
domingo, fevereiro 18, 2007
RESPOSTA A UM DESAFIO TEXTUAL

quarta-feira, fevereiro 14, 2007
AMOR... PEDAÇO DE CÉU DE SEDA...
segunda-feira, fevereiro 05, 2007
DEIXA UM ESPAÇO LIVRE...

'Não queiras saber tudo. Deixa um epaço livre para te saberes a ti.'
Vergilio Ferreira
.
:.´*`.:
Esvaziei-me de quase todas as tristezas,
mas deixei, intacta, uma esperança.
Soltei mágoas, presas em palavras
a que troquei as sílabas,
adoçando-as.
Coloquei ilhas de reticências
entre a vida e a dor.
Arrumei o mar no fundo dos olhos
e as asas à superfície da vontade.
E deixei espaço, muito espaço,
para reinventar os momentos
e me recriar.
Ni*
segunda-feira, janeiro 29, 2007
A LUZ DOS DIAS FELIZES - (300º 'post') -

'O que mais deixei para trás, em cada viagem que fiz, foram os amigos que não voltei a ver. (...)
Disse-me uma vez, numa dessas constrangentes despedidas, um amigo sarahui: - Os que não morrem, encontram-se.
Mas aprendi que não era verdade, infelizmente. Quando muito, poderia talvez acreditar que os que se encontraram nunca mais morrem na nossa memória.
Mesmo que apareçam tão-somente assim, esporadicamente, do fundo de uma gaveta, onde vive arquivada, a luz dos dias felizes.'
*
Miguel Sousa Tavares, in Sul Viagens
domingo, janeiro 28, 2007
«MATAR A SEDE COM ÁGUA SALGADA...»

'Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas às urgentes
Perguntas que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer enquanto
O nosso amor durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada...'
Miguel Torga
tempUS

MEnina FELINA... em pensamentos soltos... sem tempo.
Ni*
Às vezes pouso a cabeça em certas memórias...
E suspiro...
Deito o olhar para uma nuvem que quer passar...
e não o retiro!
O ideal seria não se dar pela passagem do tempo.
Seria viver dentro dele, como sua partícula natural,
e não temporariamente...
Não me sentir assim...
Como uma estrangeira em visita ao país da eternidade,
cuja Língua ignoro.
Será que sabe a sal ou será doce o que não sei?
Se é espelho de mim, estará à margem da esperada lei...
...
No meu pulso fino, um relógio impõe-me esse tempo.
Quando o homem inventou o relógio estava, no fundo,
a tentar minimizar os estragos
por se ter esquecido de trazer o tempo no coração...
Apenas um fugaz brilho no olhar, desses tempos de Verão.
Como seria perfeito se tratasse a eternidade por 'tu',
ao ponto de me fundir com ela.
Mais felino do que eu, esse tempo, que me foge!
E, no entanto, ele nunca deixa de estar 'lá'.
E eu... 'cá'!
E sorrio, sempre que me cruzo com o horizonte...
Atemporal ponte...
Porque ele me mostra que para a eternidade é indiferente
que esteja no presente, no passado ou no futuro.
Porque acima de tudo 'SOU'.
Não lhe interessa se fico ou se vou!
...
Tempo, verdade, realidade, mundos, segredos...
E sorrio... sorrio...
É que às vezes...
os gatos deixam-se longamente afagar,
como se os deuses fizessem uma cedência ao mundo existente do lado de cá da realidade...
Onde o odor no ar é de algo com a cor da saudade...
...
Aflora-me à memória a canção 'quero o meu primeiro beijo...'
Outro, mais um, desejo...
Um desejo que se perdeu no tempo pode voltar mais tarde.
Ele é mais forte e mais teimoso do que quem o perdeu...
Sorrio de novo...
Algo mais felino e mais persistente do que eu!
'muito mais é o que nos une, que aquilo que nos separa'
E, de repente, a lucidez de que as ideias não dependem de mim.
Eu é que dependo delas!
E agora... tenho de aceitar este novo mistério na minha vida.
Ainda que não vislumbre o começo, quanto mais a saída!
(...)
...Pois é...
uma boa companhia faz pensar, por algum tempo, que não se nasceu só...
Que é ficção a nossa origem no pó.
Que seja, mas será pó de querer... podes crer!
Porque vou decifrar o enigma, e contigo sair do labirinto...
'Haverá gente informada se é amor isto que eu sinto...'
Nina
Lisboa, ao longo do tempo...
(Para ler a ouvir Rui Veloso, 'Primeiro Beijo'... tal como foi escrito)
terça-feira, janeiro 23, 2007
ESSE TERRITÓRIO DE ESPANTO...

Quanto mais próximo se fica do amor, mais necessário se torna conhecer quem nos mostrou esse território de espanto.
O deslumbramento, a luz intensa e fulminante gerada pela atracção de almas e de corpos (fases por esta ordem), embotam ou retardam a chegada do lado negro de cada um a essa nova dimensão recém criada.
A contribuição "generosa" de vícios e de marcas, de insuficiências e de excessos é condição necessária (mas obviamente não suficiente - uma relação amorosa não é uma terapia, embora possa e deva ser regeneradora) ao evoluir da paixão para uma relação amorosa de sentido pleno e total, de encontro e de partilha.
A entrega não é apenas do brilho, mas das pequenas/grandes trevas que nos habitam.
Alcançar o elo seguinte da espiral pode então ser duro, difícil de enfrentar, mas é útil e tão imprescindível como qualquer dor de crescimento - o esqueleto só atingirá a sua fase adulta por meio de saltos, e, numa relação a dois, essas mudanças não representam apenas alterações quantitativas, mas também qualitativas: (re)qualificam a relação, dão a maior contribuição possível para a pertença - mostram cada um com o seu wild side, o tal 'lado lunar' eufemístico, e expõem-no ao olhar do outro.
Se esse olhar mantiver a luz, era mesmo amor.
quinta-feira, janeiro 18, 2007
O CAMINHO DA CERTEZA

Tinha aprendido que o caminho da certeza se fazia sem complacência nem quebra de vontade. Só lhe faltava a noção exacta da medida do amor, para lá das roupagens espúrias, das distâncias impostas, da intransponível barreira da reserva cultivada a frio, e por tudo isso ainda tinha pronto o cavalo do medo para fugir sem demora, a entrega total negada como condição de sobrevivência. Ensaiou a fuga uma última vez, a propósito de (quase) nada, mas o caminho desfez-se ante os seus olhos espantados, toldados pelas vagas que lavavam tanto passado inútil. Olhando na noite impossível para um ponto distante algures a norte, ainda viu derreter-se o muro que a isolava de si, dissipado em nuvem e logo tornado verde esmeralda, vértice da lua cheia na maré de todas as madrugadas.
RENÚNCIAS

Esta imagem , desde que há uns anos me chegou por email, nunca me deixa indiferente, sempre que a revisito.
...
Já escrevi textos poéticos (?) como resultado desse impacto... como se uma memória se activasse.
Asas que se desejam, que se transportam, que se aspiram ou se protegem.
E sempre... a liberdade de escolher: de se libertar delas, ou de as quebrar, ou de delas prescindir, ou a elas renunciar.
Ser mulher, apenas. Quando o 'apenas' nunca o é.
Do pedestal, da fuga, das nuvens de fogo no horizonte próximo, das asas quebradas, exala o odor dos mitos, das trocas, das renúncias de um bem por outro...
...que se acreditou maior?!
...
terça-feira, janeiro 16, 2007
CONSELHO
segunda-feira, janeiro 15, 2007
AB IMO CORDE
« - Vó, o teu cabelo ficou branquinho, mas os teus olhos continuam azuis, azuis, azuis!
- Os olhos mudam de cor de acordo com o que sentimos, Ni.
- Os teus estão sempre azuis, vó. Sentes sempre o céu, não é?
(Silêncio e sorriso, ao partilhar uma tarde em pleno campo, perto de Lamego)
- Vó, solta o cabelo.
- Aqui, na rua?
- Claro, vó! Dentro de casa não há vento. E eu gostava de ver andorinhas de asas brancas a sairem do teu cabelo.
- Ni... promete-me que nunca te esqueces da magia da vida.
- Da magia? (de olhos muito abertos e voz sussurrada, como se um segredo me estivesse a ser revelado)
- Se algum dia te sentires só, sem saberes que caminho escolher, sem entenderes as pessoas e as palavras, os gestos... SOLTA. Deixa ir a mágoa. Como os cabelos... para que surjam andorinhas de asas brancas na tua vida...»
...
Talvez seja por isso que hoje caminho pela vida de cabelo solto, embora nem sempre os pássaros da alegria me escolham para fazer os seus ninhos.
...
...
........................^^
sexta-feira, janeiro 12, 2007
SEGREDOS

quinta-feira, janeiro 11, 2007
IDEALIZAR
quarta-feira, janeiro 10, 2007
NÃO SE ESCOLHE...

(...)
Ela tinha uns olhos brilhantes, profundos como a noite. O cabelo, da cor do das ninfas das águas calmas, embaladas por amores nunca resgatados.
Os pensamentos povoados de sonhos.
O desejo, incandescente de voar, de rasgar horizontes cada vez mais altos, cada vez mais fundos.
Ela, como Ícaro, era dotada de asas... mas na alma.
E, como Ícaro, experimentou a dor de chegar demasiado perto do sol.
Viveria tudo outra vez!
Ela ousava... seguia o instinto de ousar usar as leis do Universo e da vida.
Descobriu-se outra, nos braços de um grande e inconfessável amor... depois 'dele'...
E nada voltou a ser como era.
Àqueles que a amaram, escapou-se-lhes por entre os dedos como poeira dourada, numa rebeldia quase indefinível, que doía e encantava.
A si própria, concedeu-se o privilégio de ousar viver intensamente, de dar voz, corpo e vida aos seus desejos mais secretos.
E soube não oferecer resistência ao invasor impiedoso, doce e mais que tudo, desejado, recebendo-o em todo o seu ser com a infinita coragem e sabedoria dos que se sabem deixar amar.
É que não se decide quando, nem se escolhe quem se ama!
Ama-se.
(...)
segunda-feira, janeiro 08, 2007
...
sábado, janeiro 06, 2007
terça-feira, janeiro 02, 2007
NUNCA DEIXAREI O PERFUME DO SAL

Há silêncios que deslizam
das velas das luas marinheiras.
E oferecem, aos meus olhos de (a)mar,
a rota dos faróis
com ninhos de voos para Sul.
E mapas de ilhas
com carícias de ventos quentes
e abraços de água doce...
...
Agradeço.
Mas nunca deixarei o perfume do sal.
Escorreu-me dos olhos para as veias.
...
Nina
1/1/2007
quinta-feira, dezembro 28, 2006
NEM AS LUAS TE SEGUEM... (Para ti, L.M.)
navio sem mastro,
no mar cujo sal
não soubeste amar.
Nem as aves,
nem as manhãs,
nem as luas te seguem.
Apenas as sombras.
Perdeste-te das margens
da verdade e da ternura.
...
Os corais apagam os brilhos
em luto pela tua deriva.
E agora?
Quem te dirá da praia branca
que sonhei para ti?
Nina
sexta-feira, dezembro 22, 2006
A ÁGUA QUE FALA CALOU-SE
quinta-feira, dezembro 21, 2006
domingo, dezembro 17, 2006
METADE

Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.
Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que triste.
Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.
Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço.
Que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei...
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba.
E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é a platéia e a outra metade, a canção.
E que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor e a outra metade... também.
quinta-feira, dezembro 14, 2006
PRECE(S)
(...)
May the wind be always at your back,
May the sun shine warm upon your face,
The rains fall soft upon your fields;
And until we meet again,
may God hold you in the hollow of His hand.
(Tradução livre:)
Que o vento sopre levemente e a teu favor,
Que o sol brilhe quente no teu rosto,
Que a chuva caia suavemente nos teus campos,
E, até que nos encontremos de novo,
Que DEUS te guarde na palma das Suas mãos.
domingo, dezembro 10, 2006
LISBOA, em Dezembro... e um poema...

Tríptico
II
Herberto Helder
Não sei como dizer-te que minha voz te procura
e a atenção começa a florir, quando sucede a noite
esplêndida e vasta.
Não sei o que dizer, quando longamente teus pulsos
se enchem de um brilho precioso
e estremeces como um pensamento chegado. Quando,
iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado
pelo pressentir de um tempo distante,
e na terra crescida os homens entoam a vindima
- eu não sei como dizer-te que cem ideias,
dentro de mim, te procuram.
Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
e o coração é uma semente inventada
em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia,
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a casa ardesse pousada na noite.
- E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
- não sei como dizer-te que a pureza,
dentro de mim, te procura.
Durante a primavera inteira aprendo
os trevos, a água sobrenatural, o leve e abstracto
correr do espaço -
e penso que vou dizer algo cheio de razão,
mas quando a sombra cai da curva sôfrega
dos meus lábios, sinto que me faltam
um girassol, uma pedra, uma ave - qualquer coisa extraordinária.
Porque não sei como dizer-te sem milagres
que dentro de mim é o sol, o fruto,
a criança, a água, o deus, o leite, a mãe, o amor,
que te procuram.
...
Lisboa... única.
Herberto Helder... sublime.
...
Fazem-me bem.
Ni*
terça-feira, novembro 28, 2006
CONFISSÃO
Please, come and find me, my love
I'm ready now, to come home
Please, come and find me, my love
Let's leave this place, let's leave no trace
Can you hear me, my love, I'm shouting in the
wind,
Can you hear me
Can you see me, my love, I'm drawing in the sand,
Can you see me
I hope that I'm still with you, as you are with me
You always will be
Please, come and find me, my love
I'm ready now, to come home
Please, come and find me, my love
Let's leave this place, let's leave no trace
Can you feel me, my love, I'm hurting so bad
Can you feel it
Can tell you about my thoughts, I wish that
You were here
Do you know it
The time that I've had, don't need anymore
You're the one I wait for
Please, come and find me, my love
I'm ready now, to come home
Please, come and find me, my love
Let's leave this place, let's leave no trace
Please, come and find me, my love
I'm ready now, to come home
Please, come and find me, my love
Let's leave this place, let's leave no trace
sexta-feira, novembro 24, 2006
tempUS

sábado, novembro 11, 2006
AINDA TÊM SONHOS, OS MEUS OLHOS...

O que sei, já alguém o sabia antes de mim.
Insensatez, acreditar que não é assim.
Exclusivamente meu é apenas este coração!
Que insiste, e recusa ser escravo das sombras,
porque transporta memórias do pó da estrela de onde veio.
Afecto feito emoção.
E que me grita, no silêncio inquebrável do seu eco,
que a vida tem dois sentidos invertidos, mas nunca proibidos.
E eu estou no meio deles.
Como quem é apanhada, de surpresa, por correntes contrárias.
Fogos cruzados de deusas adversárias.
E os meus olhos,
estes barcos sem cais,
que atravessam a chuva, temporais,
com mastros quebrados na passagem de tantos cabos...
Não naufragam...
Riscam no horizonte o limite da luz,
onde se escondem todas as asas de pássaros feridos,
mas não vencidos!
Disfarçados de luas brancas...
soltando brilho em vez de gemidos.
Ainda têm sonhos, os meus olhos...
Nina
Lisboa, numa madrugada... num momento...
sexta-feira, novembro 10, 2006
quinta-feira, novembro 02, 2006
DEUSES

(En Attendant)
**Nin@**
No olhar, a ave que se recusa a migrar...
Memória de um outrora, onde o azul era quente.
E o sol presente,
mesmo após o poente.
E no rio branco que me percorre
E que desagua nas palavras por dizer...
O silêncio, o insuportável e interminável silêncio!
Que cala as músicas dançadas,
Saudades do horizonte...
Da linha que separa a Esperança da Fé...
O Querer do Crer...
Nas mãos, vazias, ainda perdura o espaço das tuas,
dos bosques desvendados, dos ventos partilhados...
Que nos faziam sentir alados.
E numa fracção de segundo
Fui e regressei ao nosso mundo.
Não passado.
Não inventado.
Não recriado.
País entre o aqui e o tempo por acontecer...
Talvez outro viver.
Talvez se chame coração.
Talvez distante de ti...
Talvez 'ESPERA'...
Da abertura do portal...
E de voltar a ser 'una' noutra esfera.
(...)
Nin@
quarta-feira, outubro 18, 2006
EFÉMERA...
Há rotas que semeamos na procura da verdade... são os passos de luz que deixamos pela vida, como traços digitais da nossa essência, ainda que efémeros... Ao longo do caminho já encontrámos muitas ideias que nos seduziram e habitaram em nós, com a força suficiente para condicionar o nosso sistema de crenças.
No entanto, passado algum tempo, muitas das verdades acabavam por ser abandonadas porque não suportavam as nossas interrogações internas, ou porque uma 'nova verdade', incompatível com aquelas, competia dentro de nós por um mesmo espaço.
Ou simplesmente porque essas verdades deixavam de o ser.
Aqueles conceitos que tinhamos tido como referentes deixavam de o ser e encontrávamo-nos, rapidamente, à deriva. Donos do leme do nosso barco e conscientes das nossas possibilidades, mas incapazes de traçar um rumo fiável.
Lembro-me de uma passagem de O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry:
«Nas suas viagens pelos pequenos planetas da sua galáxia encontrou-se com um geógrafo, que anotava, num grande livro de registo, montanhas, rios e estrelas.
O principezinho quis registar a sua flor (aquela que tinha deixado no seu planeta), mas o geógrafo disse-lhe:
- Não registamos flores, porque não podem tomar-se como referência as coisas efémeras.
E o geógrafo explicou ao principezinho que efémero quer dizer ameaçado de rápido desaparecimento.
Quando o principezinho ouviu isto, ficou muito triste. Tinha-se dado conta de que a sua rosa era efémera...»
E então, por um lado, pergunto a mim própria: será que existem verdades sólidas como rochas e imperturbáveis como acidentes geográficos? Ou será a verdade apenas um conceito que traz em si mesmo a essência da transitoriedade e fragilidade das flores?
E, por outro lado... será que por acaso as montanhas, os rios e as estrelas não estão também ameaçados de rápido desaparecimento?
Quanto é 'rápido' comparado com 'sempre'?
Não serão as montanhas, segundo este ponto de vista, também efémeras...?
...Há rotas que semeamos na procura da verdade... são os passos de luz que deixamos pela vida, como traços digitais da nossa essência, ainda que efémeros... como tudo.
Ni*
sexta-feira, outubro 13, 2006
quinta-feira, outubro 05, 2006
CUANDO TUS OJOS DEJEN DE BRILLAR

«(...) Se moría mi alma... ni siquiera la llenaban los recuerdos ni los momentos secretos...
...La luna llena se asoma tímidamente... hay nubes que quieren robárnosla y yo casi siento miedo... Tu y la luna sois mi alimento... y no os tengo...
... sentirme tuyo a la luz de cualquier Palencia... dejar que me despidieras como en Casablanca... saber que siempre nos queda París... que siempre habrá un país para que vivan nuestros sueños...
Quizás sea por eso que deseo cambiar el tiempo de estos recuerdos... dejar días transcurridos y ocasiones perdidas por ese presente que aguarda cada vez que te pienso... sentir que el futuro no queda lejos... que lo estoy alcanzando y casi te tengo...
No escribiré más graffitis en los baños de caballeros... sabré encontrarte allí donde estés... para susurrarte con caricias:
Cuando tus ojos dejen de brillar... mi reina... A la luz de mi vela... Mis entrañas estallarán... Busca entonces en los cubos de basura y encontraras un corazón rojo, rojo, rojo... que te anhela... »
domingo, setembro 03, 2006
MODUS VIVENDI

Rir...
Saber ver o lado bom da vida. Encontrar a parte positiva de tudo/todos. Dançar a dança do ventre existencial. Usar o sentido de humor como especiaria que condimenta todos os contratempos vitais.
...
Sem risos, o Universo inteiro ficaria silencioso à espera do bater da primeira pulsação...
...
(...)
E o sorriso com que me enlaças,
sexta-feira, julho 14, 2006
AMOR SEM DONO

Nina Castro
Sou...
Essência inteira, una, verdadeira...
Nem metade, nem o dobro.
Do fruto e da vida sou o todo!
Vontade de ir além do além e mais além.
Abraçar o tempo-espaço que ainda não é de ninguém.
Sem sal no olhar pelo que já foi.
Sem páginas de vidas coladas...
depois de rasgadas...
O vento curou a ferida do que já não dói.
E refazer as rotas de marés agitadas.
Firme no leme deste meu coração-razão veleiro.
Ressuscitar centelhas divinas naufragadas.
Louvar as palavras-mantras resgatadas.
E beber o segredo do Amor último
com sabor sempre a primeiro.
Sou...
Amor no feminino.
Ora dócil ora felino.
Encaro firmemente o caminho.
E com mãos-cálice de ternura desenho o destino.
Não me vendo.
Não me rendo.
Apenas me dou...
... num momento...
num fragmento...
faço-me eterna, maga-mulher...
Que sabe e escolhe o que e quem quer.
Sem dono, sem senhor, sem dor.
Sou MULHER-AMOR!
Lisboa, 5/7/2006
~***~
Carinho e o meu abraço de vento
Nina
segunda-feira, julho 10, 2006
FRAGILIDADES
sábado, junho 24, 2006
AMOR E INOCÊNCIA

As histórias de amor nascem da inocência.
Acredito. Acredito sim. Acredito que é assim.
E vive-se sem horas, lânguido e longamente...
O amor ainda é a encruzilhada de sentimentos que nos separa da morte e da vida. E há, realmente, pessoas que nos viram do avesso, nos tiram as nuvens do olhar, e banham de sol o nosso coração.
A redenção com que o amor se dá é mais do que uma forma de ver o mundo pelos olhos do outro. É uma forma de ver para além dos nossos olhos e dos dele.
O amor não é bem um encontro de verdades. É melhor! É confiarmo-nos a alguém e entregar, pela mão dos olhos dele, o nosso olhar ao desconhecido, guiados pela esperança de vir até nós «um infinito de nós dois».
segunda-feira, junho 19, 2006
PALAVRAS AO OUVIDO

Há pessoas que são, para nós, como os poetas: põem palavras onde, antes, só havia sentimentos. Palavras que interpelam o que sentimos e lhes respondem. Com gestos. De surpresa.
São gestos que, parecendo um tudo-nada, tocam cá dentro e fazem do 'perto' 'muito perto'... e sentimos uma liberdade que se perde de vista.
A esses gestos - que nos revolvem - podemos chamar, simplesmente, comunhão. Ou, timidamente, amor.
Como se fossem um regresso a um paraíso que parecia perdido e, ao mesmo tempo, um lugar que se sente e se saboreia quando se visita pela primeira vez...
Como se fosse possível, para sempre, trazer para dentro de nós quem nos queira dentro de si. E nos presenteie com um perto muito perto, que nos devolva à comunhão e restaure com beleza a fé na vida, onde, antes, se formara um ermo nos nossos sentimentos...
domingo, junho 18, 2006
ENTRE O SONHO E A ALMA
sexta-feira, junho 16, 2006
sexta-feira, maio 05, 2006
MONÓLOGO

«...
Já fizeste um dominó? Já pensaste que a existência humana é, tantas vezes, assim? Passamos dias, semanas, meses, anos, a construir os nossos sonhos e, num breve instante, alguém tropeça neles e tudo se desfaz e desmorona, numa sucessão de azares impossível de travar.
Quando o meu dominó começa a cair, junto-lhe mais peças na cauda e aproveito para limpar fantasmas na enxurrada. Ao menos sofro tudo de uma vez, condenso a frustração num par de dias e fico a enxaguar a tristeza até ela secar ao sol.
Depois, com muita calma, começo a montá-lo outra vez e, aos poucos, vejo-o crescer sozinho, como se o embate que faz cair as peças tivesse o poder de as levantar.
...
Sou e serei a mulher mais persistente que se cruzou no teu caminho.
...
Sísifo, filho de Éolo e rei de Corinto, é a encarnação da fadiga eterna; durante dias, meses, anos, séculos, tentou colocar no alto de uma montanha uma enorme pedra. No entanto, cada vez que se aproximava do cume, a pedra caía, resvalando pela encosta abaixo, obrigando-o a começar de novo a ingrata e árdua tarefa.
Serei eu tão insensata a ponto de fazer o mesmo com os meus sonhos?
... »
segunda-feira, maio 01, 2006
PRETÉRITO MAIS QUE IMPERFEITO

Era, realmente, mais fácil se, no lugar de um adeus, fossemos rebeldes, simplesmente, irascíveis, ou, então, vaidosos e impertinentes, diante de tudo o que nos salta do coração até ao corpo. E, mais ainda, se as palavras se esgueirassem pelos olhos e falassem à margem de tudo o que sentimos. E, sempre que um adeus hesitasse na garganta, elas nos traíssem numa nesga de sílaba ou num gesto estonteante.
Mas, como acontece tantas vezes, há palavras que são da nossa família sem que tenhamos, alguma vez, percebido o que querem dizer. É assim o 'adeus'. E, por mais que se faça da família, todo o adeus amachuca o coração. E transforma, vezes demais, cada memória num pretérito... mais que imperfeito.»
...
in 'Dizer adeus sem dar por isso'
Ni*


















