*
(Para ver as fotos no tamanho original... basta 'clicar' sobre elas)
segunda-feira, dezembro 22, 2008
AMO-TE, LISBOA! (III)
domingo, dezembro 21, 2008
QUANDO OS ANJOS VESTEM DE PRETO E DANÇAM...
E de repente... mãos-asas-espadas-de-luz rasgam no ar as trevas. O fogo nos olhos-memórias de um guerreiro... activam poros salgados, misto de deserto, de lamento e de fados. Nos gestos adivinhados... o odor a ancestrais duelos finais, noutros planos travados. E de repente... a palavra faz-se dança, escrita num codificado bailado. A UM, num apelo para reencontrar quem quer a caminhar ao seu lado: a sua metade de asa... a sua casa.
quarta-feira, dezembro 17, 2008
ASSUMO! MUDEI DE RUMO...

(...)
Ni*
(Conceição Castro)
Não recuo perante o querer.
Não desisto do crer.
Não adormeço a ousadia
sob os lençóis do tempo.
Nem me aprisiono ao medo!
Tenho sempre por rumo e destino
a alvorada no meu olhar.
Há sempre em mim uma súplica
Atraindo-me os olhos, os passos,
para o que chamam 'risco'.
Eu arrisco!
Espreita-me o desafio, o desconhecido...
Mas não cedo, tão cedo,
ao lago estagnado do caminhar comandado.
Sou de sóis, de luas e de lutas.
Antecipo-me a saber das flores
Que podem brotar nos meus caminhos...
Mesmo sob muralhas de espinhos,
Aspiro e respiro com avidez
a fragrância da vida!
Não submeto o meu coração
Aos ditames da busca da certeza.
Como o pão na cama
Faço amor sobre a mesa!
É de arrepios e estremecimentos
Que a pele também respira!
Permito-me a nudez da dúvida...
A partir de agora...
Caminho vestida de branco...
E só sei que amo a aurora...
Nada sei de gestos contidos
Solto-me em atitudes e sentidos!
Não escondo as impressões digitais
Das portas que vou abrindo.
Nem ponho luvas nas minhas mãos
Quando elas clamam por carícias...
...
Assumo!
Mudei de rumo.
Sou mulher que saboreia os jasmins
E já que todos os caminhos não têm fins...
Bebo as tuas palavras, faladas,
que têm o travo de framboesas e delícias.
Ni*
terça-feira, dezembro 16, 2008
domingo, dezembro 14, 2008
DIZ QUE TENHO SAL...
8 ou 80
Sinto que vou emergir
Já sei de cor
Todas as canções de amor
Para à conquista partir
Diz que tenho sal
Não me deixes mal
Não me deixes
No livro que eu não li
No filme que eu não vi
Na foto onde eu não entrei
Notícia do jornal
O quadro minimal
Sou eu
Vida à média rés
Levanta os pés
Não vás em futebóis
Apesar do intervalo
Que é quando eu falo
Para não me incomodar
Diz que tenho sal
Não me deixes mal
Não me deixes
No livro que eu não li
No filme que eu não vi
Na foto onde eu não entrei
Notícia do jornal
O quadro minimal
Sou eu
Não me deixes
Na história que não terminou
Não me deixes
No livro que eu não li
No filme que eu não vi
Na foto onde eu não entrei
Notícia do jornal
O quadro minimal
Sou eu
Eles chamam-se "Per7ume".
E eu gosto. Muito. Hoje, em que me sinto uma lua rasgada daquele céu que desejo há tanto, tanto tempo.
DEZEMBRO... 14...
sábado, dezembro 13, 2008
«QUEM ÉS TU?»... UM BLOG ONDE O CHÃO DA ALMA É PARTILHADO...
sexta-feira, dezembro 12, 2008
O RIO DAS PERDAS

A equipa de psicólogos de um grande hospital pediu-me uma palestra sobre perdas.
Perdas de quê? Dinheiro, saúde, emprego, amor, juventude, beleza… perda da alienação quando se aproxima a morte, nossa ou de alguém próximo, desconstruindo tudo o que parecia sólido em nós?
Qualquer perda. Pois, no trabalho deles, lidavam com isso o dia todo.
O que podia eu dizer a esses competentes profissionais que diariamente enfrentam os dramas que afluem a um hospital, aquele rio de perdas que se enfia por todos os cantos, atrás de cada porta ou biombo atingindo alguém com todo o direito de chorar ?
Então procurei ser simples: falar das naturais dificuldades em lidar com qualquer perda - também fora do contexto hospital, saúde, vida e morte.
Primeiro, não queremos perder.
É lógico não querer perder. Aliás, nem deveríamos ter de perder nada: saúde, pessoas, posição, dignidade ou confiança. Mas uma constante alternância de ganhos e perdas forma em parte a nossa humanidade ameaçada. Nós somos também isso.
Segundo, perder dói mesmo.
Não há como não sofrer. É tolice dizer "não sofras, não chores". Também o luto e a dor são importantes - desde que não nos paralisem demasiado por demasiado tempo.
Terceiro, precisamos de recursos internos para enfrentar a dor.
O apoio dos outros é relativo e passageiro. A força decisiva terá de vir do nosso interior, onde se depositou a bagagem da nossa vida. Lidar com a perda vai depender do que encontramos ali: se nesse lugar crescem árvores sólidas, teremos onde nos agarrar. Se houver apenas plantinhas rasteiras, estaremos mal. Por isso, aliás, a tragédia faz emergir forças insuspeitadas em algumas pessoas, e para outras aparece como uma injustiça pessoal ou uma traição da vida.
Uma doença grave, um insulto à dignidade ou o esvaziamento da nossa confiança deixam-nos encurralados. Já não vemos sentido em nada, e isso será mais difícil se até ali corremos desnorteados no tempo em que, sem reflectir nem apreciar, ainda possuíamos isso que agora perdemos.
Não acho que seja preciso alta filosofia nem devoção ardente, nem acredito em muita teorização sobre o sentido da existência.
Mas creio numa expressão algo fora de moda, que no meu caso não tem conotação religiosa: vida interior. Que é o espaço da ética, dos afectos, da humildade e da coragem, da visão da nossa transcendência. Somos parte de um misterioso ciclo vital que é o da própria natureza, e nos confere sentido. Dentro dele, mesmo sendo insignificantes, temos grandeza. Mesmo sendo muito jovens, podemos ser maduros.
Por tudo isso, que não compreendemos mas podemos sentir, a vida vale a pena - também quando o mundo parece desabar sobre nós ou arrancar-nos das mãos aquela última pequena e pálida esperança.
Lya Luft
quinta-feira, dezembro 11, 2008
TRABALHO, MÚSICA, (DES)CAFÉ E CHOCOLATE...

Por 'aqui', a trabalhar... sem previsão de hora para terminar, talvez até que o cansaço me doa (ainda mais), aproveitando a concentração que o silêncio da noite sempre me ofereceu, ao som de Budha Bar III, bebendo descafeínados Dolce Gusto... seguidos de Pastilles Droste... misturando sentires, sabores... odores. E o prazer, quase lascivo, do chocolate que se enrola na minha língua, transporta-me à ilha-secreta-que-há-em-mim. E sorrio.
Ni*
segunda-feira, dezembro 08, 2008
PRECE...

Que eu saiba sempre encontrar o trilho até Ti...
Que os meus passos sejam de VIDA.
Dá-me a sabedoria de intuir,
da energia deixar fluir.
Conduz o meu pensamento,
E nos momentos de solidão...
Que assim seja, que assim se faça!
(...)
Nina
sábado, dezembro 06, 2008
EMBALA-ME NOS TEUS OLHOS TERNOS...
Ouço-me, frente a ti, a falar da chuva que marcou encontro bailado com o frio, e a minha voz segue, sem que eu a acompanhe, porque toda eu me aninhei na tua mão, que desenha na minha caminhos cruzados. Não quero falar do tempo. Nem dos anos que nos marcaram, a silêncio-ferro e mágoa-fogo, nem dos ventos que nos atravessaram. Cortantes, lâminas mutiladoras, impiedosas, de quem soubemos proteger a nossa inocência. A minha, guardo-a nos olhos, onde criei refúgios em horizontes líquidos e silêncios sem muros. Não temo que me saibas. Que me leias. Nem entendo o porquê da minha mão, quase adormecida num porto de abrigo (que não prende, apenas me convida a ficar, como quem vela pelo meu sono), se esgueirar, em sucessivos sobressaltos, como criança tímida a quem perguntam o nome. Os meus olhos não têm portas fechadas. São casas habitadas por sonhos guardados com ternura, em arcas sem fechaduras, como quem guardou o calor dos risos da infância ou a cumplicidade dos primeiros passos ao lado de outros passos. Tenho medo que penses que tenho medo. Gostaria que me dissesses que sabes que não quero falar do tempo. E que o meu olhar pode encontrar no teu um Norte e também um Nascente. Gostaria de te segredar que era apenas atrás da esperança de ti que percorri o mundo, mas tu partias sempre na véspera de eu chegar. Agora que estás aqui... embala-me nos teus olhos ternos.
Ni*
quinta-feira, dezembro 04, 2008
CADEIRA VAZIA...
Este Natal, mais um sem ti, vai-me doer a cadeira vazia, onde gostaria que te sentasses...
(AMO-TE PAI!)
Nina
quarta-feira, dezembro 03, 2008
ÍNFIMOS INFINITOS (II)

Uma palavra. Disse-a. Amo-te - uma palavra breve. Quantos milhões de palavras eu disse durante a vida. E ouvi. E pensei. Tudo se desfez. Palavras sem inteira significação em si, o professor devia ter razão. Palavras que remetiam umas para as outras e se encostavam umas às outras para se aguentarem na sua rede aérea de sons. Mas houve uma palavra - meu Deus. Uma palavra que eu disse e repercutiu em ti, palavra cheia, quente de sangue, palavra vinda das vísceras, da minha vida inteira, do universo que nela se conglomerava, palavra total. Todas as outras palavras estavam a mais e dispensavam-se e eram uma articulação ridícula de sons e mobilizavam apenas a parte mecânica de mim, a parte frágil e vã. Palavra absoluta no entendimento profundo do meu olhar no teu, palavra infinita como o verbo divino. Recordo-a agora - onde está? Como se desfez? Ou não desfez mas se alterou e resfriou e absorveu apenas a fracção de mim onde estava a ternura triste, o conforto humilde, a compaixão. Não haverá então uma palavra que perdure e me exprima todo para a vida inteira? E não deixe de mim um recanto oculto que não venha à sua chamada e vibre nela desde os mais finos filamentos de si? Uma palavra. Recupero-a agora na minha imaginação doente. Amo-te. Na intimidade exclusiva e ciumenta do nosso olhar mútuo e encantado. Fecha-nos o lençol na claridade difusa do amanhecer, estás perto de mim no intocável da tua doçura. Frágil de névoa. Fímbria de sorriso e de receio, de pavor, no meu olhar embevecido. Uma palavra. A primeira que em toda a minha vida me esgotou o ser. A que foi tão completa e absorvente, que tudo o mais foi um excesso na criação. Deus esgotou em mim, na minha boca, todo o prodígio do seu poder. Ao princípio era a palavra. Eu a soube. E nada mais houve depois dela.
Vergílio Ferreira, in 'Para sempre'
ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não
magoa, que se limita à alma; mas que não deixa,
por isso, de deixar alguns sinais - um peso
nos olhos, no lugar da tua imagem, e
um vazio nas mãos, como se as tuas mãos lhes
tivessem roubado o tacto. São estas as formas
do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
as coisas simples também podem ser
complicadas, quando nos damos conta da
diferença entre o sonho e a realidade. Porém,
é o sonho que me traz a tua memória; e a
realidade aproxima-te de ti, agora que
os dias correm mais depressa, e as palavras
ficam presas numa refracção de instantes,
quando a tua voz me chama de dentro de
mim - e me faz responder-te uma coisa simples,
como dizer que a tua ausência me dói.
Nuno Júdice, in 'Pedro Lembrando Inês'
Apenas uma palavra. Uma súplica apenas. Apenas uma aragem.
Apenas uma prova de que ainda estás vivo e à espera.
Não, nada de súplicas, apenas um respirar, respirar não,
apenas estar pronto, estar pronto não, apenas um pensamento,
um pensamento não, apenas o sono tranquilo.
Não há ter, apenas Ser, apenas o Ser que reclama o último alento,
a morte da respiração.
Nada disso - atravessando as palavras há restos de luz.
Franz Kafka, in 'Parábolas e Fragmentos'
______________*____________
"Ah, não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram!"
Bernardo Soares (1), in "Livro do Desassossego"(2)
(1) Heterónimo de Fernando Pessoa
(2) O livro que, se não existisse, tudo seria ainda mais incompleto. O meu livro de cabeceira.
segunda-feira, dezembro 01, 2008
ÍNFIMOS INFINITOS

*
José Saramago, in "Ensaio sobre a Cegueira"
*
Se o reflexo das tuas palavras te cobrisse o corpo como me cega
ambos saberíamos que só no
silêncio poderíamos ser felizes.
Ou duvidas que esse som alberga todos os desejos de dentro?
Se as cores do teu olhar se voltassem de novo para trás, ambos iríamos finalmente conhecer o sabor do desencontro.
Ou duvidas que essa memória nos carrega as noites?
Se cada sentido disto tudo se transformasse, não valeria a pena a volta
Ficaríamos na dúvida.
Pedro Branco, in "Escolhas"
*
"Porque nada é mais íntimo e indestrutível do que o silêncio partilhado. Tudo o resto são apenas palavras, sons, frases, coisas que qualquer um pode dizer. Podemos desdizer hoje o que dissemos ontem, podemos gritar hoje, por ódio, o que ontem segredávamos por amor. Mas o silêncio fica porque nunca mente, porque é tão íntimo que não pode ser representado, é tão envolvente que não pode ser rasgado."
(...)
"...nunca devemos amar em silêncio, nada é mais perigoso do que dividir com outrém os pensamentos vividos em silêncio. Um amor feliz precisa de turbilhão das palavras, das frases aparentemente inúteis e sem sentido, precisa de adjectivos, de elogios, do ruído das banalidades. Não há felicidade que seja tantas vezes fútil, tantas vezes inútil."
Miguel Sousa Tavares, in "Não te deixarei morrer, David Crockett"
"De vez em quando naufragava uma frota carregada de prata no oceano. A humanidade tentou desde sempre recuperar os tesouros afundados. No meu coração já se afundaram tantas frotas e toda a vida hei-de tentar trazer à superfície uma parte dos muitos tesouros que jazem lá no fundo. Ainda não tenho as ferramentas necessárias para isso. Vou ter de as fabricar a partir do zero."
Etty Hillesum, in "Diário 1941 - 1943"
sexta-feira, novembro 28, 2008
BELEZA PURA!
terça-feira, novembro 25, 2008
PEQUENAS INTIMIDADES...
Horas e horas seguidas de trabalho. Em excesso. Para além de...
A ele me entrego como numa busca de um abraço branco... dos que nos restituem a inocência de não sabermos a dor de pensar...
Noite fria. Chuva indecisa, a criar espelhos no chão...
O jantar, simples, num restaurante ao lado de casa...
O cansaço cala-me a voz, mas não esta eterna vontade de VIVER!
Respirar, de olhos fechados, a limpidez tranquila deste silêncio que sabe o meu nome de cor...
Em casa, o som enviado por uma aluna, toca(-me).
Hoje partilhei com os meus alunos música Barroca... terminei com Vivaldi. A Inês de Castro - sim, chama-se Inês e é uma Castro... como eu :) - disse que sentia vontade de dançar ao ouvir aquele som. Sorri. Desafiei: «Dança!». E ela dançou... (É mesmo uma Castro!) e reavivou em mim esta chama-paixão que é o ensino... a partilha de saberes, de momentos únicos.
E a noite continua... em direcção à madrugada, lendo e avaliando os trabalhos destes jovens que me ensinam o segredo da alegria simples.
Aqui. No meu refúgio...
segunda-feira, novembro 24, 2008
sábado, novembro 22, 2008
AMO-TE, LISBOA! (II)
(Para aumentar as fotos basta clicar sobre elas...)
- Pormenor da montra da pastelaria «A Brasileira», na Rua Augusta -



