sábado, dezembro 01, 2007

AMO-TE, DEZEMBRO...







(Fotos tiradas esta noite... recantos de Natal na minha casa)


Dezembro...

Está inaugurado, neste blog, o mais belo mês do ano!

Um abraço para todos...

Ni*




sexta-feira, novembro 30, 2007

«YO TE AMARÉ, AMOR, COMO SI FUERA YO TODOS LOS HOMBRES»




Yo te amaré por todos los hombres que no te han amado,
por todos aquellos que no encontraron tu boca,
por los que no descubrieron en ti a todas las estrellas,
por los que pensaron que eras parte de la bóveda celeste
y no pudieron entender que tú ves el cielo desde arriba.

Yo te amaré por todos los hombres que fueron ciegos,
por los que nunca te vieron y por los que cerraron sus ojos,
por los que ni tan siquiera llegaron a soñarte
y por aquellos que perdieron su libertad en un sueño.

Yo te amaré por todos los hombres solitarios,
por los que jamás supieron que habitabas en esa soledad,
que allí estabas tú,
invisible como la poesía,
como este poema
y como mi vida.

Yo te amaré, amor, como si fuera yo todos los hombres,
como si toda la tierra fuera tuya,
como si creyese en Dios
y sintiendo desde mi alma
que solo existimos tú, yo
y todos los versos que me arrancas.

Rafael Reyes




_______________________º0O0º____________________


Hoje, quando fui espreitar o blog do meu querido amigo MIXTU, emocionei-me... ao deparar com este poema de Rafael Reys...


E se o poema é de uma beleza inquestionável... o 'sentir' que dele emana fez-me... bem. Creio que estava a precisar de ler algo assim, escrito no masculino.

...

E sorrio.


Ni*

quinta-feira, novembro 29, 2007

INTIMIDADE...







LA FOTO




Hazme una de esas fotos que tú haces,
empaña el objetivo, desenfoca
lo justo y mide mal la luz. Ahora
que está cayendo el día no es difícil
salir favorecida. Que los rasgos
se suavicen, que todas las arrugas
del alma y del contorno de los ojos
desaparezcan y que quien mire
piense que puedo merecer la pena.
Y sobre todo, que lo que emocione
de esa foto no sea yo, que salgo
allí, sino tus ojos que lo han hecho


Amalia Bautista






SE PARTIRES, NÃO ME ABRACES...



Se partires, não me abraces – a falésia que se encosta
uma vez ao ombro do mar quer ser barco para sempre
e sonha com viagens na pele salgada das ondas.

Quando me abraças, pulsa nas minhas veias a convulsão
das marés e uma canção desprende-se da espiral dos búzios;
mas o meu sorriso tem o tamanho do medo de te perder,
porque o ar que respiras junto de mim é como um vento
a corrigir a rota do navio. Se partires, não me abraces –

o teu perfume preso à minha roupa é um lento veneno
nos dias sem ninguém – longe de ti, o corpo não faz
senão enumerar as próprias feridas (como a falésia conta
as embarcações perdidas nos gritos do mar); e o rosto
espia os espelhos à espera de que a dor desapareça.

Se me abraçares, não partas.

Maria do Rosário Pedreira


sábado, novembro 24, 2007

DIME...



"(...)
Dime cuál es el puente que separa
tu vida de la mía,
en qué hora negra, en qué ciudad lluviosa,
en qué mundo sin luz está ese puente
y yo lo cruzaré."


Amalia Bautista

______.0O0.______


"Al cabo, son muy pocas las palabras
que de verdad nos duelen, y muy pocas
las que consiguen alegrar el alma.
Y son también muy pocas las personas
que mueven nuestro corazón, y menos
aún las que lo mueven mucho tiempo.
(...)"


Amalia Bautista
_______________________________________________________
ADENDA... (não gosto da palavra!)... SORRISO... (Prefiro esta!)...
Comprei hoje (27/11) o livro «O AMOR É...», de Júlio Machado Vaz. Abri-o agora e... na página 11... sorriso enorme... é este poema de Amalia Bautista que surge!
«Ao fim são muito poucas as palavras
que nos doem...»
...
Sorrio... e o sorriso abraça-me... e sinto-me feliz...
Ni*

sábado, novembro 17, 2007

«HOJE EU NÃO ME RECOMENDO...»

Post reeditado... recuperado de Setembro.



Das minhas mãos, hoje, não escorrem palavras.
Hoje não sei de mim.
...


Apercebo, nas minhas impressões digitais, parte de mim inscrita. Mas as letras estão desfocadas. Ou são os meus olhos que cruzaram nomes, Línguas, tempos e trilhos, não sei.

Entreaberta, há uma porta do passado de onde ecoam, cantadas, memórias.

Diz-me, porta, algum dia deixarás de ser uma passagem?

Encolho-me e não sei voltar-me para a frente, onde tudo continua.


Hoje, não sei...




Ni*




segunda-feira, novembro 12, 2007

quarta-feira, novembro 07, 2007

EMOÇÃO PURA...





«...Je t’aime, je t’aime
Comme un fou comme un soldat
Comme une star de cinéma
Je t’aime, je t’aime
Comme un loup comme un roi
Comme un homme que je ne suis pas
Tu vois, je t’aime comme ça...»

domingo, novembro 04, 2007

... PARA O OUTRO LADO DO ESPELHO.


Esta noite... deixa-me ser o embalo fluido, que te leva de ti para o outro lado do espelho.

Ni*

sexta-feira, novembro 02, 2007

'ONE'... uma canção na noite...

(Para ouvir, colocar previamente em pausa o som de fundo a tocar no blog)

quarta-feira, outubro 31, 2007

REGRESSO A CASA



...

Um dia destes... ofereces-me uma palavra embrulhada em papel de seda, da cor da rosa amarela. E eu ofereço-te a minha pele desembrulhada, para que lhe encontres a cor. Seremos UM nesse momento. Simplesmente. Como se ambos tivessemos regressado a casa.
...

segunda-feira, outubro 29, 2007

UM 'MAIL' DE AMOR...


Reparei agora num 'mail' que o meu filho mais novo me enviou há umas horas atrás...

Ele já dorme. E eu, depois deste 'mail' de AMOR... vou dormir também, com um sorriso que me nasceu na alma...


domingo, outubro 28, 2007

NEM EU...

...
Os nossos olhares ancoraram-se, assim que nos reencontrámos... e nós, ainda prisioneiros do impossível, rimo-nos, impavidamente emocionados...

E tu ainda pudeste ciciar-me, numa curva inesperada do tempo dos olhares: «Sabes, eu nunca consegui esquecer-te...»
...
Nem eu.

Nem às manhãs partilhadas... com um rumor de carícias, um latejar de incenso... um amor feito e refeito... uns bagos de uva branca na boca...

Nem eu...

E os meus olhos dançam nos teus dedos, lembrando cada terno toque... abraçam-te em cada palavra, outrora esvaída no gemido e calada pelo beijo... saudosos da queda nos campos de papoilas dos lençóis, das cascatas de abraços, dos desejos acesos, dos caminhos bordados a palavras e certezas, nos poemas entrelaçados de promessas.

Da certeza do "nunca" ser demasiado cedo nem tarde para tanto amor...
E depois...
Tanto pássaro desfeito, tanta sede semeada, tanta incursão no medo...

«Sabes, eu nunca consegui esquecer-te...»

Nem eu, meu amor....
Ni*, in 'Memórias De Um Amor Futuro'

ABRE OS BRAÇOS E VOA COMIGO...



Meu Amor,

Olhei-me numa fotografia amarelecida e revi uma menina, sorrindo, no meio de bonecas, livros, mantinhas de lã e muito amor. Era feliz e não o sabia. Ou talvez soubesse. Só não sabia que vivia num momento que iria desaparecer.

Naquele meu sorriso habitava o desconhecimento dos monstros ocultos em tantos mares por navegar, das despedidas anunciadas, da imensa fragilidade das existências. Ignorava que a vida adulta é, essencialmente, cadeia na qual as intermitências luminosas convivem com incertezas e angústias várias e que nos apegamos à vida, cravando as unhas na nossa própria pele, rompendo joelhos, pés e mãos na caminhada, porque, conscientes das nossas consecutivas finitudes, perseguimos, ébrios de sonho, um simulacro de eternidade.

Meu amor, não temas, não ficarei enredada nos estilhaços da minha memória. Cada momento transportar-me-à para o momento seguinte, fazendo-me esquecer e renascer um pouco. Inspirarei em longos haustos cada estridência solar.

Mas nunca prometerei não olhar para trás, estátua de sal eu seja, se tal for determinado por quem dita o porvir. As minhas lembranças embaciadas, desarrumadas, insurrectas quanto às cronologias lineares são a minha matriz vivencial e quero partilhá-las contigo, meu amor.

Quero ofertar-te a minha infância.

Abre os braços e voa comigo...

...e tudo o que de mim eu sei
a ti, que tua sou, eu dei.
Ni*




sexta-feira, outubro 26, 2007

(CONVITE) LUNAR...



Vem desenhar o meu nome, com a tua língua,
na minha pele tão deserta de palavras...
...


Vens?

...

Ni*

terça-feira, outubro 23, 2007

ARROZ TÃO DOCE...

(Clique sobre a foto para a ampliar)
*
Há semanas que os elogios ao arroz doce, feitos por colegas e alunos, me deixavam na boca aquela vontade de voltar aos sabores dos Natais da infância. Frios, em Lamego, com a lareira feiticeira que enfeitava os cabelos de tonalidades avermelhadas. E de voltar às conversas com a minha avó Rosinha. Quentes, aconchegantes. Doces. Como o arroz.
*
- Um dia vais ser tu a fazer o arroz doce no Natal, Ni. E vais lembrar-te do segredo.
- Segredo, vó? (olhos abertos de encanto, como são os olhos quando temos 5 anos...)
- Sabes porque é que o arroz é doce, Ni?
- Tu meteste açúcar! (Decepção na voz...)
(Olhos azuis brilhantes, sorriso tão meigo... o teu, vó Rosinha.)
- Sim, algum açúcar... mas só é doce porque coloquei também o ingrediente secreto: AMOR. É com ele que se adoça a vida, o coração, as palavras, tudo o que fazemos.
- Vó... então tudo pode ser doce?
- Tudo, Ni.
- Até quando o coração dói? Até o mar? Até quando volto para Lisboa e os teus olhos mudam de cor, ficam cinzentos, e tu mordes o lábio? Até a sopa de espinafres, vó?
- Tudo, Ni.
- A sopa não...

(Clique sobre a foto para a ampliar)
*

Hoje... provei o arroz doce que tanto elogiavam. Tímido. Triste. Numa embalagem de plástico, triste também. A seguir ao jantar... recuperei um pouco da minha infância: fiz arroz... doce. Como a avó Rosinha fazia... num 'ponto' semelhante ao leite creme. E como a D. Rosa, vizinha dos meus pais, na minha infância, me ensinou... 
Garanto-vos... sabe a AMOR. Aos amigos que conhecem o meu refúgio sagrado (a minha casa)... apareçam! Há no ar um odor a limão e canela... e o meu sorriso habitual para vos abraçar. Porque a vida é feita de momentos assim... e é bonita!
E doce...
Ni*

segunda-feira, outubro 22, 2007

AINDA QUE EU TE NEGUE...


O teu nome pulsa na minha memória com a cadência do ritmo do meu respirar. Estás nele. No meu respirar. Estás em cada sentido meu e enfrentas-me em sentido contrário. E eu não baixo o meu olhar. Ainda que te negue. Ainda que negue que me nego. Fecho os olhos, mas tu continuas em mim. Gostaria de saber como esquecer-me da intemporalidade dos teus beijos. Acredita... há coisas que nunca conseguirei aprender. É que tu estás no meu respirar. Ainda que eu o negue...



Ni*

sábado, outubro 20, 2007

PRECE

Nota: devido a uma desconfiguração todos os posts terão que ser reeditados. É algo que farei lentamente... aproveitando também para seleccionar apenas os que mais me espelham no AGORA, ainda que o agora - tantas vezes- remeta para um momento na memória...
*
Ni
PRECE (Post recuperado de 21 de Abril de 2006)



E na Tua presença, que me preenche os vazios,
na água sagrada, corrente na veia dos rios,
eu elevo uma única prece...

Que eu saiba sempre encontrar o trilho até Ti...
Sete Caminhos cruzados,
sete elementos com o TODO partilhados.
Que não retorne ao que já percorri.
Que os meus passos sejam de VIDA.
Que a minha busca ousada seja permitida.

Dá-me a sabedoria de intuir,
da energia deixar fluir.
Luz- SOL- Fogo e Brilho - LUA - Resplendor,
anfitriões da alegria fértil e jamais da dor.
Duas faces do TODO...
UNO
ao encontro predispostos
e nunca opostos.

Conduz o meu pensamento,
como criança confiante,
até ao coração da verdade com que me dou.
EU SOU.

E nos momentos de solidão...
mostra-me que nem sempre um sim
é melhor do que um não.
Que o círculo sagrado se complete e me fortaleça.
Que a força do Universo,
que eu canto em cada música de palavra feita verso,
me toque com a leveza do vento,
a profundidade do mar,
a estabilidade da Terra,
a firmeza da rocha.
Que assim aconteça.

Que assim seja, que assim se faça!
Assim já É.

(...)

Nina





Video Code provided by VideoCodeZone.Com

quinta-feira, outubro 18, 2007

O MEU CORAÇÃO...




O meu coração quebrou-se

Como um bocado de vidro

Quis viver e enganou-se...

.




Fernando Pessoa

quinta-feira, outubro 11, 2007

quarta-feira, outubro 10, 2007

«MESMO...»


Foto minha - Valladolid (Agosto 2007)

- Clique sobre a foto para a ampliar -




«Gosto mesmo de ti...». E o sorriso adivinhado, o teu, ao brincares com as minhas palavras, como quem me acaricia o cabelo, a nuca, me beija o pescoço, me morde o lábio ou me conta sobre as espirais do tempo que vê nos meus olhos... «Mesmo, mesmo?». Sei que me sabes até nos silêncios e para além desta minha inabilidade em dizer-te o quanto gosto de ti. «Mesmo...». Como a minha voz de menina, que se torna rouca quando te confessa fantasias desejadas no teu corpo e na tua alma. Em intenso espelho. Em silêncios. Em gemidos. Em nomes que nos inventamos. Em pedidos sussurrados. Em confissões doces quando me despes à pressa. Entre nós há momentos em que a música é a maior verdade. E somos nós que a fazemos. Até ao momento em que a música se torna poema, quando me espraio sobre o teu peito e me curo de todas as dores encastradas no meu...


Ni*, in 'Memórias de um Amor Futuro' (excerto)

segunda-feira, outubro 08, 2007

AMANTES DA LUA


Hoje...
Quero sentir nos poros
o abraço de vento dos teus olhos.
Tu, sede da seda do meu ventre.
Eu, acetinadamente nua no horizonte do teu corpo.
Nós, arrepio.

...

A madrugada...
ancorada na eternidade do momento.
Em viagem adiada...
Adiada...
Adiada...
...enquanto uma música inaudível se solta,
em espiral,
quando tocas os meus seios.

...

Hoje...
Quero-te.
Febril.
Uivante.
Em mim.
Como só os amantes da lua sabem...

Ni*




Uma belíssima recriação de Célio Soares:

"Hoje...
Quero sentir nos poros
A madrugada...
Adiada...
Adiada...
Hoje...
o abraço de vento dos teus olhos.
Em viagem adiada...

...

Eu, acetinadamente nua no horizonte do teu corpo.
...enquanto uma música
ancorada na eternidade do momento.

...

Tu, sede da seda do meu ventre.
quando tocas os meus seios
Febril.
Uivante.
Em mim.
inaudível se solta,
em espiral,

...

Quero-te.
Como só os amantes da lua sabem...
Nós, arrepio".


Célio Soares

sábado, outubro 06, 2007

RECADO II



Tenho ternuras escondidas nos dedos.
Tenho anjos que espreitam através dos meus olhos.
Tenho sorrisos que não se apagarão,
nem por ti...


Porque já não me importo,
amor,
que não sejas o meu amor.
Porque já não me importo,
amor,
que o vento não me abrace com o teu nome.

...

Renasci.
Sem ti.


Ni*



terça-feira, outubro 02, 2007

DOIS ANOS...




«Põe quanto és no mínimo que fazes»

Fernando Pessoa
.
.


Tem sido assim...
Hoje, este blog faz dois anos.


Ni*

segunda-feira, outubro 01, 2007

«...E SÓ DE OUVIR O VENTO PASSAR»


«Às vezes ouço passar o vento;
e só de ouvir o vento passar,
vale a pena ter nascido.»

Fernando Pessoa
...
Sorrio.
Deixo o meu abraço de vento...

Ni*

sábado, setembro 29, 2007

«MESMO PERDIDA, VEJO COMO TUDO É PERFUMADO E BELO...»

(Foto: Bruno Abreu)
~*~


"... mesmo perdida, vejo como tudo é perfumado e belo.
Mesmo sem saber se jamais chegarei, apetece-me rir e cantar em honra da beleza das coisas.
Mesmo neste caminho que eu não sei onde leva, as árvores são verdes e frescas como se as alimentasse uma certeza profunda.
Mesmo aqui onde a luz poisa leve nos nossos rostos como se nos reconhecesse,
estou cheia de medo e estou alegre..."

Sophia de Mello
Breyner Andresen


~*~

Ninguém o diria melhor...
Hoje, num dia em que choveu e eu também.
Hoje, numa noite em que a lua está decrescente e tu, na minha vida, também.


Ni*

momentUS de REVER...





"YOU'RE THE CLOSEST TO HEAVEN THAT I'LL EVER BE ..."
(Antes de visionar, pare a música de fundo do blog... )

«And I don't want the world to see me
Cause I don't think that they'd understand
When everything's made to be broken
I just want you to know who I am»
...
(Pena não teres sabido...)
...
Há algo azul na tua essência...
Voo sagrado, sem partida, sem ausência...
Talvez transportes contigo a claridade do céu de Abril!
Talvez espalhes no meu corpo estrelas por nascer, cor de anil...
Talvez surjam do teu sorriso os pássaros que me libertam a alegria...
Talvez tu, só tu, me reconheças atrás da sombra... e faças a alquimia...
A noite é dia!
Há algo azul na tua essência...
Cálice irmão do Graal, negação do mal, que guarda a nossa inocência...
Talvez esteja nos teus olhos de água cristalina a luz musical, imaterial, dádiva divina!
Talvez sejas a certeza de um caminho, a única rua sem esquina...
Talvez habite em ti o meu anjo! No teu abraço, na tua ternura, no teu enlaço...
Talvez tu, só tu, ouças o meu canto, outrora calado, outrora pranto...
E do meu querer-te, tão singelo, tão menina ainda... talvez só tu saibas o quanto...
Há algo azul na tua essência...
Aroma de sol, sabor de rouxinol, som de nuvem.... vício sem dependência...
Talvez toques o meu nome, o meu eterno sinal...
Talvez conheças a senha do meu portal atemporal...
Talvez sejas da minha terra o sal...
Mas há algo azul na tua essência... talvez a cor da minha existência!

Nina
... num tempo diluído no tempo

quinta-feira, setembro 27, 2007

«À VELOCIDADE DA MINHA SOLIDÃO»


(Foto: Luís Lobo Henriques)

«(...) amanheço dolorosamente, escrevo aquilo que posso
estou imóvel, a luz atravessa-me como um sismo
hoje, vou correr à velocidade da minha solidão.»

Al Berto



Tenho o olhar escondido nas mãos
que cheiram a ilhas desertas de ti.
...
As aves traçam rumos de ida
e a tua voz vai com elas.
E tu segues a tua voz.
...
Tenho medo que não regresses do invisível.
Tenho medo de (te) pensar
«à velocidade da minha solidão.»
...
Ni*


(... já que falaste em 'Medo', Cleo... Tenho medo do medo.)

OUTONICES











terça-feira, setembro 25, 2007

E ELA SORRIU...



Olhou-se olhos nos olhos. Se os espelhos não mentem... os seus olhos gritavam-lhe para voltar a sorrir, de tão cansados que estão das rotas de sal. Ousou. Olhou-se de novo nos olhos, que a empurraram para fora do caminho habitual da fuga, e a resgataram, obrigando-a a ver-se. E ela viu a ausência de uns dedos que afagaram os seus cabelos. Estava lá a forma. A forma do afago dele, feita memória. No seu cabelo longo e escuro como a noite dos amantes, que se espraiam pelas horas, adiando a madrugada. Foi então que, suave e lentamente, mergulhou os seus dedos compridos e finos no cabelo molhado, que gotejava sobre a sua nudez. E sentiu a sua força, como asas que de repente descobrem que voar não se desaprende. Os olhos, pediam-lhe agora 'Sê Feliz!'. E ela sorriu para si mesma, como não o fazia há muito, muito tempo.


Ni*

quinta-feira, setembro 20, 2007

Pessoa(S)... um blog partilhado com os meus alunos

Um blog partilhado por muitas pessoas, que nasceu tendo por núcleo o estudo que vamos fazer juntos da obra de Fernando Pessoa.
A eles, aos meus alunos, o meu 'obrigada' por tudo o que me dão, por tanto que me ensinam...
'Trouxe' de lá este post:



Liberdade

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!

Ler é maçada,
Estudar é nada.
O Sol doira
Sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.

E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quando há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...



Fernando Pessoa

A força das palavras usadas com mestria por Fernando Pessoa!
Sempre associei este poema à LIBERDADE, ao HOJE, ao agora, ao VIVER...
Mas... será que o Dever inviabiliza o Prazer?
Passo-VOS a palavra...

CC



sábado, setembro 15, 2007

MADRUGADA


...

E, de repente, todas as aves suspendem o voo. São leves, os teus dedos, quando se espraiam na seda e na espuma do meu ventre. Os meus olhos, calados, aceitam a fluidez de palavras retidas nos teus. Como se reconhecessem, de um momento etéreo, onde o tempo não é tripartido, todos os silêncios que necessitas de me contar. E a madrugada, acetinadamente, trocou o vazio pelo saber, como quem anuncia ao dia nascente que os amantes não têm horas, porque todas lhes pertencem...
...
Ni*

quinta-feira, setembro 13, 2007

A MEMÓRIA NÃO SE FECHA




"Dividi a minha vida em partes
Construí muros altos
Paredes grossas
Selei hermeticamente portas
Para me dividir
Separar em partes
Ser só
Lembrar só
Aquilo que queria ser.
Mas a força que habita
Esses quartos
Hermeticamente fechados
Minou paredes
Construiu túneis
Invadiu os outros quartos
Que selei, para proteger.
E murmura-me ao ouvido
Ri do meu esforço inútil
E relembra-me a cada instante
Que a memória não se fecha
Não há forma de a apagar
Não há onde me esconder. "


E.


...


Uma mulher. Escreve assim. Como quem, de repente, desvenda todas as mulheres que colocaram em gavetinhas (ainda que forradas a papel de seda e aromatizadas por flores secas, mas nunca mortas) as memórias da verdade do que são.

...

Esforço inútil, tens razão.

Nós somos a nossa memória.

segunda-feira, setembro 10, 2007

MEMÓRIAS

"Just because I don't like to fight, doesn't mean I can't fight".

sexta-feira, setembro 07, 2007

CONVERSAS COM A MINHA GATA... :)


Hoje, sentadas as duas na espreguiçadeira, ao olhar o arvoredo do jardim... a Igreja da Luz... o horizonte...
Sorriso.
Ni*

quinta-feira, setembro 06, 2007

...



(...)


Não procuro mais, não penso mais, sigo-me. Encontro-me ao olhar para o mar, devolvo-me ao pegar na caneta e ao fazer dela a espada com que me resgato e combato pelo que sou, pelo que sinto. Ainda que doa. Ainda que não entendas. E em cada dia, página branca e pura, derramo-me em azuis. E, sempre com a cabeça levantada, percorro os caminhos da memória e volto mais forte. Não minto, nem nas palavras nem nos olhos. Que me leia quem me saiba ler.

(...)


Ni*


«E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar... »

Fernando Pessoa



Só mesmo Fernando Pessoa para escrever estas coisas...
Só mesmo eu, para as ler em dias assim...

segunda-feira, setembro 03, 2007

CUMPLICIDADES



«(... ) Uma das coisas que mais o aproximava da mulher consistia precisamente em conseguir isso com ela sem necessidade de se vestir de frases, a capacidade de se entenderem num rápido soslaio e que nada tinha a ver com o conhecimento um do outro porque desde a primeira vez em que se encontraram fora assim, eram ambos então ainda muito novos e haviam-se quedado siderados com a estranha força oculta daquele milagre que com mais ninguém lhes sucedia, união tão perfeita e tão funda... (...)»


António Lobo Antunes in Memória de Elefante


...


E os meus olhos, mesmo sendo de outra cor, têm também a cor dos teus. E o mundo que eu não vi estava no teu olhar. E o mundo que eu vi estava em mim e tu soubeste-o. E tudo ficou em paz, nesta inquietação que nos leva sempre a tremer quando pensamos na pele do outro.

Tu sabes...

Sim, sabes. Embora o negues...
Ni*

domingo, setembro 02, 2007

«MOMENTO é um lugar...»

(Tratamento de imagem feito por mim, há algum tempo. Clique para aumentar)
PARA ESCREVER UM POEMA

Ni*


Para escrever um poema...
É preciso despir as asas...
Ser mulher... apenas.
Em plena nudez.
Sem vergonha.
Sem timidez!
Seguir o trilho no bosque,
sem guia, sem medo, guardiã do segredo.
Ainda que momentaneamente frágil,
pássaro em voo calado... adiado.
Ser barco sem receio da ousada viagem!
É preciso aceitar que o tempo, afinal, não existe...
E que «momento» é um lugar,
onde me poderei encontrar.

Para escrever um poema...
É preciso olhar e ver...
com a limpidez do brilho da chuva...
É preciso assumir e SER!
E mergulhar, mesmo sem saber nadar...
no lago das memórias...
Onde a lua deposita futuras histórias.
Ainda que me me chamem sonhadora...
Ainda que pensem que dos meus dedos se solta inútil ternura...
Que se esvai... não perdura.

Para escrever um poema...
Basta desnudar o coração...
e colar em cada palavra um pedaço de essência, de emoção...
Verdade, grito, alegria, dor e perdão.
É preciso deixar ir na maré a esperança,
um nome amado...
Até a Fé....
E esperar...
Que o mar de mim esvaído,
retorne como a madrugada...
E sentir-me de novo alada.

Nesse mágico instante, o poema surge...
como um suspiro,
murmúrio de dedos entrelaçados...
Sentires enlaçados,
mordidos lábios que sabem que o tempo urge!
...
E sorrir para o poema nascente...
Ainda que saiba ...
que ele é apenas um ínfimo olhar...
E que como tu(do)... irá passar.


Nina

quinta-feira, agosto 30, 2007

A FACE SERENA DA ETERNIDADE

( Composição de imagem de minha autoria. Clique na imagem para ampliar.)
^^


A face serena da Eternidade tem o rosto de quem se ama incondicionalmente. Olho os meus olhos, reflectidos nos teus, e sinto... que o amor tem janelas abertas para o infinito... onde o amanhecer é eterno.
E neste cruzar de espadas de Luz se anulam palavras, mágoas, saudade...
E o ciclo, retoma o fim, e renasce em mim... envolvendo-me na certeza de que o Amor tanto cabe num fragmento de segundo, como na Eternidade.
...
E do silêncio flui o som audível somente para quem sabe que não há dois silêncios iguais...
Nem tempo...
Nem espaço...
Nem idade.

Ni*



Lisboa, 12/11/2003

domingo, agosto 26, 2007

HOJE...



Há, em cada palavra, um fio de luz que contém portas entreabertas... um convite, um 'vem', a quem não as teme, às palavras. Há, em cada palavra, um caminho de laranjeiras frutificadas, com aroma a folhas ainda puras, ainda felizes, que convidam ao prazer de se recriarem mais palavras. Há, em cada palavra, sementes de futuro e raízes azuis, que podem ser de ar, feito abraço de vento, ou de água, temporariamente gota doce em língua ávida de outra boca.

Mas hoje sinto-me apenas uma ausência de palavra.

Não um silêncio. Porque o silêncio tem a proximidade e a distância, a saudade e o esquecimento. O silêncio é o eco da palavra... o espelho do inversamente dito. Mas É.

Hoje...

Preciso de sentido.

De um sentido.

...

Ni*

sexta-feira, agosto 17, 2007

...............^^



Ni*
(Em Viagem...)

quarta-feira, agosto 15, 2007

MARIA...


Após os 15 dias de férias passados com o pai, os meus filhos entraram hoje pela casa com risos, saltos, gargalhadas e toda a alegria que acordou até o sol...

Não vou descrever o indescritível... o amor que se dá e recebe nos abraços que nos reconstituem a alma...
...
Para disfarçar um pouco a emoção (sou chorona...) perguntei-lhes:« -E o meu presente?». E não é que estas duas coisicas tinham mesmo comprado uma moldurazinha com o meu nome? Uma foto colocada à pressa... e já está na porta do frigorífico!
...

Contei este pormenor (será 'menor'?) por um motivo simples: é que 'aqui', também se partilham alegrias.... neste blog feito de momentos... de vida.

Ni*
(Maria)

A PROSA QUE ELA LHE RESPONDEU... SENTINDO-A COMO UM POEMA

CleopatraMoon

Gosto da pessoa...'Cleo'. Gosto do blog 'CleopatraMoon'. Há entre nós uma afinidade que nos faz rir como adolescentes... e criar as nossas 'private jokes'. Mas por vezes... por vezes há textos que uma de nós edita no blog que... tocam uma raiz da nossa essência... e... é impossível ficar indiferente.
Aconteceu-me, mais uma vez, com um texto que a Cleo editou e a que chamou: 'O POEMA QUE ELE LHE ESCREVEU EM PROSA'.
Não resisti. Deixei lá, em comentário, 'A PROSA QUE ELA LHE RESPONDEU... SENTINDO-A COMO UM POEMA'.
(...)
Esta noite, desde que o tempo nos colocou no cruzamento das águas dos olhos, sinto-te em mim, como a única pátria que me corre nas veias.
O meu corpo, que acaricio com o pensar em ti, mais do que com a ponta dos dedos, murmura-me que os meus poros são salinas sem água, ansiando o traço da tua língua molhada e ávida.
E os meus lábios, entreabertos, brilham como cerejas doces e maduras, para ti. Porque é da minha boca que tens sede. E fome. E vontade. E eu sei. E eu sinto.

E é de olhos fechados que respiro a canção que nos acompanha à distância.
Dói e dá prazer este querer-te tanto (sem te poder ter).

Há um aroma de ti que me tatua, como manto de neblina de seda, como se cada partícula de beleza fosse uma célula tua que junto às minhas. Como se a distância fosse ilusão.
A distância É ilusão.
Aprendi-o contigo.
E o desejo de ti é tão real, como maré que a lua comanda...
E a mão que me percorre não é mais a minha... nem a tua... é a nossa.
E uma explosão de nós inunda-nos, num gemido silencioso, que contém o perfume de todos os amantes... de todos os tempos.
A lua... finge-se indiferente... mas sorri(-nos).

(...)
Ni*... (Há mares que nascem nos olhos...)
...
À minha frente o 'Voucher'... viagem para breve. E não... ainda não é para 'Veneza'. (Creio que nunca o será).
Abraço meu... com carinho. Fiquem bem... e até breve, se as Deusas da Amizade assim o permitirem...