sábado, junho 23, 2007

POST COM SENTIDO... CONSENTIDO... E MUITO SENTIDO...

"Recomeça... se puderes, sem angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcances não descanses, de nenhum fruto queiras só metade."

Miguel Torga

Rui Veloso tem um lugar privilegiado na minha vida...



Canção de Alterne


Pára de chorar
E dizer que nunca mais vais ser feliz
Não há ninguém a conspirar
Para fazer destinos
Negros de raiz
Pára de chorar
Não ligues a quem diz
Que há nos astros o poder
De marcar alguém
Só por prazer
Por isso pára de chorar
Carrega no batom
Abusa do verniz
Põe os pontos nos Is
Nem Deus tem o dom
De escolher quem vai ser feliz

Pára de sorrir
E exibir a tua felicidade
Só por leviandade
Se pode sorrir assim
Num estado de graça
Que até ofende quem passa
Como se não haja queda
No Universo
E a vida seja moeda
Sem reverso
Por isso pára de sorrir
Não abuses dessa hora
Ela pode atrair
O ciúme e a inveja
Tu não perdes pela demora
E a seguir tudo se evapora

domingo, junho 17, 2007

RESTA-ME O ECO DA TUA PELE



Como foi possível não cruzarmos as linhas das nossas mãos?
...
E eu desejo apenas ser concha, crisálida, criança adormecida...

... mais nada.

domingo, junho 10, 2007

E SE UM DIA...




e se um dia me encontrares
e eu estiver envolta num véu,
não hesites...
não temas...
não fujas...

...desnuda-me,

e em silêncio
respira o meu olhar,
explora o meu corpo,
desvenda a minha alma,
fica em mim,

ainda que dure apenas o tempo de uma vaga em queda.


Ni*

sexta-feira, junho 08, 2007

A TUA AUSÊNCIA DÓI-ME



Quero dizer-te uma coisa simples: a tua
Ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não
Magoa, que se limita à alma; mas que não deixa,
Por isso, de deixar alguns sinais - um peso
Nos olhos, no lugar da tua imagem, e
Um vazio nas mãos, como se as tuas mãos lhes
Tivessem roubado o tacto. São estas as formas
Do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
As coisas simples também podem ser complicadas,
Quando nos damos conta da diferença entre o sonho e a realidade.
Porém, é o sonho que me traz a tua memória; e a
Realidade aproxima-me de ti, agora que
Os dias correm mais depressa, e as palavras
Ficam presas numa refracção de instantes,
Quando a tua voz me chama de dentro de
Mim - e me faz responder-te uma coisa simples,
Como dizer que a tua ausência me dói.


Nuno Júdice


(O maior poeta português vivo... para mim)

quinta-feira, junho 07, 2007

ESQUECI-ME DE MIM NOS TEUS BRAÇOS



Descobriram-se nos corpos enfim despertos, conjugados em entrega de pele que transcende a alma.

“Sinto o aroma de flores de cerejeira nas tuas coxas” – disse ele, num murmúrio...

“Sinto o gosto de limão e canela na pele dos teus ombros” – murmurou ela, entre sorrisos e carícias, naquele pomar de promessas só aos dois consagrado...

Depois ficaram em silêncio e a boca dele perdeu-se nela.

domingo, maio 20, 2007

PUSESTE FLORES DENTRO DAS HORAS...





«...puseste flores dentro das horas.
E dentro de mim os rios...»


Manuel Alegre, in Coisa Amar (Coisas do Mar)





... recriaste a rota de todas as delícias, de seda e cetim, no meu corpo. Viajámos nas palavras partilhadas, no som das nossas vozes, que se lamberam, em êxtase, no amor tão incontrolável como o sol nascente. Descobrimos o tempo antes de todas as almas. Puro e certo. E fizemo-lo nosso. E tu colocaste flores dentro dessas horas e não temeste beber dos rios que afluíam em mim. E eu sorri. E tu também.

Ni*

UMA NOITE DESTAS




Uma noite destas roubo-te o Tempo
beijo-te as Verdades
navego-te os Silêncios.

Uma noite destas
amo-te.



Ni*

quinta-feira, maio 17, 2007

IMPRESSÕES DIGITAIS DE UM SENTIR


Penso-te no silêncio desta manhã. Quero sentir o tempo. O tempo em que estás. O tempo em que poderei estar. No jardim dos encantados, onde tu e eu nos recriamos. Na minha nudez, onde a palavra é fluida e as tuas mãos sábias. E eu sorrio. Sim, o céu está mais perto.
...
Entre nós sempre haverá poesia.
E é nela que as aves perdidas reencontrarão o seu rumo...

sexta-feira, maio 04, 2007

ANJO... (memoriam)

angelUS:

«... revelou-me que não existe uma diferença irremediável entre o mundo real e o mundo dos sonhos, e que este, ao interferir no plano em que pensamos que tudo está certo e definido para sempre, dá-nos de súbito uma chave que poderemos utilizar para abrir a porta desse quarto onde nos disseram que não entrássemos...

(...) sei que se ririam de mim se lhes dissesse (...) desse anjo(...) rasgando o azul com a linha do fogo que as suas asas desenharam. Sei, desde essa altura, que há uma correspondência entre os mundos superior e inferior, desencadeada por mecanismos que não conseguimos dominar, através dos quais se estabelecem diálogos que vão para lá do tempo e da matéria. Podemos ouvir essas vozes se estivermos atentos às sombras; mas não se trata de nenhuma manifestação do outro mundo, nem de crenças irracionais. Pelo contrário, falamos com esses seres que nos habitam, e nos quais sobrevive um passado de que não temos uma percepção directa, mas que faz parte de nós, formando uma parte daquilo que designamos como ser (...)

(...)

... e a única forma de combater a angústia (...) é reduzirmo-nos ao presente, numa espécie de carpe diem em que temos de aproveitar cada instante como se fosse eterno, e ao mesmo tempo viver cada eternidade que o instante nos oferece(...)»

(...)

Nuno Júdice, in 'O anjo da tempestade'

...

... porque há imagens, sons, palavras, que juntos respondem a todas as perguntas...

Ni*

terça-feira, maio 01, 2007

MOTE ALHEIO...




«Dava tudo para te ver, agora,» (1) quando as gaivotas já adormeceram o rio e as canoas, e a ponte é apenas uma pausa, e todas as partidas ficam suspensas. Sentir-te, sem pudores nem indecisões, no ventre partilhado, indomado. Como se as águas doces te trouxessem, com a vontade febril da maré, para ainda mais fundo, em mim. E, depois, dizer-te que o abraço dançado não se aprende senão no embalo que te leva todos os cansaços. E não se nega, esse abraço. Porque salva. Sim, eu sei que as palavras te atravessam como uma memória líquida, mas conjuga-as no presente... e fica no meu olhar, onde antes estava a minha alma.


...
Ni*


(1) Expressão retirada de um texto do CR, no blog 'O ANÓNIMO'.

VENTO DE LUZ...

(...)
Um vento de luz chamou-me até ao tempo perfeito e eu embriaguei o ar com o teu nome. Beijo a distância, como se fosse a tua boca, e sei que, juntos, dissiparemos a sombra de todas as tormentas.

...

Ni*


domingo, abril 29, 2007

SE TU ME DEIXASSES...




Hoje, acenderia estrelas entre a tua pele e a minha. Derramaria nos teus lábios toda a ternura que te pertence. Libertaria as pombas azuis do lago das tuas memórias e voaria, eu, em ti. Traçaria com a minha língua o mapa húmido da rota dos navegantes que ousam e não temem as marés vivas. E diria às tuas asas que voar é possível e que o caminho é ascendente, em espiral, em murmúrios salgados e confluentes...



Se tu me deixasses...


Ni*

sábado, abril 28, 2007

TU...

Tu és as asas das palavras que em mim nascem.
Tu és a raiz dos poemas que em mim habitam.
...

Ni*


quarta-feira, abril 25, 2007

BARCOS QUE O HORIZONTE REJEITA... (Textos para ler e deitar fora I)



E é aqui, na memória,
que reconstituo os passos que me levaram ao centro de ti,
passando os ventos e os barcos,
mergulhando em pássaros e luas,
ouvindo a tua voz que não cessa.
Como um sopro, subindo por mim,
maré e monte, deserto e fonte, até ao cume da alma...


Lá...
Onde digo o teu nome,
num baptismo de espumas ébrias,
por entre o tumulto das saudades...
As que não se diluem em esferas, tempos, idades, esperas.

E sigo...
Dominando o leme que empurra este rumo de acaso.
Como se o destino não estivesse escrito na determinação dos teus lábios...

que se calam, negando-me a palavra...
como barcos que o horizonte rejeita...

E é na memória do teu ausente abraço, que o meu ser mulher se deita...

(...)

Nina, num momento...


(Texto roubado ao passado)

QUANDO O HORIZONTE DESAGUA NOS MEUS OLHOS... (Textos para ler e deitar fora II)





Há dias em que sinto o meu coração fragmentado em pedaços,
e nas minhas mãos, colocadas sobre o peito...
o sabor de lágrima de sal em estilhaços.

Portal aberto por um voo de ilusão que o atravessou,
porque nele não cabia tanto infinito...
Tanto reprimido e mordido grito.
Não de dor... não de amor, mas de vontade...
De viver o que me mostra a futura saudade.

Quando o horizonte desagua nos meus olhos...
a alma filtra os nomes, as palavras,
os sonhos, as luas de Janeiro, o cântico derradeiro...
as saudades... puras criações da nossa alma marinheira,
que busca o retorno ao sono e ao sonho...
Num lânguido abandono...

Não, não receio o destino.
Aprendi com o vento a preparar a minha vida
para ser um milagre vivido a cada momento...
Cada infinito e eterno momento...
Que é apenas a intersecção entre a minha vida actual e a minha vida seguinte.
Ou será a anterior?
Ou a que não terei, porque não a sonhei?

O que sei eu do momento?
Sei que não é mais do que o que não sei...
E é no silêncio que se aninhou no meu olhar
que os sonhos dizem verdades,
desenham realidades...
Como castelos de espuma no Mar.

Como me cativam as marés!
Bailo com elas a sua dança cósmica, inspirada pela lua.
De coração sem portas... de alma nua....
E no infinito azul quero dançar, dançar...
Até adormecer nos braços do luar...
Ou, quem sabe, do infinito... meu (amor) MAR...

(...)

MARninaMAR , num fragmento de momento...


(Texto roubado ao passado)

SAUDADE DO ABRAÇO (Textos para ler e deitar fora III)






(...) E é neste pós-hora...
Onde o tempo se derrama e une ao espaço
Que revejo o necessário, mas perdido abraço.
E sinto que ele me olha... abraço feito vida...
Como se me pedisse para adiar a partida.

E o meu sentir, transparente,
Mostra-lhe o que sinto...
Coração testemunha que não minto...
Até o que procurei esconder de mim no fundo da alma...
Que abri... desvendei... revelei...
Como local de passagem secreta que ao meu anjo dei...

As poesias...
emoções em frágeis e codificados fragmentos...
Risos e lamentos...
Mas sempre incompletas no livro de cada vida...
Mesmo quando pensamos que um fim
é um ponto final...
Surge outro e ainda outro portal.
Interminável ponte.
E o suspiro, ao contemplar o horizonte...
Estreito, pequeno, ínfimo, para um eterno amor...
É todo o outro (lado) que me faz falta...
Saudade do abraço...
Certeza da dor.

Destino de pássaro,
tem asas no querer e murmúrios por dizer.
E nos meus cabelos, que teimam em voar...
e os meus olhos tapar...
Leio horóscopos, desenho mapas, deito cartas...
Plenas do vazio que a tua ausência me ofereceu.
Deixando-me só com meio eu.

Com os dedos, traço a linha dos meus lábios...
Calados... salgados... do teu nome tatuados.
Devagar...
Como se escrevesse a palavra que ficou por dizer.
Dissolvida num instante de indecisão...
Limite entre o sim e o não.

E ao fechar os olhos, desato nós, desfaço laços,
solto os braços...
Para o prometido abraço... enlaço.
Como se a tua memória feita imagem
Pudesse viver para além de ti...
Agora... aqui...

E sorrio...
Todo o encontro é perfeito
Quando guardamos tudo o que sentimos nesta dimensão...
Dentro do cálice sagrado, contido no peito.

Ni*


(Texto roubado ao passado)



CATARSE (Textos para ler e deitar fora IV)



Abro a caixa do Inverno...
Tiro as cores que cobriram o verde, os ventos frios, branca parede,
os cânticos de chuva, os transbordantes rios...
de onde fugiram todos os pássaros...
Para locais, de memórias mais vazios.

Colho uma a uma, as folhas da nossa história.
E encosto-as ao peito...
Lá, onde adormecias, como em eleito leito.
Tento sacudir a tristeza das mãos e guardar apenas as rimas,
libertas de nãos.

Recolho as lembranças de uma certa saudade,
que se me colou ao longo cabelo...
O mesmo que tu tocaste... o mesmo que dizias cheirar a jasmim...
O mesmo que te cobria o rosto quando, mergulhando em ti,
mergulhava em mim.

...
E, sem olhar para trás, avancei em direcção ao destino...
Seguindo as linhas que me indicavam o horizonte,
afastando-me do teu abraço...


Foi apenas... um passo...

Nin@...^^


(Texto roubado ao passado... para ler e deitar fora)

segunda-feira, abril 23, 2007

SER FELIZ AGORA


«(...) Que fazer? Isolar o momento como uma coisa e ser feliz agora, no momento em que se sente a felicidade, sem pensar senão no que se sente, excluindo o mais, excluindo tudo. (...)»
...
Bernardo Soares (F.Pessoa) in 'Livro Do Desassossego'
...
«A arte tem valia porque nos tira daqui»
...
A emoção perante Pessoa...
Ni*

quinta-feira, abril 19, 2007

AS CEREJEIRAS JÁ FLORIRAM, AMOR...

(Foto: Pedro Martins)


Podia dizer-te que me fazes falta.
Podia contar-te como as minhas mãos me contam dos seus gestos suspensos, porque tu não estás para acabar o verso.
Podia falar-te da vontade de desenhar reticências de chuva, com os silêncios que me escorrem dos olhos.
Podia dançar-te, num murmúrio de voz que te envolvesse em aromas de pomares, de tulipas e de afectos.
Podia voltar a dizer-te que me fazes falta no beijo há tanto tempo adiado, que trouxesse tudo com ele... o mar, as ondas, as gaivotas, as conchas, a vontade de ficar, o teu perfume que ainda guardo, invencível, na memória da minha pele.

...

Mas eu calo-me. Espero que tu saibas. Espero que tu sintas tudo o que te poderia dizer em cada momento que deixo por aí, livre, entregue ao som do vento, que insisto em oferecer diluído em abraços. Como toque de areia fina. Como toque de acaso encantado.

Espero que tu saibas. Espero que tu sintas.

É que as cerejeiras já floriram, amor...


Ni*




segunda-feira, abril 16, 2007

POESIA E CHOCOLATE...


Em especial para a Cleópatra...
...
Nas tuas mãos guardas as luas azuis, e na boca as rubras cerejas, com que festejarás a festa do abraço... que só os teus olhos reconhecem.
...
Ni*