência. Ensaiou a fuga uma última vez, a propósito de (quase) nada, mas o caminho desfez-se ante os seus olhos espantados, toldados pelas vagas que lavavam tanto passado inútil. Olhando na noite impossível para um ponto distante algures a norte, ainda viu derreter-se o muro que a isolava de si, dissipado em nuvem e logo tornado verde esmeralda, vértice da lua cheia na maré de todas as madrugadas.


- Fragmentos de mim -
Ni*

RENÚNCIAS



Esta imagem , desde que há uns anos me chegou por email, nunca me deixa indiferente, sempre que a revisito.

...

Já escrevi textos poéticos (?) como resultado desse impacto... como se uma memória se activasse.

Asas que se desejam, que se transportam, que se aspiram ou se protegem.

E sempre... a liberdade de escolher: de se libertar delas, ou de as quebrar, ou de delas prescindir, ou a elas renunciar.

Ser mulher, apenas. Quando o 'apenas' nunca o é.

Do pedestal, da fuga, das nuvens de fogo no horizonte próximo, das asas quebradas, exala o odor dos mitos, das trocas, das renúncias de um bem por outro...

...que se acreditou maior?!

...

terça-feira, janeiro 16, 2007

CONSELHO




Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça.

Eugénio de Andrade
*
...

segunda-feira, janeiro 15, 2007

AB IMO CORDE


(*AB IMO CORDE = do fundo do coração)

*


« - Vó, o teu cabelo ficou branquinho, mas os teus olhos continuam azuis, azuis, azuis!
- Os olhos mudam de cor de acordo com o que sentimos, Ni.
- Os teus estão sempre azuis, vó. Sentes sempre o céu, não é?

(Silêncio e sorriso, ao partilhar uma tarde em pleno campo, perto de Lamego)

- Vó, solta o cabelo.
- Aqui, na rua?
- Claro, vó! Dentro de casa não há vento. E eu gostava de ver andorinhas de asas brancas a sairem do teu cabelo.
- Ni... promete-me que nunca te esqueces da magia da vida.
- Da magia? (de olhos muito abertos e voz sussurrada, como se um segredo me estivesse a ser revelado)
- Se algum dia te sentires só, sem saberes que caminho escolher, sem entenderes as pessoas e as palavras, os gestos... SOLTA. Deixa ir a mágoa. Como os cabelos... para que surjam andorinhas de asas brancas na tua vida...»

...

Talvez seja por isso que hoje caminho pela vida de cabelo solto, embora nem sempre os pássaros da alegria me escolham para fazer os seus ninhos.
...



...

........................^^
Ni*

sexta-feira, janeiro 12, 2007

NÃO GOSTO DE MUROS!



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SEGREDOS





...abrir a porta ao inesperado. Tomar chocolate quente com a surpresa do destino. Ousar amar(mo-nos). Expressar a luz. Fluir na música. Entoar um canto único, porque todos somos irrepetíveis. Exprimir a valentia dos puros de alma. Sorrir. E dizer-te : «-Até já»... Ainda que não me ouças. E sorrir-te, de novo. Ainda que não o saibas. E desenhar-te raminhos de palavras. Ainda que não me leias. E soprar-te alegria. Ainda que não me respondas...
*
Ni
*
Conta-me um segredo...

quinta-feira, janeiro 11, 2007

IDEALIZAR



«... e um dia, como repentina luz da manhã que escolhe o brilho dos nossos olhos para mergulhar, percebemos que idealizar é dizer adeus sem dar por isso. »
...
Ni*

quarta-feira, janeiro 10, 2007

NÃO SE ESCOLHE...


- Para todas as mulheres que ousam acreditar no Amor, após o desamor-


(...)

Ela tinha uns olhos brilhantes, profundos como a noite. O cabelo, da cor do das ninfas das águas calmas, embaladas por amores nunca resgatados.
Os pensamentos povoados de sonhos.
O desejo, incandescente de voar, de rasgar horizontes cada vez mais altos, cada vez mais fundos.
Ela, como Ícaro, era dotada de asas... mas na alma.
E, como Ícaro, experimentou a dor de chegar demasiado perto do sol.

Viveria tudo outra vez!


Ela ousava... seguia o instinto de ousar usar as leis do Universo e da vida.


Descobriu-se outra, nos braços de um grande e inconfessável amor... depois 'dele'...

E nada voltou a ser como era.

Àqueles que a amaram, escapou-se-lhes por entre os dedos como poeira dourada, numa rebeldia quase indefinível, que doía e encantava.
A si própria, concedeu-se o privilégio de ousar viver intensamente, de dar voz, corpo e vida aos seus desejos mais secretos.

E soube não oferecer resistência ao invasor impiedoso, doce e mais que tudo, desejado, recebendo-o em todo o seu ser com a infinita coragem e sabedoria dos que se sabem deixar amar.

É que não se decide quando, nem se escolhe quem se ama!

Ama-se.

(...)


segunda-feira, janeiro 08, 2007

...


A última folha,
aquela,
onde estavam adormecidos
todos os poemas,
caiu.
É melhor assim.
Os meus olhos,
agora de ti vazios,
não mais te lerão em mim.
...
Só o mar ficou.
E o vento, espantado,
calou o branco lamento e amainou.
...
Só o sal ficou.
Ni

sábado, janeiro 06, 2007

DESCE E VEM SUBSTITUIR O MUNDO...





«Por degraus de sonhos e cansaços meus desce da tua irrealidade, desce e vem substituir o mundo.»
*
Fernando Pessoa/Bernardo Soares, in 'Livro do Desassossego'

terça-feira, janeiro 02, 2007

NUNCA DEIXAREI O PERFUME DO SAL



Há silêncios que deslizam

das velas das luas marinheiras.

E oferecem, aos meus olhos de (a)mar,

a rota dos faróis

com ninhos de voos para Sul.

E mapas de ilhas

com carícias de ventos quentes

e abraços de água doce...

...

Agradeço.

Mas nunca deixarei o perfume do sal.

Escorreu-me dos olhos para as veias.

...

Nina

1/1/2007

quinta-feira, dezembro 28, 2006

NEM AS LUAS TE SEGUEM... (Para ti, L.M.)

Murmuro o teu nome,
navio sem mastro,
no mar cujo sal
não soubeste amar.


Nem as aves,
nem as manhãs,
nem as luas te seguem.
Apenas as sombras.


Perdeste-te das margens
da verdade e da ternura.
...

Os corais apagam os brilhos
em luto pela tua deriva.

E agora?
Quem te dirá da praia branca
que sonhei para ti?

Nina






sexta-feira, dezembro 22, 2006

A ÁGUA QUE FALA CALOU-SE

«Ide dizer ao rei (...)
A água que fala calou-se» *
* Excerto da resposta do Oráculo de Delphos a Oríbase.
:.`*´.:
O instante, acreditei-o perfeito,
como semente frutificada...
Murmurei o teu nome,
incensei-o de mim.
Invoquei os sete elementos.
E acreditei,
ingenuaMENTE,
que tu vias a minha alma de ilha,
nos poemas de marear (mar e ar).
...
O teu destino deveria ter bebido a verdade.
E todas as ausências emergentes seriam caladas.
E todos os momentos seriam divinos e livres.
E as águas que falam nunca se calariam.
...
Porém, persistente,
crio em palavras o que nunca chegou a ser...
...
E celebro a tua chegada à minha nudez,
onde jamais vieste.
...
Nina

quinta-feira, dezembro 21, 2006

TODO O SAL


Através do meu coração passou um mar
Que ofereceu todo o sal ao meu olhar.
...
Nina

domingo, dezembro 17, 2006

METADE






METADE



Oswaldo Montenegro


(Texto que respeita a grafia original)



Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.

Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que triste.
Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.
Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço.
Que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei...

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é a platéia e a outra metade, a canção.

E que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor e a outra metade... também.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

PRECE(S)

(Imagem - tradução muito livre: )
...
.
.
Que seja verde a erva (os campos) sobre a qual (os quais) caminhas.
Que sejam azuis os céus (que avistas) sobre ti.
Que sejam puras as alegrias que te rodeiam.
E que sejam VERDADEIROS os corações que te amam.


(...)
May the road rise to meet you,
May the wind be always at your back,
May the sun shine warm upon your face,
The rains fall soft upon your fields;
And until we meet again,
may God hold you in the hollow of His hand.
*


(Tradução livre:)
...
.
.
Que a estrada se abra à tua frente,
Que o vento sopre levemente e a teu favor,
Que o sol brilhe quente no teu rosto,
Que a chuva caia suavemente nos teus campos,
E, até que nos encontremos de novo,
Que DEUS te guarde na palma das Suas mãos.
...
.
.
.
.
(Hoje, por ti pai, sorrirei, ainda que me doa profundamente a tua ausência.)



domingo, dezembro 10, 2006

LISBOA, em Dezembro... e um poema...



Tríptico
II

Herberto Helder



Não sei como dizer-te que minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e vasta.
Não sei o que dizer, quando longamente teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado. Quando,
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima
- eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.

Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
e o coração é uma semente inventada
em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a casa ardesse pousada na noite.
- E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
- não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.

Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço -
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me faltam
um girassol, uma pedra, uma ave - qualquer coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe, o amor,

que te procuram.


...

Lisboa... única.
Herberto Helder... sublime.
...

Fazem-me bem.

Ni*

terça-feira, novembro 28, 2006

CONFISSÃO

My Love


Please, come and find me, my love
I'm ready now, to come home
Please, come and find me, my love
Let's leave this place, let's leave no trace

Can you hear me, my love, I'm shouting in the
wind,
Can you hear me
Can you see me, my love, I'm drawing in the sand,
Can you see me
I hope that I'm still with you, as you are with me

You always will be

Please, come and find me, my love
I'm ready now, to come home
Please, come and find me, my love
Let's leave this place, let's leave no trace

Can you feel me, my love, I'm hurting so bad
Can you feel it
Can tell you about my thoughts, I wish that
You were here
Do you know it
The time that I've had, don't need anymore
You're the one I wait for

Please, come and find me, my love
I'm ready now, to come home
Please, come and find me, my love
Let's leave this place, let's leave no trace

Please, come and find me, my love
I'm ready now, to come home
Please, come and find me, my love
Let's leave this place, let's leave no trace



*
Hoje sonhei que acordava ao teu lado.
E foi esta música, com dedos de memórias que me tocavam, que me acordou...
...
Não sei se foi... é... amor ou não, mas já não me preocupo em dar a todas as coisas um nome próprio, porque o que não tem nome perdura para lá de todos os tempos e existe fora de todos os dicionários.
...
Nunca sabemos para onde vamos.
Mas eu levo-te comigo.Sempre.
...
Só tu podias ser os passos ao lado dos meus. Só tu.
...
Eu sei que o sabes.
Assim como sei que me negarás, muitas vezes três vezes, ainda que isso te seque por dentro.
...
Será isso amor, amor?
(...)
Ni*, excerto in 'Cumplicidades', contos (um projecto)

sexta-feira, novembro 24, 2006

tempUS



tempUS de insónia...

tempUS de espera, enquanto o 'pão de queijo' está no forno... mesmo a esta hora da madrugada...

tempUS de reflexão... de (in)decisões... nesta fase da vida onde sabemos, sobretudo, o que NÃO queremos.

tempUS de sentir que o caminho pessoal se faz a 'um'... sempre... ainda que tenhamos, por vezes, a ilusão da companhia.

...


Recuperei este 'post', de Novembro...

... porque a Cleópatra, com o seu post de hoje, e naquelas associações com que a nossa mente nos brinda... me avivou a memória.

...porque me questiono, nesta minha interminável idade dos 'porquês'...


...porque 'sim'.

.


Ni*


.


('N. então não lhe vais telefonar? «Não. Se for mesmo ele o meu príncipe... ele vem sem lhe telefonar. E fica.»'...)


...


Não telefonei.

Não veio.

Não era amor.


...




...

tempUS de encontro entre duas amigas.


...

Qualquer semelhança com a realidade... já sabem...


...


« - Pega no telefone e liga-lhe! Não tens nada a perder... diz-lhe que tens saudades dele, que ninguém te faz tão feliz, que os teus dias são frios e áridos. Ermos. Ele vai gostar da palavra. Ou não, sei lá. Dizes que ele te critica por tudo, até por falares bem demais. Pega no telefone e liga-lhe! Se ele não atender, deixa-lhe uma mensagem. Ou então escreve-lhe uma sms e diz que sentes a falta dele. Mas não a elabores demais... os homens nunca perceberão essa tua mania de desenhar poesia até nas listas de supermercado! Tens de ser clara, discurso directo, incisivo. Não te rias! 'Incisivo' fez-te lembrar o quê? Molares e caninos? Ai que parva, N.! Felina é o que tu és! Ou estás com.... medo? Não podes ter medo! O medo é o maior inimigo do amor. Ai tenho razão? Tu a concordares comigo?! Repete... gostei do que disseste! « Cada vez que deixares entrar o medo nas tuas veias, ele vai gelar-te o sangue e paralisar-te os afectos. Ficas transformada numa estátua de sal e morres por dentro. » ... gostei N. mas são estas coisas que não lhe podes escrever. Um homem não gosta, pois claro que não. Porquê? Ora, porquê. Porque não. «Sou uma sobrevivente à procura de uma luz que me leve por um caminho com menos pedras»? N... a vida é uma incógnita, hoje estás aqui, amanhã pode cair-te um piano em cima quando fores a andar na rua. Ainda há pessoas que atiram pianos pelas janelas? Há pois! Nunca se sabe como será o dia de amanhã, por isso não percas tempo, pega no telefone e liga-lhe. Tenho a certeza que ele te vai ouvir, tenho a certeza que ele, à sua maneira - e é tão estranha a forma como os homens gostam de nós - gosta de ti. Ele olha para ti por entre brumas e memórias. Pega no telefone e liga-lhe. A vida é tua, tens de ser tu a vivê-la, não podes deixar que ela passe por ti, tu é que passas por ela. Está bom, este teu bolo. «É um bolo de saudades para esquecer a mágoa». tu... é um bolo de chocolate! O teu 'Fofo de Chocolate'. Delicioso. Melhor do que o teu arroz doce. Noutra vida deves ter sido doceira!... N. nunca deixes de sonhar que um dia, tal como eu, vais encontrar alguém que te ensine a ser feliz, mesmo com todas as pedras que encontrarem no caminho.... não chores... acredita, muda! A vida vai mudar contigo. Não chores... príncipe encantado, N.? Há? « Há. Ouvem-nos com atenção e entram-nos no coração bem devagar, respeitando o silêncio das cicatrizes que só o tempo pode apagar. Não é o que diz 'amo-te', mas sente que talvez nos possa amar para sempre. Não é o que olha todos os dias para nós, mas o que olha por nós todos os dias. Que partilha a vida e vê em cada dia uma forma de se dar aos que lhe são próximos. O príncipe encantado é um príncipe porque governa um reino de afectos imensos, porque sabe dar e partilhar, porque ajuda, apoia e nos faz sentir que somos mesmo muito importantes. N. então não lhe vais telefonar? «Não. Se for mesmo ele o meu príncipe... ele vem sem lhe telefonar. E fica


...





sábado, novembro 11, 2006

AINDA TÊM SONHOS, OS MEUS OLHOS...




O que sei, já alguém o sabia antes de mim.
Insensatez, acreditar que não é assim.
Exclusivamente meu é apenas este coração!
Que insiste, e recusa ser escravo das sombras,
porque transporta memórias
do pó da estrela de onde veio.
Afecto feito emoção.
E que me grita, no silêncio inquebrável do seu eco,
que a vida tem dois sentidos invertidos, mas nunca proibidos.
E eu estou no meio deles.
Como quem é apanhada, de surpresa, por correntes contrárias.
Fogos cruzados de deusas adversárias.

E os meus olhos,
estes barcos sem cais,
que atravessam a chuva, temporais,
com mastros quebrados na passagem de tantos cabos...
Não naufragam...
Riscam no horizonte o limite da luz,
onde se escondem todas as asas de pássaros feridos,
mas não vencidos!
Disfarçados de luas brancas...
soltando brilho em vez de gemidos.

Ainda têm sonhos, os meus olhos...


Nina

Lisboa, numa madrugada... num momento...




sexta-feira, novembro 10, 2006

PERDOAR


...perdoar quem não merece perdão.
É tão difícil...
Mas talvez seja exactamente isso o perdão.
...
Mas é tão, tão difícil!
Ni*

quinta-feira, novembro 02, 2006

DEUSES


«Os deuses jogam dados e não perguntam se queremos participar no jogo»
Paulo Coelho
:..*..:
ESPERA
(En Attendant)

**Nin@**

No olhar, a ave que se recusa a migrar...
Memória de um outrora, onde o azul era quente.
E o sol presente,
mesmo após o poente.
E no rio branco que me percorre
E que desagua nas palavras por dizer...
O silêncio, o insuportável e interminável silêncio!
Que cala as músicas dançadas,
as rotas para um futuro traçadas.

Saudades do horizonte...
Da linha que separa a Esperança da Fé...
O Querer do Crer...

Nas mãos, vazias, ainda perdura o espaço das tuas,
dos bosques desvendados, dos ventos partilhados...
Que nos faziam sentir alados.

E numa fracção de segundo
Fui e regressei ao nosso mundo.
Não passado.
Não inventado.
Não recriado.

País entre o aqui e o tempo por acontecer...
Talvez outro viver.
Talvez se chame coração.
Talvez distante de ti...
apenas um estender de mão.

Talvez 'ESPERA'...
Da abertura do portal...
E de voltar a ser 'una' noutra esfera.

(...)

Nin@
:..*..:
Nota: Estes textos podem ser retirados a qualquer momento. Escrevo e anulo. Como se tudo o que escrevo, cada vez mais, me soubesse a pouco. Tal como este blog, que 'já vai longo', porém circular.
Como lago, em que a água não flui... e já não faz sentido.

quarta-feira, outubro 18, 2006

EFÉMERA...

Há rotas que semeamos na procura da verdade... são os passos de luz que deixamos pela vida, como traços digitais da nossa essência, ainda que efémeros...

Ao longo do caminho já encontrámos muitas ideias que nos seduziram e habitaram em nós, com a força suficiente para condicionar o nosso sistema de crenças.

No entanto, passado algum tempo, muitas das verdades acabavam por ser abandonadas porque não suportavam as nossas interrogações internas, ou porque uma 'nova verdade', incompatível com aquelas, competia dentro de nós por um mesmo espaço.

Ou simplesmente porque essas verdades deixavam de o ser.

Aqueles conceitos que tinhamos tido como referentes deixavam de o ser e encontrávamo-nos, rapidamente, à deriva. Donos do leme do nosso barco e conscientes das nossas possibilidades, mas incapazes de traçar um rumo fiável.

Lembro-me de uma passagem de O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry:

«Nas suas viagens pelos pequenos planetas da sua galáxia encontrou-se com um geógrafo, que anotava, num grande livro de registo, montanhas, rios e estrelas.

O principezinho quis registar a sua flor (aquela que tinha deixado no seu planeta), mas o geógrafo disse-lhe:

- Não registamos flores, porque não podem tomar-se como referência as coisas efémeras.

E o geógrafo explicou ao principezinho que efémero quer dizer ameaçado de rápido desaparecimento.

Quando o principezinho ouviu isto, ficou muito triste. Tinha-se dado conta de que a sua rosa era efémera...»

E então, por um lado, pergunto a mim própria: será que existem verdades sólidas como rochas e imperturbáveis como acidentes geográficos? Ou será a verdade apenas um conceito que traz em si mesmo a essência da transitoriedade e fragilidade das flores?

E, por outro lado... será que por acaso as montanhas, os rios e as estrelas não estão também ameaçados de rápido desaparecimento?

Quanto é 'rápido' comparado com 'sempre'?

Não serão as montanhas, segundo este ponto de vista, também efémeras...?

...

Há rotas que semeamos na procura da verdade... são os passos de luz que deixamos pela vida, como traços digitais da nossa essência, ainda que efémeros... como tudo.

Ni*



sexta-feira, outubro 13, 2006

BREVIDADE ... Breve idade


(...)

Nasci hoje de madrugada
vivi a minha infância esta manhã
e cerca do meio dia
já passava a minha adolescência.
E não é que me assuste
que o tempo passe por mim tão depressa.
Só me inquieta um pouco pensar
que talvez amanhã
eu seja
demasiado velha
para fazer o que deixei pendente.




quinta-feira, outubro 05, 2006

CUANDO TUS OJOS DEJEN DE BRILLAR




«(...) Se moría mi alma... ni siquiera la llenaban los recuerdos ni los momentos secretos...

...La luna llena se asoma tímidamente... hay nubes que quieren robárnosla y yo casi siento miedo... Tu y la luna sois mi alimento... y no os tengo...

... sentirme tuyo a la luz de cualquier Palencia... dejar que me despidieras como en Casablanca... saber que siempre nos queda París... que siempre habrá un país para que vivan nuestros sueños...

Quizás sea por eso que deseo cambiar el tiempo de estos recuerdos... dejar días transcurridos y ocasiones perdidas por ese presente que aguarda cada vez que te pienso... sentir que el futuro no queda lejos... que lo estoy alcanzando y casi te tengo...

No escribiré más graffitis en los baños de caballeros... sabré encontrarte allí donde estés... para susurrarte con caricias:

Cuando tus ojos dejen de brillar... mi reina... A la luz de mi vela... Mis entrañas estallarán... Busca entonces en los cubos de basura y encontraras un corazón rojo, rojo, rojo... que te anhela
... »

*
.:::.
.
Alguém dixit... e eu gostei.

domingo, setembro 03, 2006

MODUS VIVENDI


Rir...

Saber ver o lado bom da vida. Encontrar a parte positiva de tudo/todos. Dançar a dança do ventre existencial. Usar o sentido de humor como especiaria que condimenta todos os contratempos vitais.
...

Sem risos, o Universo inteiro ficaria silencioso à espera do bater da primeira pulsação...

...

(...)

E o sorriso com que me enlaças,
dentro do meu corpo pousa como uma ave...
Sorve do meu passado o momento presente adivinhado...
E abre portas, gavetas, rios, fontes e afectos.
Alimenta-me com doces pérolas de uva branca,
E estradas desenhadas nas asas dos pássaros que virão.
...
Só tu me preenches de sorrisos assim...
Só tu, espelho de mim.
(...)
Sorriso e o meu abraço de vento...
Ni*

sexta-feira, julho 14, 2006

AMOR SEM DONO


Amor Sem Dono
Nina Castro

Sou...

Essência inteira, una, verdadeira...
Nem metade, nem o dobro.
Do fruto e da vida sou o todo!
Vontade de ir além do além e mais além.
Abraçar o tempo-espaço que ainda não é de ninguém.
Sem sal no olhar pelo que já foi.
Sem páginas de vidas coladas...
depois de rasgadas...
O vento curou a ferida do que já não dói.

E refazer as rotas de marés agitadas.
Firme no leme deste meu coração-razão veleiro.
Ressuscitar centelhas divinas naufragadas.
Louvar as palavras-mantras resgatadas.
E beber o segredo do Amor último
com sabor sempre a primeiro.

Sou...

Amor no feminino.
Ora dócil ora felino.
Encaro firmemente o caminho.
E com mãos-cálice de ternura desenho o destino.
Não me vendo.
Não me rendo.
Apenas me dou...
... num momento...
num fragmento...
faço-me eterna, maga-mulher...
Que sabe e escolhe o que e quem quer.

Sem dono, sem senhor, sem dor.
Sou MULHER-AMOR!

Lisboa, 5/7/2006






~***~

Carinho e o meu abraço de vento

Nina

segunda-feira, julho 10, 2006

FRAGILIDADES


Talvez a vida magoasse menos, nalguns momentUS, se não precisássemos de dizer adeus.

Ou melhor, de o balbuciar, como quem o conjuga de perfil e, da primeira à última sílabas, o compreende na semântica, na gramática, ou num sentido oculto que se resguarda (perdido) nas entrelinhas.


Ni*

sábado, junho 24, 2006

PARA TI, QUE 'ME SABES'... OU QUE 'ME SENTES...assim me vou.'




Vontade de voltar 'para casa...'
As páginas le luz 'aqui' acabaram...
Ni*


AMOR E INOCÊNCIA




As histórias de amor nascem da inocência.

Acredito. Acredito sim. Acredito que é assim.

E vive-se sem horas, lânguido e longamente...

O amor ainda é a encruzilhada de sentimentos que nos separa da morte e da vida. E há, realmente, pessoas que nos viram do avesso, nos tiram as nuvens do olhar, e banham de sol o nosso coração.

A redenção com que o amor se dá é mais do que uma forma de ver o mundo pelos olhos do outro. É uma forma de ver para além dos nossos olhos e dos dele.

O amor não é bem um encontro de verdades. É melhor! É confiarmo-nos a alguém e entregar, pela mão dos olhos dele, o nosso olhar ao desconhecido, guiados pela esperança de vir até nós «um infinito de nós dois».


Abraço de vento...
Ni*

segunda-feira, junho 19, 2006

PALAVRAS AO OUVIDO




Há pessoas que são, para nós, como os poetas: põem palavras onde, antes, só havia sentimentos. Palavras que interpelam o que sentimos e lhes respondem. Com gestos. De surpresa.
São gestos que, parecendo um tudo-nada, tocam cá dentro e fazem do 'perto' 'muito perto'... e sentimos uma liberdade que se perde de vista.

A esses gestos - que nos revolvem - podemos chamar, simplesmente, comunhão. Ou, timidamente, amor.

Como se fossem um regresso a um paraíso que parecia perdido e, ao mesmo tempo, um lugar que se sente e se saboreia quando se visita pela primeira vez...

Como se fosse possível, para sempre, trazer para dentro de nós quem nos queira dentro de si. E nos presenteie com um perto muito perto, que nos devolva à comunhão e restaure com beleza a fé na vida, onde, antes, se formara um ermo nos nossos sentimentos...

Abraço de vento...
Ni*

domingo, junho 18, 2006

ENTRE O SONHO E A ALMA

Há uma linha ténue, percorrida por veleiros delineados na Luz, onde a alma deixa recados tecidos nas asas das gaivotas.
... E o teu nome está em todos eles...
...
Mas eu quero mais!
Muito mais!
...
Abraço de vento...
Ni*



sexta-feira, maio 05, 2006

MONÓLOGO






«...


Já fizeste um dominó? Já pensaste que a existência humana é, tantas vezes, assim? Passamos dias, semanas, meses, anos, a construir os nossos sonhos e, num breve instante, alguém tropeça neles e tudo se desfaz e desmorona, numa sucessão de azares impossível de travar.

Quando o meu dominó começa a cair, junto-lhe mais peças na cauda e aproveito para limpar fantasmas na enxurrada. Ao menos sofro tudo de uma vez, condenso a frustração num par de dias e fico a enxaguar a tristeza até ela secar ao sol.

Depois, com muita calma, começo a montá-lo outra vez e, aos poucos, vejo-o crescer sozinho, como se o embate que faz cair as peças tivesse o poder de as levantar.

...

Sou e serei a mulher mais persistente que se cruzou no teu caminho.

...

Sísifo, filho de Éolo e rei de Corinto, é a encarnação da fadiga eterna; durante dias, meses, anos, séculos, tentou colocar no alto de uma montanha uma enorme pedra. No entanto, cada vez que se aproximava do cume, a pedra caía, resvalando pela encosta abaixo, obrigando-o a começar de novo a ingrata e árdua tarefa.

Serei eu tão insensata a ponto de fazer o mesmo com os meus sonhos?

... »




Ni*... numa noite em que me escondi do sono.

segunda-feira, maio 01, 2006

PRETÉRITO MAIS QUE IMPERFEITO




«(...)


Era, realmente, mais fácil se, no lugar de um adeus, fossemos rebeldes, simplesmente, irascíveis, ou, então, vaidosos e impertinentes, diante de tudo o que nos salta do coração até ao corpo. E, mais ainda, se as palavras se esgueirassem pelos olhos e falassem à margem de tudo o que sentimos. E, sempre que um adeus hesitasse na garganta, elas nos traíssem numa nesga de sílaba ou num gesto estonteante.


Mas, como acontece tantas vezes, há palavras que são da nossa família sem que tenhamos, alguma vez, percebido o que querem dizer. É assim o 'adeus'. E, por mais que se faça da família, todo o adeus amachuca o coração. E transforma, vezes demais, cada memória num pretérito... mais que imperfeito.»

...
..::..

in 'Dizer adeus sem dar por isso'

Ni*