terça-feira, novembro 28, 2006

CONFISSÃO

My Love


Please, come and find me, my love
I'm ready now, to come home
Please, come and find me, my love
Let's leave this place, let's leave no trace

Can you hear me, my love, I'm shouting in the
wind,
Can you hear me
Can you see me, my love, I'm drawing in the sand,
Can you see me
I hope that I'm still with you, as you are with me

You always will be

Please, come and find me, my love
I'm ready now, to come home
Please, come and find me, my love
Let's leave this place, let's leave no trace

Can you feel me, my love, I'm hurting so bad
Can you feel it
Can tell you about my thoughts, I wish that
You were here
Do you know it
The time that I've had, don't need anymore
You're the one I wait for

Please, come and find me, my love
I'm ready now, to come home
Please, come and find me, my love
Let's leave this place, let's leave no trace

Please, come and find me, my love
I'm ready now, to come home
Please, come and find me, my love
Let's leave this place, let's leave no trace



*
Hoje sonhei que acordava ao teu lado.
E foi esta música, com dedos de memórias que me tocavam, que me acordou...
...
Não sei se foi... é... amor ou não, mas já não me preocupo em dar a todas as coisas um nome próprio, porque o que não tem nome perdura para lá de todos os tempos e existe fora de todos os dicionários.
...
Nunca sabemos para onde vamos.
Mas eu levo-te comigo.Sempre.
...
Só tu podias ser os passos ao lado dos meus. Só tu.
...
Eu sei que o sabes.
Assim como sei que me negarás, muitas vezes três vezes, ainda que isso te seque por dentro.
...
Será isso amor, amor?
(...)
Ni*, excerto in 'Cumplicidades', contos (um projecto)

sexta-feira, novembro 24, 2006

tempUS



tempUS de insónia...

tempUS de espera, enquanto o 'pão de queijo' está no forno... mesmo a esta hora da madrugada...

tempUS de reflexão... de (in)decisões... nesta fase da vida onde sabemos, sobretudo, o que NÃO queremos.

tempUS de sentir que o caminho pessoal se faz a 'um'... sempre... ainda que tenhamos, por vezes, a ilusão da companhia.

...


Recuperei este 'post', de Novembro...

... porque a Cleópatra, com o seu post de hoje, e naquelas associações com que a nossa mente nos brinda... me avivou a memória.

...porque me questiono, nesta minha interminável idade dos 'porquês'...


...porque 'sim'.

.


Ni*


.


('N. então não lhe vais telefonar? «Não. Se for mesmo ele o meu príncipe... ele vem sem lhe telefonar. E fica.»'...)


...


Não telefonei.

Não veio.

Não era amor.


...




...

tempUS de encontro entre duas amigas.


...

Qualquer semelhança com a realidade... já sabem...


...


« - Pega no telefone e liga-lhe! Não tens nada a perder... diz-lhe que tens saudades dele, que ninguém te faz tão feliz, que os teus dias são frios e áridos. Ermos. Ele vai gostar da palavra. Ou não, sei lá. Dizes que ele te critica por tudo, até por falares bem demais. Pega no telefone e liga-lhe! Se ele não atender, deixa-lhe uma mensagem. Ou então escreve-lhe uma sms e diz que sentes a falta dele. Mas não a elabores demais... os homens nunca perceberão essa tua mania de desenhar poesia até nas listas de supermercado! Tens de ser clara, discurso directo, incisivo. Não te rias! 'Incisivo' fez-te lembrar o quê? Molares e caninos? Ai que parva, N.! Felina é o que tu és! Ou estás com.... medo? Não podes ter medo! O medo é o maior inimigo do amor. Ai tenho razão? Tu a concordares comigo?! Repete... gostei do que disseste! « Cada vez que deixares entrar o medo nas tuas veias, ele vai gelar-te o sangue e paralisar-te os afectos. Ficas transformada numa estátua de sal e morres por dentro. » ... gostei N. mas são estas coisas que não lhe podes escrever. Um homem não gosta, pois claro que não. Porquê? Ora, porquê. Porque não. «Sou uma sobrevivente à procura de uma luz que me leve por um caminho com menos pedras»? N... a vida é uma incógnita, hoje estás aqui, amanhã pode cair-te um piano em cima quando fores a andar na rua. Ainda há pessoas que atiram pianos pelas janelas? Há pois! Nunca se sabe como será o dia de amanhã, por isso não percas tempo, pega no telefone e liga-lhe. Tenho a certeza que ele te vai ouvir, tenho a certeza que ele, à sua maneira - e é tão estranha a forma como os homens gostam de nós - gosta de ti. Ele olha para ti por entre brumas e memórias. Pega no telefone e liga-lhe. A vida é tua, tens de ser tu a vivê-la, não podes deixar que ela passe por ti, tu é que passas por ela. Está bom, este teu bolo. «É um bolo de saudades para esquecer a mágoa». tu... é um bolo de chocolate! O teu 'Fofo de Chocolate'. Delicioso. Melhor do que o teu arroz doce. Noutra vida deves ter sido doceira!... N. nunca deixes de sonhar que um dia, tal como eu, vais encontrar alguém que te ensine a ser feliz, mesmo com todas as pedras que encontrarem no caminho.... não chores... acredita, muda! A vida vai mudar contigo. Não chores... príncipe encantado, N.? Há? « Há. Ouvem-nos com atenção e entram-nos no coração bem devagar, respeitando o silêncio das cicatrizes que só o tempo pode apagar. Não é o que diz 'amo-te', mas sente que talvez nos possa amar para sempre. Não é o que olha todos os dias para nós, mas o que olha por nós todos os dias. Que partilha a vida e vê em cada dia uma forma de se dar aos que lhe são próximos. O príncipe encantado é um príncipe porque governa um reino de afectos imensos, porque sabe dar e partilhar, porque ajuda, apoia e nos faz sentir que somos mesmo muito importantes. N. então não lhe vais telefonar? «Não. Se for mesmo ele o meu príncipe... ele vem sem lhe telefonar. E fica


...





sábado, novembro 11, 2006

AINDA TÊM SONHOS, OS MEUS OLHOS...




O que sei, já alguém o sabia antes de mim.
Insensatez, acreditar que não é assim.
Exclusivamente meu é apenas este coração!
Que insiste, e recusa ser escravo das sombras,
porque transporta memórias
do pó da estrela de onde veio.
Afecto feito emoção.
E que me grita, no silêncio inquebrável do seu eco,
que a vida tem dois sentidos invertidos, mas nunca proibidos.
E eu estou no meio deles.
Como quem é apanhada, de surpresa, por correntes contrárias.
Fogos cruzados de deusas adversárias.

E os meus olhos,
estes barcos sem cais,
que atravessam a chuva, temporais,
com mastros quebrados na passagem de tantos cabos...
Não naufragam...
Riscam no horizonte o limite da luz,
onde se escondem todas as asas de pássaros feridos,
mas não vencidos!
Disfarçados de luas brancas...
soltando brilho em vez de gemidos.

Ainda têm sonhos, os meus olhos...


Nina

Lisboa, numa madrugada... num momento...




sexta-feira, novembro 10, 2006

PERDOAR


...perdoar quem não merece perdão.
É tão difícil...
Mas talvez seja exactamente isso o perdão.
...
Mas é tão, tão difícil!
Ni*

quinta-feira, novembro 02, 2006

DEUSES


«Os deuses jogam dados e não perguntam se queremos participar no jogo»
Paulo Coelho
:..*..:
ESPERA
(En Attendant)

**Nin@**

No olhar, a ave que se recusa a migrar...
Memória de um outrora, onde o azul era quente.
E o sol presente,
mesmo após o poente.
E no rio branco que me percorre
E que desagua nas palavras por dizer...
O silêncio, o insuportável e interminável silêncio!
Que cala as músicas dançadas,
as rotas para um futuro traçadas.

Saudades do horizonte...
Da linha que separa a Esperança da Fé...
O Querer do Crer...

Nas mãos, vazias, ainda perdura o espaço das tuas,
dos bosques desvendados, dos ventos partilhados...
Que nos faziam sentir alados.

E numa fracção de segundo
Fui e regressei ao nosso mundo.
Não passado.
Não inventado.
Não recriado.

País entre o aqui e o tempo por acontecer...
Talvez outro viver.
Talvez se chame coração.
Talvez distante de ti...
apenas um estender de mão.

Talvez 'ESPERA'...
Da abertura do portal...
E de voltar a ser 'una' noutra esfera.

(...)

Nin@
:..*..:
Nota: Estes textos podem ser retirados a qualquer momento. Escrevo e anulo. Como se tudo o que escrevo, cada vez mais, me soubesse a pouco. Tal como este blog, que 'já vai longo', porém circular.
Como lago, em que a água não flui... e já não faz sentido.

quarta-feira, outubro 18, 2006

EFÉMERA...

Há rotas que semeamos na procura da verdade... são os passos de luz que deixamos pela vida, como traços digitais da nossa essência, ainda que efémeros...

Ao longo do caminho já encontrámos muitas ideias que nos seduziram e habitaram em nós, com a força suficiente para condicionar o nosso sistema de crenças.

No entanto, passado algum tempo, muitas das verdades acabavam por ser abandonadas porque não suportavam as nossas interrogações internas, ou porque uma 'nova verdade', incompatível com aquelas, competia dentro de nós por um mesmo espaço.

Ou simplesmente porque essas verdades deixavam de o ser.

Aqueles conceitos que tinhamos tido como referentes deixavam de o ser e encontrávamo-nos, rapidamente, à deriva. Donos do leme do nosso barco e conscientes das nossas possibilidades, mas incapazes de traçar um rumo fiável.

Lembro-me de uma passagem de O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry:

«Nas suas viagens pelos pequenos planetas da sua galáxia encontrou-se com um geógrafo, que anotava, num grande livro de registo, montanhas, rios e estrelas.

O principezinho quis registar a sua flor (aquela que tinha deixado no seu planeta), mas o geógrafo disse-lhe:

- Não registamos flores, porque não podem tomar-se como referência as coisas efémeras.

E o geógrafo explicou ao principezinho que efémero quer dizer ameaçado de rápido desaparecimento.

Quando o principezinho ouviu isto, ficou muito triste. Tinha-se dado conta de que a sua rosa era efémera...»

E então, por um lado, pergunto a mim própria: será que existem verdades sólidas como rochas e imperturbáveis como acidentes geográficos? Ou será a verdade apenas um conceito que traz em si mesmo a essência da transitoriedade e fragilidade das flores?

E, por outro lado... será que por acaso as montanhas, os rios e as estrelas não estão também ameaçados de rápido desaparecimento?

Quanto é 'rápido' comparado com 'sempre'?

Não serão as montanhas, segundo este ponto de vista, também efémeras...?

...

Há rotas que semeamos na procura da verdade... são os passos de luz que deixamos pela vida, como traços digitais da nossa essência, ainda que efémeros... como tudo.

Ni*



sexta-feira, outubro 13, 2006

BREVIDADE ... Breve idade


(...)

Nasci hoje de madrugada
vivi a minha infância esta manhã
e cerca do meio dia
já passava a minha adolescência.
E não é que me assuste
que o tempo passe por mim tão depressa.
Só me inquieta um pouco pensar
que talvez amanhã
eu seja
demasiado velha
para fazer o que deixei pendente.




quinta-feira, outubro 05, 2006

CUANDO TUS OJOS DEJEN DE BRILLAR




«(...) Se moría mi alma... ni siquiera la llenaban los recuerdos ni los momentos secretos...

...La luna llena se asoma tímidamente... hay nubes que quieren robárnosla y yo casi siento miedo... Tu y la luna sois mi alimento... y no os tengo...

... sentirme tuyo a la luz de cualquier Palencia... dejar que me despidieras como en Casablanca... saber que siempre nos queda París... que siempre habrá un país para que vivan nuestros sueños...

Quizás sea por eso que deseo cambiar el tiempo de estos recuerdos... dejar días transcurridos y ocasiones perdidas por ese presente que aguarda cada vez que te pienso... sentir que el futuro no queda lejos... que lo estoy alcanzando y casi te tengo...

No escribiré más graffitis en los baños de caballeros... sabré encontrarte allí donde estés... para susurrarte con caricias:

Cuando tus ojos dejen de brillar... mi reina... A la luz de mi vela... Mis entrañas estallarán... Busca entonces en los cubos de basura y encontraras un corazón rojo, rojo, rojo... que te anhela
... »

*
.:::.
.
Alguém dixit... e eu gostei.

domingo, setembro 03, 2006

MODUS VIVENDI


Rir...

Saber ver o lado bom da vida. Encontrar a parte positiva de tudo/todos. Dançar a dança do ventre existencial. Usar o sentido de humor como especiaria que condimenta todos os contratempos vitais.
...

Sem risos, o Universo inteiro ficaria silencioso à espera do bater da primeira pulsação...

...

(...)

E o sorriso com que me enlaças,
dentro do meu corpo pousa como uma ave...
Sorve do meu passado o momento presente adivinhado...
E abre portas, gavetas, rios, fontes e afectos.
Alimenta-me com doces pérolas de uva branca,
E estradas desenhadas nas asas dos pássaros que virão.
...
Só tu me preenches de sorrisos assim...
Só tu, espelho de mim.
(...)
Sorriso e o meu abraço de vento...
Ni*

sexta-feira, julho 14, 2006

AMOR SEM DONO


Amor Sem Dono
Nina Castro

Sou...

Essência inteira, una, verdadeira...
Nem metade, nem o dobro.
Do fruto e da vida sou o todo!
Vontade de ir além do além e mais além.
Abraçar o tempo-espaço que ainda não é de ninguém.
Sem sal no olhar pelo que já foi.
Sem páginas de vidas coladas...
depois de rasgadas...
O vento curou a ferida do que já não dói.

E refazer as rotas de marés agitadas.
Firme no leme deste meu coração-razão veleiro.
Ressuscitar centelhas divinas naufragadas.
Louvar as palavras-mantras resgatadas.
E beber o segredo do Amor último
com sabor sempre a primeiro.

Sou...

Amor no feminino.
Ora dócil ora felino.
Encaro firmemente o caminho.
E com mãos-cálice de ternura desenho o destino.
Não me vendo.
Não me rendo.
Apenas me dou...
... num momento...
num fragmento...
faço-me eterna, maga-mulher...
Que sabe e escolhe o que e quem quer.

Sem dono, sem senhor, sem dor.
Sou MULHER-AMOR!

Lisboa, 5/7/2006






~***~

Carinho e o meu abraço de vento

Nina

segunda-feira, julho 10, 2006

FRAGILIDADES


Talvez a vida magoasse menos, nalguns momentUS, se não precisássemos de dizer adeus.

Ou melhor, de o balbuciar, como quem o conjuga de perfil e, da primeira à última sílabas, o compreende na semântica, na gramática, ou num sentido oculto que se resguarda (perdido) nas entrelinhas.


Ni*

sábado, junho 24, 2006

PARA TI, QUE 'ME SABES'... OU QUE 'ME SENTES...assim me vou.'




Vontade de voltar 'para casa...'
As páginas le luz 'aqui' acabaram...
Ni*


AMOR E INOCÊNCIA




As histórias de amor nascem da inocência.

Acredito. Acredito sim. Acredito que é assim.

E vive-se sem horas, lânguido e longamente...

O amor ainda é a encruzilhada de sentimentos que nos separa da morte e da vida. E há, realmente, pessoas que nos viram do avesso, nos tiram as nuvens do olhar, e banham de sol o nosso coração.

A redenção com que o amor se dá é mais do que uma forma de ver o mundo pelos olhos do outro. É uma forma de ver para além dos nossos olhos e dos dele.

O amor não é bem um encontro de verdades. É melhor! É confiarmo-nos a alguém e entregar, pela mão dos olhos dele, o nosso olhar ao desconhecido, guiados pela esperança de vir até nós «um infinito de nós dois».


Abraço de vento...
Ni*

segunda-feira, junho 19, 2006

PALAVRAS AO OUVIDO




Há pessoas que são, para nós, como os poetas: põem palavras onde, antes, só havia sentimentos. Palavras que interpelam o que sentimos e lhes respondem. Com gestos. De surpresa.
São gestos que, parecendo um tudo-nada, tocam cá dentro e fazem do 'perto' 'muito perto'... e sentimos uma liberdade que se perde de vista.

A esses gestos - que nos revolvem - podemos chamar, simplesmente, comunhão. Ou, timidamente, amor.

Como se fossem um regresso a um paraíso que parecia perdido e, ao mesmo tempo, um lugar que se sente e se saboreia quando se visita pela primeira vez...

Como se fosse possível, para sempre, trazer para dentro de nós quem nos queira dentro de si. E nos presenteie com um perto muito perto, que nos devolva à comunhão e restaure com beleza a fé na vida, onde, antes, se formara um ermo nos nossos sentimentos...

Abraço de vento...
Ni*

domingo, junho 18, 2006

ENTRE O SONHO E A ALMA

Há uma linha ténue, percorrida por veleiros delineados na Luz, onde a alma deixa recados tecidos nas asas das gaivotas.
... E o teu nome está em todos eles...
...
Mas eu quero mais!
Muito mais!
...
Abraço de vento...
Ni*



sexta-feira, maio 05, 2006

MONÓLOGO






«...


Já fizeste um dominó? Já pensaste que a existência humana é, tantas vezes, assim? Passamos dias, semanas, meses, anos, a construir os nossos sonhos e, num breve instante, alguém tropeça neles e tudo se desfaz e desmorona, numa sucessão de azares impossível de travar.

Quando o meu dominó começa a cair, junto-lhe mais peças na cauda e aproveito para limpar fantasmas na enxurrada. Ao menos sofro tudo de uma vez, condenso a frustração num par de dias e fico a enxaguar a tristeza até ela secar ao sol.

Depois, com muita calma, começo a montá-lo outra vez e, aos poucos, vejo-o crescer sozinho, como se o embate que faz cair as peças tivesse o poder de as levantar.

...

Sou e serei a mulher mais persistente que se cruzou no teu caminho.

...

Sísifo, filho de Éolo e rei de Corinto, é a encarnação da fadiga eterna; durante dias, meses, anos, séculos, tentou colocar no alto de uma montanha uma enorme pedra. No entanto, cada vez que se aproximava do cume, a pedra caía, resvalando pela encosta abaixo, obrigando-o a começar de novo a ingrata e árdua tarefa.

Serei eu tão insensata a ponto de fazer o mesmo com os meus sonhos?

... »




Ni*... numa noite em que me escondi do sono.

segunda-feira, maio 01, 2006

PRETÉRITO MAIS QUE IMPERFEITO




«(...)


Era, realmente, mais fácil se, no lugar de um adeus, fossemos rebeldes, simplesmente, irascíveis, ou, então, vaidosos e impertinentes, diante de tudo o que nos salta do coração até ao corpo. E, mais ainda, se as palavras se esgueirassem pelos olhos e falassem à margem de tudo o que sentimos. E, sempre que um adeus hesitasse na garganta, elas nos traíssem numa nesga de sílaba ou num gesto estonteante.


Mas, como acontece tantas vezes, há palavras que são da nossa família sem que tenhamos, alguma vez, percebido o que querem dizer. É assim o 'adeus'. E, por mais que se faça da família, todo o adeus amachuca o coração. E transforma, vezes demais, cada memória num pretérito... mais que imperfeito.»

...
..::..

in 'Dizer adeus sem dar por isso'

Ni*



quinta-feira, abril 27, 2006

O 43201º MINUTO




Às vezes, acontecem, na nossa vida, momentUS assim.
Em que um mês não são trinta dias. Em que um mês não é, apenas, mais um mês. Às vezes, acontecem, na nossa vida, meses que são 43200 minutos em que nascemos. Nascemos nas palavras e nos gestos que redescobrimos, no desejo que não calamos, na ternura que em nós transborda, no prazer que nos enche o corpo e a alma. Nascemos na voz e nascemos na pele e nascemos, ainda, no sorriso. E na paixão. Às vezes, acontecem meses, na nossa vida, em que nascemos. Apenas nascemos. Às vezes, acontecem momentos nas nossas vidas em que não nos preocupamos como será daqui a um mês ou daqui a um ano. Às vezes, acontecem meses na nossa vida em que só o 43201º minuto conta.


... e nesse, eu estou contigo.


Ni*

sábado, abril 08, 2006

O ZAHIR...


ZAHIR
«Segundo a tradição islâmica, o Zahir é algo ou alguém que, uma vez tocado ou visto, nunca é esquecido - e vai ocupando o nosso pensamento até nos levar à loucura...»
..::..
«O meu Zahir tem um nome, e o seu nome é Esther»
..::..
Assim se nos apresenta o narrador deste romance de Paulo Coelho.
O Zahir é a sua esposa, Esther, com quem é casado há mais de dez anos. Tudo parecia bem entre eles, até ao dia em que ela desaparece sem deixar vestígios. A polícia coloca várias hipóteses:
rapto, assassínio e envolvimento com terroristas – ela foi correspondente de guerra no Médio Oriente – sem chegar a uma conclusão.

Mas ele, o marido, sabe a resposta: ela abandonara-o simplesmente sem se despedir, sem dizer para onde ia nem por que o fazia . Esther saiu da sua vida e acabou por ocupar a sua mente pois, diante de tantas perguntas sem respostas, para ele tornou-se impossível parar de pensar nela. Por que ela desistiu? Onde está agora? Com quem está? As interrogações não o deixam encontrar a paz e acabam por guiá-lo numa viagem em busca da esposa desaparecida e de si mesmo.

"O Zahír" é uma história de grande subtileza e coragem e uma reflexão cuidada acerca do verdadeiro preço dos compromissos que assumimos na e com a vida.

Recomendo a leitura deste livro. Sei que Paulo Coelho é um escritor que provoca reacções extremas: idolatra-se ou abomina-se (por vezes sem se conhecer a obra, apenas porque a elite intelectual decidiu denomina-lo superficial, comercial).

Há livros de Paulo Coelho que valem por uma frase, uma só. Como uma espada que nos trespassa, nos incomoda, nos agita, nos obriga a reagir, a SER.

O Zahir é diferente. Intenso. Todo. Total.
Talvez porque, mesmo sem o assumir, é a sua verdade de «vida vivida».
Há passagens que reli inúmeras vezes.
E de cada vez me acrescentava algo.



Deixo um excerto. Se depois de o lerem ficarem pacificamente indiferentes... esqueçam este post.

« - Digamos, então, que preciso de estar sozinha.
(...)
- O que é que está mal na tua vida?
- Justamente isso. Tenho tudo, mas estou infeliz. Não sou a única, no decorrer destes anos convivi ou entrevistei todo o tipo de pessoas: ricas, pobres, poderosas, acomodadas. Em todos os olhos que se cruzaram com os meus li uma amargura infinita. Uma tristeza que nem sempre era aceite, mas que estava ali, independentemente do que me diziam. Estás a ouvir?
- Estou a ouvir. Estou a pensar. Na tua opinião, ninguém é feliz?
- Algumas pessoas parecem felizes: simplesmente não pensam nisso. Outras fazem planos: vou ter um marido, uma casa, dois filhos, uma casa de campo. Enquanto estão ocupadas com isso, são como touros em busca do toureiro: reagem instintivamente, seguem em frente sem saberem onde está o alvo. Conseguem o seu carro, às vezes até conseguem o seu Ferrari, acham que o sentido da vida está ali, e nunca fazem a pergunta. Mas, apesar de tudo, os olhos mostram uma tristeza que nem elas mesmas sabem que carregam na alma. És feliz?
- Não sei.
- Não sei, são todos infelizes. Sei que estão sempre ocupados: fazem horas extra no trabalho, cuidam dos filhos, do marido, da carreira, do diploma, do que fazer amanhã, do que falta comprar, do que é preciso ter para não se sentir inferior, etc. Enfim, poucas pessoas me disseram : "Sou infeliz". A maioria diz-me: "Estou óptimo, consegui tudo o que desejava." Então pergunto: "O que o faz feliz?" Resposta: "Tenho tudo o que uma pessoa pode sonhar - família, casa, trabalho, saúde.". Pergunto outra vez: "Já parou para pensar se isso é tudo na vida?" Resposta: "Sim, isso é tudo." Insisto: " Então o sentido da vida é trabalho, família, filhos que vão crescer e deixá-lo, mulher ou marido que se transformarão mais em amigos do que em verdadeiros apaixonados. E o trabalho vai terminar um dia. O que fará quando isso acontecer?" Resposta: não há resposta. Mudam de assunto. Na verdade, respondem:" Quando os meus filhos crescerem, quando o meu marido - ou a minha mulher - for mais meu amigo do que um amante apaixonado, quando eu me reformar, terei tempo livre para fazer o que eu sempre sonhei: viajar." Pergunta:" Mas não disse que era feliz agora? Não está a fazer o que sempre sonhou?" Aí sim, dizem que estão muito ocupados e mudam de assunto.
Se eu insisto, acabam sempre por descobrir que estava a faltar alguma coisa.»


Paulo Coelho, in 'O ZAHIR'