terça-feira, maio 01, 2007

MOTE ALHEIO...




«Dava tudo para te ver, agora,» (1) quando as gaivotas já adormeceram o rio e as canoas, e a ponte é apenas uma pausa, e todas as partidas ficam suspensas. Sentir-te, sem pudores nem indecisões, no ventre partilhado, indomado. Como se as águas doces te trouxessem, com a vontade febril da maré, para ainda mais fundo, em mim. E, depois, dizer-te que o abraço dançado não se aprende senão no embalo que te leva todos os cansaços. E não se nega, esse abraço. Porque salva. Sim, eu sei que as palavras te atravessam como uma memória líquida, mas conjuga-as no presente... e fica no meu olhar, onde antes estava a minha alma.


...
Ni*


(1) Expressão retirada de um texto do CR, no blog 'O ANÓNIMO'.

VENTO DE LUZ...

(...)
Um vento de luz chamou-me até ao tempo perfeito e eu embriaguei o ar com o teu nome. Beijo a distância, como se fosse a tua boca, e sei que, juntos, dissiparemos a sombra de todas as tormentas.

...

Ni*


domingo, abril 29, 2007

SE TU ME DEIXASSES...




Hoje, acenderia estrelas entre a tua pele e a minha. Derramaria nos teus lábios toda a ternura que te pertence. Libertaria as pombas azuis do lago das tuas memórias e voaria, eu, em ti. Traçaria com a minha língua o mapa húmido da rota dos navegantes que ousam e não temem as marés vivas. E diria às tuas asas que voar é possível e que o caminho é ascendente, em espiral, em murmúrios salgados e confluentes...



Se tu me deixasses...


Ni*

sábado, abril 28, 2007

TU...

Tu és as asas das palavras que em mim nascem.
Tu és a raiz dos poemas que em mim habitam.
...

Ni*


quarta-feira, abril 25, 2007

BARCOS QUE O HORIZONTE REJEITA... (Textos para ler e deitar fora I)



E é aqui, na memória,
que reconstituo os passos que me levaram ao centro de ti,
passando os ventos e os barcos,
mergulhando em pássaros e luas,
ouvindo a tua voz que não cessa.
Como um sopro, subindo por mim,
maré e monte, deserto e fonte, até ao cume da alma...


Lá...
Onde digo o teu nome,
num baptismo de espumas ébrias,
por entre o tumulto das saudades...
As que não se diluem em esferas, tempos, idades, esperas.

E sigo...
Dominando o leme que empurra este rumo de acaso.
Como se o destino não estivesse escrito na determinação dos teus lábios...

que se calam, negando-me a palavra...
como barcos que o horizonte rejeita...

E é na memória do teu ausente abraço, que o meu ser mulher se deita...

(...)

Nina, num momento...


(Texto roubado ao passado)

QUANDO O HORIZONTE DESAGUA NOS MEUS OLHOS... (Textos para ler e deitar fora II)





Há dias em que sinto o meu coração fragmentado em pedaços,
e nas minhas mãos, colocadas sobre o peito...
o sabor de lágrima de sal em estilhaços.

Portal aberto por um voo de ilusão que o atravessou,
porque nele não cabia tanto infinito...
Tanto reprimido e mordido grito.
Não de dor... não de amor, mas de vontade...
De viver o que me mostra a futura saudade.

Quando o horizonte desagua nos meus olhos...
a alma filtra os nomes, as palavras,
os sonhos, as luas de Janeiro, o cântico derradeiro...
as saudades... puras criações da nossa alma marinheira,
que busca o retorno ao sono e ao sonho...
Num lânguido abandono...

Não, não receio o destino.
Aprendi com o vento a preparar a minha vida
para ser um milagre vivido a cada momento...
Cada infinito e eterno momento...
Que é apenas a intersecção entre a minha vida actual e a minha vida seguinte.
Ou será a anterior?
Ou a que não terei, porque não a sonhei?

O que sei eu do momento?
Sei que não é mais do que o que não sei...
E é no silêncio que se aninhou no meu olhar
que os sonhos dizem verdades,
desenham realidades...
Como castelos de espuma no Mar.

Como me cativam as marés!
Bailo com elas a sua dança cósmica, inspirada pela lua.
De coração sem portas... de alma nua....
E no infinito azul quero dançar, dançar...
Até adormecer nos braços do luar...
Ou, quem sabe, do infinito... meu (amor) MAR...

(...)

MARninaMAR , num fragmento de momento...


(Texto roubado ao passado)

SAUDADE DO ABRAÇO (Textos para ler e deitar fora III)






(...) E é neste pós-hora...
Onde o tempo se derrama e une ao espaço
Que revejo o necessário, mas perdido abraço.
E sinto que ele me olha... abraço feito vida...
Como se me pedisse para adiar a partida.

E o meu sentir, transparente,
Mostra-lhe o que sinto...
Coração testemunha que não minto...
Até o que procurei esconder de mim no fundo da alma...
Que abri... desvendei... revelei...
Como local de passagem secreta que ao meu anjo dei...

As poesias...
emoções em frágeis e codificados fragmentos...
Risos e lamentos...
Mas sempre incompletas no livro de cada vida...
Mesmo quando pensamos que um fim
é um ponto final...
Surge outro e ainda outro portal.
Interminável ponte.
E o suspiro, ao contemplar o horizonte...
Estreito, pequeno, ínfimo, para um eterno amor...
É todo o outro (lado) que me faz falta...
Saudade do abraço...
Certeza da dor.

Destino de pássaro,
tem asas no querer e murmúrios por dizer.
E nos meus cabelos, que teimam em voar...
e os meus olhos tapar...
Leio horóscopos, desenho mapas, deito cartas...
Plenas do vazio que a tua ausência me ofereceu.
Deixando-me só com meio eu.

Com os dedos, traço a linha dos meus lábios...
Calados... salgados... do teu nome tatuados.
Devagar...
Como se escrevesse a palavra que ficou por dizer.
Dissolvida num instante de indecisão...
Limite entre o sim e o não.

E ao fechar os olhos, desato nós, desfaço laços,
solto os braços...
Para o prometido abraço... enlaço.
Como se a tua memória feita imagem
Pudesse viver para além de ti...
Agora... aqui...

E sorrio...
Todo o encontro é perfeito
Quando guardamos tudo o que sentimos nesta dimensão...
Dentro do cálice sagrado, contido no peito.

Ni*


(Texto roubado ao passado)



CATARSE (Textos para ler e deitar fora IV)



Abro a caixa do Inverno...
Tiro as cores que cobriram o verde, os ventos frios, branca parede,
os cânticos de chuva, os transbordantes rios...
de onde fugiram todos os pássaros...
Para locais, de memórias mais vazios.

Colho uma a uma, as folhas da nossa história.
E encosto-as ao peito...
Lá, onde adormecias, como em eleito leito.
Tento sacudir a tristeza das mãos e guardar apenas as rimas,
libertas de nãos.

Recolho as lembranças de uma certa saudade,
que se me colou ao longo cabelo...
O mesmo que tu tocaste... o mesmo que dizias cheirar a jasmim...
O mesmo que te cobria o rosto quando, mergulhando em ti,
mergulhava em mim.

...
E, sem olhar para trás, avancei em direcção ao destino...
Seguindo as linhas que me indicavam o horizonte,
afastando-me do teu abraço...


Foi apenas... um passo...

Nin@...^^


(Texto roubado ao passado... para ler e deitar fora)

segunda-feira, abril 23, 2007

SER FELIZ AGORA


«(...) Que fazer? Isolar o momento como uma coisa e ser feliz agora, no momento em que se sente a felicidade, sem pensar senão no que se sente, excluindo o mais, excluindo tudo. (...)»
...
Bernardo Soares (F.Pessoa) in 'Livro Do Desassossego'
...
«A arte tem valia porque nos tira daqui»
...
A emoção perante Pessoa...
Ni*

quinta-feira, abril 19, 2007

AS CEREJEIRAS JÁ FLORIRAM, AMOR...

(Foto: Pedro Martins)


Podia dizer-te que me fazes falta.
Podia contar-te como as minhas mãos me contam dos seus gestos suspensos, porque tu não estás para acabar o verso.
Podia falar-te da vontade de desenhar reticências de chuva, com os silêncios que me escorrem dos olhos.
Podia dançar-te, num murmúrio de voz que te envolvesse em aromas de pomares, de tulipas e de afectos.
Podia voltar a dizer-te que me fazes falta no beijo há tanto tempo adiado, que trouxesse tudo com ele... o mar, as ondas, as gaivotas, as conchas, a vontade de ficar, o teu perfume que ainda guardo, invencível, na memória da minha pele.

...

Mas eu calo-me. Espero que tu saibas. Espero que tu sintas tudo o que te poderia dizer em cada momento que deixo por aí, livre, entregue ao som do vento, que insisto em oferecer diluído em abraços. Como toque de areia fina. Como toque de acaso encantado.

Espero que tu saibas. Espero que tu sintas.

É que as cerejeiras já floriram, amor...


Ni*




segunda-feira, abril 16, 2007

POESIA E CHOCOLATE...


Em especial para a Cleópatra...
...
Nas tuas mãos guardas as luas azuis, e na boca as rubras cerejas, com que festejarás a festa do abraço... que só os teus olhos reconhecem.
...
Ni*


quarta-feira, abril 11, 2007

«ESTA VONTADE DE IR...»






É só um estado de alma...
É só um estado de alma...
É só um estado de alma...
...



IR

Ni

IR, nos braços da leveza...
do vento, estrada suave da pureza...
IR, soltar do cais os barcos da dor e tristeza...
IR... e o tempo e o espaço anular,
transmutá-los em flores para plantar...

Ah, IR... não é partir,
não é separar, não é quebrar...
É recomeçar!
É sentir que se é mar, nuvem, ave,
pedra, folha tenra, rio...
É não ter mais frio!

IR...
Duas letras, duas asas...
E um só sentir...

Liberdade...
Ausência de saudade...
Negação da solidão.
Casa reencontrada...
Cura de asa quebrada!

IR...
E ver tudo pela primeira vez...
O céu que ri, chora, fica sereno, silencioso...
E tocar cada abraço dado...
como instante alado, precioso.


IR...
E entender...
Que para a eternidade apenas SOU.
Sou tudo o que fui e o que sonhei ser...
E que nem um só gesto de ternura ficou por acontecer....


Nina

sexta-feira, abril 06, 2007

«SOU APENAS UM DESENHADOR DE MOMENTOS»






Junto ao barco aceito a minha chegada definitiva ao porto do tempo.
O vento insinuava-se nas velas e respirava o teu perfume como se o conhecesse.
O teu cheiro paira no meu ar e sei que andas perto e tu não sentes nada?
Nunca perguntes o que é a vida. Ela é sempre mais, ela está sempre além da resposta.
Talvez seja melhor perguntares se vives.
Terás a tua noção da vida, errada ou certa ninguém saberá, a não ser ela, a própria vida.
Vive juntando à tua existência bastante entusiasmo e se o fizeres, se isso for possível, estarás próximo do meu conceito, talvez seja melhor dizer, do meu sentimento de vida.
Cada vez mais acredito que é sempre o mesmo, o poema escrito.
O resto cai em lágrimas.
Nunca sei para onde me atirar de cabeça, apenas que todo o vencido é um vencedor.
E que o mar é imenso e que nunca pára.
Junto ao mar (o mar branco de espuma amiga) guardei uma pedra partida que me disse que só o amor e amizade se completam.
(E) em todos os sorrisos renasci.




~*~


João Sevivas, excertos escolhidos por mim e reunidos num poema renovado... sem o consentimento prévio do autor, (ai, que isto não se faz!).
*
Ni
*


João Sevivas: nasceu em Castro Daire, em 1954. Licenciado pela Universidade de Coimbra, exerce advocacia... e é um dos grandes poetas da actualidade.
Segundo as suas próprias palavras: «sou apenas um desenhador de momentos».
Obras: Flor de abril (1989), Para ti (1990), Peixinho solitário (1990), Fin del mal (1991), Los últimos momentos de una mentira (1992), El grito (1993), Os calos da alma (2001), Os sons da noite (2002), Cosas (2003), Redemoinho (2003), Momentos (2005), Terra (Alejo, 2007).


quinta-feira, abril 05, 2007

AQUI TE ESPERO, SOBRE A PONTE DAS CEREJEIRAS...



Jurei. Eu sei. E três vezes jurarei. Levanta os olhos da estrada. Caminho traçado por mapa, leva-te à terra do nada!
Guia-te pelas vontades, pelos concêntricos sinais. Ouve de ti mesmo as verdades, as danças descalças não as negues nunca mais.
E eu... sorrio, por este falar rimado, simples e cadenciado como letras roubadas a um fado.
Guia-te pelos meus dedos, senhores de segredos, ondulantes como corpos de amantes... que te tatuaram ao som do vento, num abraço que te ensinou a negar o lamento.
Jurei. Eu sei. É aqui que te espero, sobre a ponte das cerejeiras, nesta terra nossa, outrora de ninguém...


Ni*
(Na sequência de um texto do Coutinho Ribeiro, e de um texto/resposta da Cleópatra)

terça-feira, abril 03, 2007

E O CÉU FICA MAIS PERTO





Impetuoso, o teu corpo é como um rio
onde o meu se perde.
Se escuto, só oiço o teu rumor.
De mim, nem o sinal mais breve.
Imagem dos gestos que tracei,
irrompe puro e completo.
Por isso, rio foi o nome que lhe dei.
E nele o céu fica mais perto.

Eugénio de Andrade in 'As mãos e os frutos', 1948


segunda-feira, abril 02, 2007

«VOA EM MIM, MEU AMOR QUE ÉS...» (325º post)



Doem-me as palavras, meu amor, das mãos ausentes. Da ternura febril com que as derramo no silêncio das reticências, que tudo sabem e tudo calam. E tudo permitem, porque os seus pontos são vitais, respirações com voos de aves inomináveis, nunca finais. Tu existes, na vertigem da paz do mar que os teus olhos me contam. A minha boca, suave e cereja, desenha-te em risos a flor laranja que te surpreende. Recrio-te, no abraço de vento que te cruza as costas e me funde em ti. E eu tremo, quando o meu peito te respira contra o teu. É nas tuas veias que me diluo. Dou-me no sal das palavras que te beijam. Sentes-me? Nega o medo. Embarca nos meus olhos. Passa a margem, passa a tristeza, passa a negação da felicidade, passa limites de espaço e idade. É agora e aqui que somos. Aqui, meu amor. Aqui. Doem-me as palavras, meu amor, das mãos ausentes. Voa em mim, meu amor que és...


Ni*

sábado, março 31, 2007

TEMPESTADES


(Resposta a um desafio da Cleópatra)





"Quem tem medo de tempestades acaba a rastejar"



...

Há tempestades nos olhos de quem ama.

E bonanças. É de contradições que é feito o amor. E de desafios. E de ousadias. Não de medos!

A minha voz desenha-se, solitária, perante o teu silêncio e os teus olhos que se desviam, na fuga de quem receia a palavra que se adivinha.
Há algo líquido no tempo e eu não o prendo. Saboreio-o. Tem travo a mar e a alecrim, a momentos roubados ao nunca, a rotas de ida com destino ao sempre, ainda que não saiba 'onde' nem 'quando'. Ainda que saiba 'porquê'... ainda que saiba com 'quem' queria...

Há tempestades nos olhos de quem ama.

Feitas de memórias, de saberes, de saudades e de vontades. Feitas de presente, onde tudo acontece. Ou não. E é neste não acontecer que nos perdemos.

Agora que chegaste aos meus olhos não t(r)emas!

Quem tem medo de tempestades acaba a rastejar...

sexta-feira, março 30, 2007

SOLIDÃO...




...

Advertência: este 'post' pode provocar efeitos 'primários'...

...
Hoje, é tão comum chegar a casa e não ter ninguém que nos salte para os braços ou nos estenda um raminho de cerejas!


quarta-feira, março 21, 2007

UM BEIJO NO POEMA



Sei-te
através das palavras
com que vou construindo este dia novo
que agora se levanta.
Inventei-te no espaço exacto
das minhas mãos
desejosas da viagem
no teu corpo.


Dele direi:
este é o meu país por conhecer
onde ergui minha casa
e inventei um amor
nunca antes pressentido.
Visto-me com as cores do dia nascente
e desenho-te um beijo no poema.

...


Ni*



segunda-feira, março 19, 2007

«E OS TEUS OLHOS AMANHECERAM...»




(...)


Amei-te sem ter a certeza da manhã, sem ouvir
o vento que fez bater as janelas num eco do passado,
sem correr as cortinas do mundo para que
ninguém nos visse, sem apagar do teu rosto
o brilho da vida, enquanto as aves dormiam,
e o licor do sonho se derramava sobre os corpos
que cortavam a noite.

Mas ao seguir o seu rumo, o azul
floresceu das cinzas, a música despontou
dos silêncios da madrugada, e os teus olhos
amanheceram quando me disseste que
te amei, sem saber porquê.


O meu 'mestre'... único!

sexta-feira, março 16, 2007

segunda-feira, março 12, 2007

SABES?

...
Sabes...
A vida perdida...
ainda vamos a tempo de a redescobrir!
Conjugá-la como um verbo.
Como se fosse um campo
de bem-me-queres,
bem-te-quero...
em pleno mar.
Suspenso.
Em cada momento de respirar.
...
Sabes?
...
Ni*

BOA SEMANA!


quinta-feira, março 08, 2007

VOU SEGUINDO...




Vou seguindo...

Sem negar o olhar ao horizonte,

Pintando rotas de pássaros em voos de luz,

Rumo ao abraço com o infinito.


Vou seguindo...

E dos meus afectos faço dançada ponte.

E nos meus versos transmuto calado grito.

Porque a VIDA ainda me seduz.




Vou seguindo...

Tatuada do odor do alecrim e do jasmim...

Abraçada pelas cores das vozes que não me negam.

Bebendo chuvas salgadas, afastando o lamento.


Vou seguindo...

Crio jardins com pomares, luas cheias e novas, sem fim.

E sorrio, sem aceitar que os sonhos à escuridão se entregam.

E canto, porque a VIDA é apenas um momento.






Ni*


... num ínfimo passo do Caminho...


sábado, março 03, 2007

E PODE ACONTECER QUE TE DÊ PAZ...

Devido a uma desconfiguração todos os posts do blog terão que ser reeditados.
É algo que farei, lentamente...

Abraço de vento...



Ni*






Não tenhas medo, ouve:
É um poema.
Um misto de oração e de feitiço...
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo,
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz...


"Um Poema" de Miguel Torga (Diário XIII)




(Leitura minha)

terça-feira, fevereiro 27, 2007

«SE EU VOLTASSE A NASCER ...»



Se eu voltasse a nascer,
despia o destino, os ventos contrários,
os barcos que naufragam nos meus olhos,
iludidos por rumos adversários.
Se eu voltasse a nascer,
contrariava os passos solitários...
E era a ti que eu amaria outra vez.
(...)
- continua, ou não -
Ni*


*

Se eu voltasse a nascer,
despia-me de mim e em ti,
viveria em tom diferente...

poeta eu sou...

*



Se eu voltasse a nascer,

faria o mesmo q fiz até hoje.

Reviveria tristezas

pq tenho a certeza que foi c elas q mais aprendi.

Sara Realista

*


Se eu voltasse a nascer
Queria os teus lábios ...
Os teus olhos procurando os meus
E a tua boca a sussurar loucuras
mesmo que só loucuras
Se eu voltasse a nascer queria voltar a ser EU.
Queria tudo o que é meu.
Tudo a tempo inteiro...
Se eu voltasse a nascer o Mar
seria de novo o meu feitiço
A lua de novo o meu refúgio.

Se eu voltasse a nascer...
Queria todo o meu Mundo
Todo o meu Eu
Tudo oq ue já tive e queria ter de novo..

Se eu voltasse a nascer...
Queria voltar a nascer para nascer novamente...

Cleopatra

*



sexta-feira, fevereiro 23, 2007

A ROTA DAS AVES INCONFORMADAS







Olhas para além do muro; e
o que vês? O tempo para além do tempo,
a tarde que não chega, ou a noite que
vai chegar quando menos a esperas,
uma última ave no limite
do céu, pedindo-te que a não sigas.
Mas não cedas ao abraço da árvore,
ao apelo das raízes, à melancolia
de um desejo de horizonte. Encosta-te
a esse muro, sabendo que ele desenha
o espaço que te foi dado, e que as tuas
mãos descobrem no frio da pedra.
Não te resignes ao que existe. A ave
que desapareceu por trás da colina conhece
o caminho que os teus olhos procuram.


Nuno Júdice... aqui: http://aaz-nj.blogspot.com/

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

MESMO QUE SEJA SÓ UM MOMENTO...




ESPECTACULAR...





LUME



'Vai caminhando desamarrado
Dos nós e laços que o mundo faz
Vai abraçando desenleado
De outros abraços que a vida dá

Vai-te encontrando na água e no lume
Na terra quente até perder
O medo, o medo levanta muros
E ergue bandeiras pra nos deter

Não percas tempo,
O tempo corre
Só quando dói é devagar
E dá-te ao vento
Como um veleiro
Solto no mais alto mar

Liberta o grito que trazes dentro
E a coragem e o amor
Mesmo que seja só um momento
Mesmo que traga alguma dor
Só isso faz brilhar o lume
Que hás-de levar até ao fim
E esse lume já ninguém pode
Nunca apagar dentro de ti.'

Mafalda Veiga
...tudo é apenas um momento...
Ni*

terça-feira, fevereiro 20, 2007

(DES)MASCARA...

Foto: S.M.



Disfarça de carícias a minha pele morena e (des)mascara, com traços quentes da tua ávida língua, o desejo adivinhado...
...hoje, soltaremos o mesmo gemido nos braços do vento.

Ni*

domingo, fevereiro 18, 2007

RESPOSTA A UM DESAFIO TEXTUAL






O desafio, aqui:






...





Há na luz da manhã a promessa dos dias felizes.

As tempestades são-nos exteriores e passadas. A noite foi intensamente desenhada na pele, nas carícias que nascem no afecto e se soltam, com alma própria, dos dedos. Não comandamos os sentimentos, dizes-me. Ainda bem, sorrio-te eu. E é esse sorriso meu que te abraça, neste momento do dia nascente, em que nós nascemos também. Sei que quando abrir os olhos estarei a aceitar o pacto de mais um dia, que só poderá ser feliz porque ao teu lado. E é esse dia a maior oferta que nos daremos. Os meus cabelos longos, escuros, traçam linhas bailadas sobre o teu braço e o teu peito, em cascatas de promessas de seda. Sim, cumpro as promessas. Sim, ganho as apostas ainda que as perca. É quem não receia o amor que vence as batalhas, sabias? Adio o acordar. Permaneço neste conforto de (te) sentir apenas, sem que saibas que ouço a música que a tua vontade de parar o tempo me conta e canta. Há algo de divinamente humano e puro nesse teu enlaço, nesse estreitar-me, como se os meus poros respirassem os teus. Vou acordar, amor. O mar depositou em nós a esperança das algas verdes e das marés cheias. A areia estende-se em braços que procuram o calor. O nosso. É urgente que o saibas. Será o meu sorriso que to dirá....


...


Há no vagar dos passos sobre a areia a sabedoria das gentes do mar. Aprenderam com as luas e as marés o som do tempo. E nos olhos transportam a paciência do sal, que espera que a água se desenhe nuvem para só então se mostrar. A tua mão na minha nega o medo. E eu fecho os olhos, no abandono confiante do sentir e dos sentidos, como se o caminho só pudesse ser este, ao teu lado. Há uma idade, após a idade das certezas, em que tudo arriscamos. Podemos não saber para onde seguir, mas sabemos com quem queremos ir. Juntos, meu amor!


...







Ni*

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

AMOR... PEDAÇO DE CÉU DE SEDA...




A imagem fala por si.

Metafórica, a lembrar-nos a fragilidade da seda que envolve todos os afectos. Assim como os instantes de eternidade, os pedaços de céu, os momentos de espelho com o que há de mais semelhante com a felicidade.


Para quem hoje não vai receber nem beijos, nem flores, nem aquelas ternuras que se aninham no brilhozinho dos olhos... (esteja só ou acompanhadamente só) é natural que, ainda que diga que este dia serve apenas os valores do consumo, sinta bem lá no meio da sua verdade , como carta de marear delineada com traços profundos, a tal ilha da solidão.
...
Deixo uma sugestão... que eu vou seguir também... ame-se!
Verá que não há canto de passarinho nem poesia do mar que não sejam seus!
...
Ni*

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

DEIXA UM ESPAÇO LIVRE...


'Não queiras saber tudo. Deixa um epaço livre para te saberes a ti.'

Vergilio Ferreira

.

:.´*`.:

Esvaziei-me de quase todas as tristezas,

mas deixei, intacta, uma esperança.

Soltei mágoas, presas em palavras

a que troquei as sílabas,

adoçando-as.

Coloquei ilhas de reticências

entre a vida e a dor.

Arrumei o mar no fundo dos olhos

e as asas à superfície da vontade.

E deixei espaço, muito espaço,

para reinventar os momentos

e me recriar.

Ni*

segunda-feira, janeiro 29, 2007

A LUZ DOS DIAS FELIZES - (300º 'post') -





'O que mais deixei para trás, em cada viagem que fiz, foram os amigos que não voltei a ver. (...)

Disse-me uma vez, numa dessas constrangentes despedidas, um amigo sarahui: - Os que não morrem, encontram-se.


Mas aprendi que não era verdade, infelizmente. Quando muito, poderia talvez acreditar que os que se encontraram nunca mais morrem na nossa memória.

Mesmo que apareçam tão-somente assim, esporadicamente, do fundo de uma gaveta, onde vive arquivada, a luz dos dias felizes.'

*
Miguel Sousa Tavares, in Sul Viagens




domingo, janeiro 28, 2007

«MATAR A SEDE COM ÁGUA SALGADA...»




'Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas às urgentes
Perguntas que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer enquanto
O nosso amor durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...

Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada...'

Miguel Torga

tempUS



MEnina FELINA... em pensamentos soltos... sem tempo.

Ni*

Às vezes pouso a cabeça em certas memórias...
E suspiro...
Deito o olhar para uma nuvem que quer passar...

e não o retiro!

O ideal seria não se dar pela passagem do tempo.
Seria viver dentro dele, como sua partícula natural,

e não temporariamente...
Não me sentir assim...
Como uma estrangeira em visita ao país da eternidade,

cuja Língua ignoro.
Será que sabe a sal ou será doce o que não sei?
Se é espelho de mim, estará à margem da esperada lei...
...

No meu pulso fino, um relógio impõe-me esse tempo.
Quando o homem inventou o relógio estava, no fundo,

a tentar minimizar os estragos
por se ter esquecido de trazer o tempo no coração...
Apenas um fugaz brilho no olhar, desses tempos de Verão.

Como seria perfeito se tratasse a eternidade por 'tu',

ao ponto de me fundir com ela.
Mais felino do que eu, esse tempo, que me foge!
E, no entanto, ele nunca deixa de estar 'lá'.
E eu... 'cá'!

E sorrio, sempre que me cruzo com o horizonte...
Atemporal ponte...
Porque ele me mostra que para a eternidade é indiferente

que esteja no presente, no passado ou no futuro.
Porque acima de tudo 'SOU'.
Não lhe interessa se fico ou se vou!

...

Tempo, verdade, realidade, mundos, segredos...
E sorrio... sorrio...


É que às vezes...
os gatos deixam-se longamente afagar,
como se os deuses fizessem uma cedência ao mundo existente do lado de cá da realidade...
Onde o odor no ar é de algo com a cor da saudade...

...

Aflora-me à memória a canção 'quero o meu primeiro beijo...'

Outro, mais um, desejo...
Um desejo que se perdeu no tempo pode voltar mais tarde.
Ele é mais forte e mais teimoso do que quem o perdeu...

Sorrio de novo...
Algo mais felino e mais persistente do que eu!

'muito mais é o que nos une, que aquilo que nos separa'

E, de repente, a lucidez de que as ideias não dependem de mim.
Eu é que dependo delas!
E agora... tenho de aceitar este novo mistério na minha vida.
Ainda que não vislumbre o começo, quanto mais a saída!

(...)

...Pois é...
uma boa companhia faz pensar, por algum tempo, que não se nasceu só...
Que é ficção a nossa origem no pó.
Que seja, mas será pó de querer... podes crer!
Porque vou decifrar o enigma, e contigo sair do labirinto...

'Haverá gente informada se é amor isto que eu sinto...'



Nina

Lisboa, ao longo do tempo...

(Para ler a ouvir Rui Veloso, 'Primeiro Beijo'... tal como foi escrito)


terça-feira, janeiro 23, 2007

ESSE TERRITÓRIO DE ESPANTO...




Quanto mais próximo se fica do amor, mais necessário se torna conhecer quem nos mostrou esse território de espanto.

O deslumbramento, a luz intensa e fulminante gerada pela atracção de almas e de corpos (fases por esta ordem), embotam ou retardam a chegada do lado negro de cada um a essa nova dimensão recém criada.
A contribuição "generosa" de vícios e de marcas, de insuficiências e de excessos é condição necessária (mas obviamente não suficiente - uma relação amorosa não é uma terapia, embora possa e deva ser regeneradora) ao evoluir da paixão para uma relação amorosa de sentido pleno e total, de encontro e de partilha.


A entrega não é apenas do brilho, mas das pequenas/grandes trevas que nos habitam.

Alcançar o elo seguinte da espiral pode então ser duro, difícil de enfrentar, mas é útil e tão imprescindível como qualquer dor de crescimento - o esqueleto só atingirá a sua fase adulta por meio de saltos, e, numa relação a dois, essas mudanças não representam apenas alterações quantitativas, mas também qualitativas: (re)qualificam a relação, dão a maior contribuição possível para a pertença - mostram cada um com o seu wild side, o tal 'lado lunar' eufemístico, e expõem-no ao olhar do outro.

Se esse olhar mantiver a luz, era mesmo amor.




quinta-feira, janeiro 18, 2007

O CAMINHO DA CERTEZA




Tinha aprendido que o caminho da certeza se fazia sem complacência nem quebra de vontade. Só lhe faltava a noção exacta da medida do amor, para lá das roupagens espúrias, das distâncias impostas, da intransponível barreira da reserva cultivada a frio, e por tudo isso ainda tinha pronto o cavalo do medo para fugir sem demora, a entrega total negada como condição de sobrevivência. Ensaiou a fuga uma última vez, a propósito de (quase) nada, mas o caminho desfez-se ante os seus olhos espantados, toldados pelas vagas que lavavam tanto passado inútil. Olhando na noite impossível para um ponto distante algures a norte, ainda viu derreter-se o muro que a isolava de si, dissipado em nuvem e logo tornado verde esmeralda, vértice da lua cheia na maré de todas as madrugadas.


- Fragmentos de mim -
Ni*

RENÚNCIAS



Esta imagem , desde que há uns anos me chegou por email, nunca me deixa indiferente, sempre que a revisito.

...

Já escrevi textos poéticos (?) como resultado desse impacto... como se uma memória se activasse.

Asas que se desejam, que se transportam, que se aspiram ou se protegem.

E sempre... a liberdade de escolher: de se libertar delas, ou de as quebrar, ou de delas prescindir, ou a elas renunciar.

Ser mulher, apenas. Quando o 'apenas' nunca o é.

Do pedestal, da fuga, das nuvens de fogo no horizonte próximo, das asas quebradas, exala o odor dos mitos, das trocas, das renúncias de um bem por outro...

...que se acreditou maior?!

...

terça-feira, janeiro 16, 2007

CONSELHO




Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça.

Eugénio de Andrade
*
...

segunda-feira, janeiro 15, 2007

AB IMO CORDE


(*AB IMO CORDE = do fundo do coração)

*


« - Vó, o teu cabelo ficou branquinho, mas os teus olhos continuam azuis, azuis, azuis!
- Os olhos mudam de cor de acordo com o que sentimos, Ni.
- Os teus estão sempre azuis, vó. Sentes sempre o céu, não é?

(Silêncio e sorriso, ao partilhar uma tarde em pleno campo, perto de Lamego)

- Vó, solta o cabelo.
- Aqui, na rua?
- Claro, vó! Dentro de casa não há vento. E eu gostava de ver andorinhas de asas brancas a sairem do teu cabelo.
- Ni... promete-me que nunca te esqueces da magia da vida.
- Da magia? (de olhos muito abertos e voz sussurrada, como se um segredo me estivesse a ser revelado)
- Se algum dia te sentires só, sem saberes que caminho escolher, sem entenderes as pessoas e as palavras, os gestos... SOLTA. Deixa ir a mágoa. Como os cabelos... para que surjam andorinhas de asas brancas na tua vida...»

...

Talvez seja por isso que hoje caminho pela vida de cabelo solto, embora nem sempre os pássaros da alegria me escolham para fazer os seus ninhos.
...



...

........................^^
Ni*

sexta-feira, janeiro 12, 2007

NÃO GOSTO DE MUROS!



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SEGREDOS





...abrir a porta ao inesperado. Tomar chocolate quente com a surpresa do destino. Ousar amar(mo-nos). Expressar a luz. Fluir na música. Entoar um canto único, porque todos somos irrepetíveis. Exprimir a valentia dos puros de alma. Sorrir. E dizer-te : «-Até já»... Ainda que não me ouças. E sorrir-te, de novo. Ainda que não o saibas. E desenhar-te raminhos de palavras. Ainda que não me leias. E soprar-te alegria. Ainda que não me respondas...
*
Ni
*
Conta-me um segredo...

quinta-feira, janeiro 11, 2007

IDEALIZAR



«... e um dia, como repentina luz da manhã que escolhe o brilho dos nossos olhos para mergulhar, percebemos que idealizar é dizer adeus sem dar por isso. »
...
Ni*

quarta-feira, janeiro 10, 2007

NÃO SE ESCOLHE...


- Para todas as mulheres que ousam acreditar no Amor, após o desamor-


(...)

Ela tinha uns olhos brilhantes, profundos como a noite. O cabelo, da cor do das ninfas das águas calmas, embaladas por amores nunca resgatados.
Os pensamentos povoados de sonhos.
O desejo, incandescente de voar, de rasgar horizontes cada vez mais altos, cada vez mais fundos.
Ela, como Ícaro, era dotada de asas... mas na alma.
E, como Ícaro, experimentou a dor de chegar demasiado perto do sol.

Viveria tudo outra vez!


Ela ousava... seguia o instinto de ousar usar as leis do Universo e da vida.


Descobriu-se outra, nos braços de um grande e inconfessável amor... depois 'dele'...

E nada voltou a ser como era.

Àqueles que a amaram, escapou-se-lhes por entre os dedos como poeira dourada, numa rebeldia quase indefinível, que doía e encantava.
A si própria, concedeu-se o privilégio de ousar viver intensamente, de dar voz, corpo e vida aos seus desejos mais secretos.

E soube não oferecer resistência ao invasor impiedoso, doce e mais que tudo, desejado, recebendo-o em todo o seu ser com a infinita coragem e sabedoria dos que se sabem deixar amar.

É que não se decide quando, nem se escolhe quem se ama!

Ama-se.

(...)


segunda-feira, janeiro 08, 2007

...


A última folha,
aquela,
onde estavam adormecidos
todos os poemas,
caiu.
É melhor assim.
Os meus olhos,
agora de ti vazios,
não mais te lerão em mim.
...
Só o mar ficou.
E o vento, espantado,
calou o branco lamento e amainou.
...
Só o sal ficou.
Ni

sábado, janeiro 06, 2007

DESCE E VEM SUBSTITUIR O MUNDO...





«Por degraus de sonhos e cansaços meus desce da tua irrealidade, desce e vem substituir o mundo.»
*
Fernando Pessoa/Bernardo Soares, in 'Livro do Desassossego'

terça-feira, janeiro 02, 2007

NUNCA DEIXAREI O PERFUME DO SAL



Há silêncios que deslizam

das velas das luas marinheiras.

E oferecem, aos meus olhos de (a)mar,

a rota dos faróis

com ninhos de voos para Sul.

E mapas de ilhas

com carícias de ventos quentes

e abraços de água doce...

...

Agradeço.

Mas nunca deixarei o perfume do sal.

Escorreu-me dos olhos para as veias.

...

Nina

1/1/2007