sábado, dezembro 06, 2008

EMBALA-ME NOS TEUS OLHOS TERNOS...

O Coutinho Ribeiro, Manel como lhe chamo, do blog O ANÓNIMO, escreveu um texto SOBERBO: «Palavras lavadas pela manhã clara». Próprio de um homem em estado de graça, que faz das palavras magia. Gostei de o voltar a ler assim.

O Manel está a comemorar o 2º aniversário do blog e desafiou os/as amigos/as a escreverem um texto. Talvez seja do frio, ou do cansaço, ou por não me sentir no tal 'estado de graça'... mas o que escrevi, a partir do texto dele... é... um mero postal dos correios face a uma obra em dez volumes. :)

Só que não podia deixar de participar nesta comemoração-homenagem a alguém que estimo muito.


E saiu...'isto':




(O possível pensamento 'dela', em simultâneo com o teu... descrito brilhantemente no teu texto)


EMBALA-ME NOS TEUS OLHOS TERNOS.

Ouço-me, frente a ti, a falar da chuva que marcou encontro bailado com o frio, e a minha voz segue, sem que eu a acompanhe, porque toda eu me aninhei na tua mão, que desenha na minha caminhos cruzados. Não quero falar do tempo. Nem dos anos que nos marcaram, a silêncio-ferro e mágoa-fogo, nem dos ventos que nos atravessaram. Cortantes, lâminas mutiladoras, impiedosas, de quem soubemos proteger a nossa inocência. A minha, guardo-a nos olhos, onde criei refúgios em horizontes líquidos e silêncios sem muros. Não temo que me saibas. Que me leias. Nem entendo o porquê da minha mão, quase adormecida num porto de abrigo (que não prende, apenas me convida a ficar, como quem vela pelo meu sono), se esgueirar, em sucessivos sobressaltos, como criança tímida a quem perguntam o nome. Os meus olhos não têm portas fechadas. São casas habitadas por sonhos guardados com ternura, em arcas sem fechaduras, como quem guardou o calor dos risos da infância ou a cumplicidade dos primeiros passos ao lado de outros passos. Tenho medo que penses que tenho medo. Gostaria que me dissesses que sabes que não quero falar do tempo. E que o meu olhar pode encontrar no teu um Norte e também um Nascente. Gostaria de te segredar que era apenas atrás da esperança de ti que percorri o mundo, mas tu partias sempre na véspera de eu chegar. Agora que estás aqui... embala-me nos teus olhos ternos.

Ni*


quinta-feira, dezembro 04, 2008

CADEIRA VAZIA...





Este Natal, mais um sem ti, vai-me doer a cadeira vazia, onde gostaria que te sentasses...


(AMO-TE PAI!)



Nina

quarta-feira, dezembro 03, 2008

ÍNFIMOS INFINITOS (II)

Partilha de excertos de livros que me calaram as palavras... porque as diziam por mim.

Uma palavra. Disse-a. Amo-te - uma palavra breve. Quantos milhões de palavras eu disse durante a vida. E ouvi. E pensei. Tudo se desfez. Palavras sem inteira significação em si, o professor devia ter razão. Palavras que remetiam umas para as outras e se encostavam umas às outras para se aguentarem na sua rede aérea de sons. Mas houve uma palavra - meu Deus. Uma palavra que eu disse e repercutiu em ti, palavra cheia, quente de sangue, palavra vinda das vísceras, da minha vida inteira, do universo que nela se conglomerava, palavra total. Todas as outras palavras estavam a mais e dispensavam-se e eram uma articulação ridícula de sons e mobilizavam apenas a parte mecânica de mim, a parte frágil e vã. Palavra absoluta no entendimento profundo do meu olhar no teu, palavra infinita como o verbo divino. Recordo-a agora - onde está? Como se desfez? Ou não desfez mas se alterou e resfriou e absorveu apenas a fracção de mim onde estava a ternura triste, o conforto humilde, a compaixão. Não haverá então uma palavra que perdure e me exprima todo para a vida inteira? E não deixe de mim um recanto oculto que não venha à sua chamada e vibre nela desde os mais finos filamentos de si? Uma palavra. Recupero-a agora na minha imaginação doente. Amo-te. Na intimidade exclusiva e ciumenta do nosso olhar mútuo e encantado. Fecha-nos o lençol na claridade difusa do amanhecer, estás perto de mim no intocável da tua doçura. Frágil de névoa. Fímbria de sorriso e de receio, de pavor, no meu olhar embevecido. Uma palavra. A primeira que em toda a minha vida me esgotou o ser. A que foi tão completa e absorvente, que tudo o mais foi um excesso na criação. Deus esgotou em mim, na minha boca, todo o prodígio do seu poder. Ao princípio era a palavra. Eu a soube. E nada mais houve depois dela.

*
Vergílio Ferreira, in 'Para sempre'

_________*_________

Quero dizer-te uma coisa simples: a tua
ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não
magoa, que se limita à alma; mas que não deixa,
por isso, de deixar alguns sinais - um peso
nos olhos, no lugar da tua imagem, e
um vazio nas mãos, como se as tuas mãos lhes
tivessem roubado o tacto. São estas as formas
do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
as coisas simples também podem ser
complicadas, quando nos damos conta da
diferença entre o sonho e a realidade. Porém,
é o sonho que me traz a tua memória; e a
realidade aproxima-te de ti, agora que
os dias correm mais depressa, e as palavras
ficam presas numa refracção de instantes,
quando a tua voz me chama de dentro de
mim - e me faz responder-te uma coisa simples,
como dizer que a tua ausência me dói.

*
Nuno Júdice, in 'Pedro Lembrando Inês'

__________*__________

Apenas uma palavra. Uma súplica apenas. Apenas uma aragem.

Apenas uma prova de que ainda estás vivo e à espera.

Não, nada de súplicas, apenas um respirar, respirar não,

apenas estar pronto, estar pronto não, apenas um pensamento,

um pensamento não, apenas o sono tranquilo.

Não há ter, apenas Ser, apenas o Ser que reclama o último alento,

a morte da respiração.

Nada disso - atravessando as palavras há restos de luz.


Franz Kafka, in
'Parábolas e Fragmentos'

______________*____________

"Ah, não há saudades mais dolorosas do que as das coisas que nunca foram!"


Bernardo Soares (1), in "Livro do Desassossego"(2)

(1) Heterónimo de Fernando Pessoa

(2) O livro que, se não existisse, tudo seria ainda mais incompleto. O meu livro de cabeceira.



segunda-feira, dezembro 01, 2008

ÍNFIMOS INFINITOS


*
Partilho excertos de livros de que gostei. Talvez alguém que por aqui passe leve consigo a vontade de os ler, ou oferecer. Oferecer um livro a alguém é como escrever uma carta a essa pessoa. Ou muitas. Diariamente. Em cada segundo, que deixa de ser tempo e passa a ser afago. Para sempre. É. Para sempre.

Hoje, inaugurei no meu sorriso o meu mês 'de extremos'. Mês em que escolhi nascer. Mês em que o frio da ausência de alguns afectos tenta descobrir o caminho para a alma. (Ou para sair dela?). Mês em que os abraços são mais embalados, embrulhados em papel de seda. Suave, porém tão... frágil.


*
"Por que foi que cegámos, Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem."

José Saramago, in "Ensaio sobre a Cegueira"

*
Se o reflexo das tuas palavras te cobrisse o corpo como me cega
ambos saberíamos que só no
silêncio poderíamos ser felizes.
Ou duvidas que esse som alberga todos os desejos de dentro?
Se as cores do teu olhar se voltassem de novo para trás, ambos iríamos finalmente conhecer o sabor do desencontro.
Ou duvidas que essa memória nos carrega as noites?
Se cada sentido disto tudo se transformasse, não valeria a pena a volta
Ficaríamos na dúvida.

Pedro Branco, in "Escolhas"
*

*

"Porque nada é mais íntimo e indestrutível do que o silêncio partilhado. Tudo o resto são apenas palavras, sons, frases, coisas que qualquer um pode dizer. Podemos desdizer hoje o que dissemos ontem, podemos gritar hoje, por ódio, o que ontem segredávamos por amor. Mas o silêncio fica porque nunca mente, porque é tão íntimo que não pode ser representado, é tão envolvente que não pode ser rasgado."

(...)

"...nunca devemos amar em silêncio, nada é mais perigoso do que dividir com outrém os pensamentos vividos em silêncio. Um amor feliz precisa de turbilhão das palavras, das frases aparentemente inúteis e sem sentido, precisa de adjectivos, de elogios, do ruído das banalidades. Não há felicidade que seja tantas vezes fútil, tantas vezes inútil."


Miguel Sousa Tavares, in "Não te deixarei morrer, David Crockett"
*

"De vez em quando naufragava uma frota carregada de prata no oceano. A humanidade tentou desde sempre recuperar os tesouros afundados. No meu coração já se afundaram tantas frotas e toda a vida hei-de tentar trazer à superfície uma parte dos muitos tesouros que jazem lá no fundo. Ainda não tenho as ferramentas necessárias para isso. Vou ter de as fabricar a partir do zero."
*
Etty Hillesum, in "Diário 1941 - 1943"
*
“Pudéssemos viajar, não para lugares longínquos de paisagens tremendas, não ao encontro de outros povos, culturas e cheiros, outras gentes e sabores, mas ao interior uns dos outros.”
*
Rodrigo Guedes de Carvalho, in "A Casa Quieta"

sexta-feira, novembro 28, 2008

BELEZA PURA!

(Fotos tiradas hoje à tarde, no jardim do estabelecimento de ensino onde lecciono. Beleza pura... resultante da arte da D. Conceição, que toca com amor a Natureza. Há poucas Escolas assim...)
*
Ni*
*
(Para ver as fotos ampliadas... é só fazer um 'clic' sobre elas...)
*











terça-feira, novembro 25, 2008

PEQUENAS INTIMIDADES...

Horas e horas seguidas de trabalho. Em excesso. Para além de...

A ele me entrego como numa busca de um abraço branco... dos que nos restituem a inocência de não sabermos a dor de pensar...

Noite fria. Chuva indecisa, a criar espelhos no chão...

O jantar, simples, num restaurante ao lado de casa...







O cansaço cala-me a voz, mas não esta eterna vontade de VIVER!



Respirar, de olhos fechados, a limpidez tranquila deste silêncio que sabe o meu nome de cor...




Em casa, o som enviado por uma aluna, toca(-me).


Hoje partilhei com os meus alunos música Barroca... terminei com Vivaldi. A Inês de Castro - sim, chama-se Inês e é uma Castro... como eu :) - disse que sentia vontade de dançar ao ouvir aquele som. Sorri. Desafiei: «Dança!». E ela dançou... (É mesmo uma Castro!) e reavivou em mim esta chama-paixão que é o ensino... a partilha de saberes, de momentos únicos.

E a noite continua... em direcção à madrugada, lendo e avaliando os trabalhos destes jovens que me ensinam o segredo da alegria simples.


Aqui. No meu refúgio...












segunda-feira, novembro 24, 2008

EU MULTIPLICO O QUE TE FALTA E EM MIM EXISTE...



«Dá-me o que de possuir tu não te importas
e eu multiplico o que te falta e em mim existe...»

sábado, novembro 22, 2008

AMO-TE, LISBOA! (II)

O deambular por Lisboa, abraçada pela noite, num Sábado frio... mas com muita magia.
*
Ni

(Para aumentar as fotos basta clicar sobre elas...)

(Quero os meus direitos de autoria!!!)

(Há nos candeeiros de Lisboa segredos guardados... travo a gestos calados, a fados e a pecados.)

(Aiiiiiiiiiiiiiiiiiii.... depois do chocolate... eis a minha perdição!)
- Pormenor da montra da pastelaria «A Brasileira», na Rua Augusta -





(A LUZ... ao longo do túnel...)



(A alegria de uma tuna! Vozes e danças, ao som de música tradicional popular portuguesa.
Não pimba! Popular! Convidativa. Contagiante. Nossa! Impossível uma foto decente... eles não paravam. Nem eu! XD)

(Lisboa é uma barca de magia... ondas do Tejo nas calçadas, águas das ninfas na iluminação das fontes...)

(O Café Nicola é, por excelência, um dos cafés mais literários da capital. Fundado em 1787, por um italiano de nome Nicola, este foi o café eleito por Bocage. Em 1837 deu lugar a uma livraria e só em 1929 voltou a servir cafés. Hoje... é um local de encanto...)







(E a árvore de Natal iluminou-se! E, apesar do frio, o meu sorriso também...)




YO TE AMARÉ POR TODOS LOS HOMBRES QUE NO TE HAN AMADO..



Yo te amaré por todos los hombres que no te han amado,
por todos aquellos que no encontraron tu boca,
por los que no descubrieron en ti a todas las estrellas,
por los que pensaron que eras parte de la bóveda celeste
y no pudieron entender que tú ves el cielo desde arriba.

Yo te amaré por todos los hombres que fueron ciegos,
por los que nunca te vieron y por los que cerraron sus ojos,
por los que ni tan siquiera llegaron a soñarte
y por aquellos que perdieron su libertad en un sueño.

Yo te amaré por todos los hombres solitarios,
por los que jamás supieron que habitabas en esa soledad,
que allí estabas tú,
invisible como la poesía,
como este poema
y como mi vida.

Yo te amaré, amor, como si fuera yo todos los hombres,
como si toda la tierra fuera tuya,
como si creyese en Dios
y sintiendo desde mi alma
que solo existimos tú, yo
y todos los versos que me arrancas.

Rafael Reyes

~*~


E se o poema é de uma beleza inquestionável... o 'sentir' que dele emana fez-me... bem. Creio que estava a precisar de ler algo assim, escrito no masculino.


...

E sorrio.


Ni*

terça-feira, novembro 18, 2008

QUE ME LEIA QUEM ME SOUBER LER...



(...)

Não procuro mais, não penso mais, sigo-me. Encontro-me ao olhar para o mar, devolvo-me ao pegar na caneta e ao fazer dela a espada com que me resgato e combato pelo que sou, pelo que sinto. Ainda que doa. Ainda que não entendas. E em cada dia, página branca e pura, derramo-me em azuis. E, sempre com a cabeça levantada, percorro os caminhos da memória e volto mais forte. Não minto, nem com as palavras nem com os olhos. Que me leia quem me souber ler.

(...)


Ni*


«E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar... »

Fernando Pessoa





segunda-feira, novembro 17, 2008

IR... SEM NINGUÉM O NOTAR...

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«Só a inocência e a ignorância são
Felizes, mas não o sabem. São-no ou não?
Que é ser sem o saber? Ser, como a pedra,
Um lugar, nada mais.»
*
Fernando Pessoa



sexta-feira, novembro 14, 2008

quarta-feira, novembro 12, 2008

AMO-TE, LISBOA!!!

Lisboa... hoje... vista pela janela dos meus olhos.
(Para aumentar as fotos basta clicar sobre elas...)

Descer a rua... e respirar o ar azul... desta cidade que tanto amo...

E tu, Fernando Pessoa, sentado a escrever Lisboa... a bebê-la nas palavras... na dor de quem pensa...


Nem todas as sedas do Oriente... nem todos os veludos e brocados reais... se assemelham à beleza das flores.



O encanto de uma montra com cor de Natal...



Escadinhas de pedra... elevador de uma Santa Justa...
E a cidade, sempre menina, sempre tão bela...



Regresso ao passado...

Lindo!


Luz e sombra... os candeeiros, calados, envergonhados e ciumentos desta luz onde a cidade se aninha.


Telheiras... ao entardecer. Lua espantosa! Flores de lua...
O regresso a casa.
E na alma... a paz.
A paz...

CC

«... NOS OMBROS QUE ANSEIAM POR UMA CARÍCIA.»



Há noites assim, em que o tempo pára à nossa frente... e nos interroga se continuamos a corrida ou nos visitamos no passado. E nem o olhamos, a ele, ao tempo, ilusionista sedutor, nas suas permanentes e incandescentes tentativas de tornar o todo num nada. Porque tudo muda, tudo é fluido e frágil... sim, eu sei, e se eu quiser revisitar-me? Se quiser refugiar-me num daqueles dias em que a felicidade escapou aos olhos alheios e perecíveis? Se decidir voltar até mim, ao momento em que me despedi das flores dos dias que tomavam forma num rosto e num nome? E se decretar que a partir de hoje vou espalhando pelo caminho as esperanças de um beijo esquecido nos patamares cá dentro, a que costumam chamar alma? E se declarar que abrirei os braços a rios ébrios de afectos... até nunca me querer saciar? E se te desafiar, tempo, a descobrires todas as vontades depositadas pelos meus olhos em cofres e baús de anjos-poetas?

...

As almas comandam os dias, mas ainda mais as noites. Não tu, tempo. As almas!!! Quando o rasgar da saudade se sente a cada instante nos ombros que anseiam por uma carícia...


Ni*

domingo, novembro 02, 2008

sábado, novembro 01, 2008

CHOREI COM AS MÃOS...

Chorei com as mãos,
que ainda voam...
Pela tua voz,
pelo fogo que fica da música.
Por emoções soletradas
ou caladas
ou mais uma vida adiadas.
Por horas de palavras magoadas
que transcendem o quase-impossível.
Por fim...
Deixei-me ficar
serena,
sem melodia nos olhos.
E adormeci.
Tão abraçada a mim.
Tão longe de ti.

(Belíssima, a canção...)


“Close your eyes

Let me touch you now

Let me give you something that is real



Close the door

Leave your fears behind

Let me give you what you're giving me



You are the only thing

That makes me want to live at all

When I am with you

There's no reason to pretend that

When I am with you

I feel flames again



Just put me inside you

I would never ever leave

Just put me inside you

I would never ever leave you”
...

SUAVEMENTE...



Procura-me hoje, de olhos despertos

pelas minhas marés vivas.

Antecipa o meu sabor,

ainda que aparente travo a longe.

Porque estás tão, tão perto!

Espera-me hoje, suavemente...

Livre de tudo, menos de ti

E dos teus braços...

Sim, e dos teus braços.



sexta-feira, outubro 31, 2008

SÓ NÃO SABES...




Sabes... tu sabes que me questiono sobre o tempo, o fragmento, o momento. O cheiro da incerteza, o poema inacabado e abandonado, tatuado sobre a pele, despida e esquecida sobre a mesa. Lês-me o olhar e sabes que me perturbam as rimas do amor. Tão previsivelMENTE, estupidaMENTE e facilMENTE abraçadas a dor. Tu sabes, sabes sim, sobre as asas que tanta falta me fazem. Os sonhos-nuvens-rasto-de-saudade, a voz de alguém que me calou, a orfandade do aconchego de um abraço... vontade indomável que nem o vento acalmou. Sabes sobre os anjos, que acreditam em mim, quando escrevo sobre linhas paralelas de mundos invertidos, desencontrados... assim. Só não sabes que o teu toque fugaz e efémero é eterno em mim. E o único que quero. Só não sabes que é por ti que ainda espero...

Ni*


domingo, outubro 26, 2008

PENSO NO ETERNO QUE PODÍAMOS SER...





Por um fio. Enlaçam-me os dias que festejo por te ouvir, te saber. Por um fio. Ao tempo, com um gesto de mão-asa suspenso, peço-lhe que pare. Preciso que pare um momento para saborear, um a um, avidamente, os frutos que amadureceram na tua ausência. Sabor doce e líquido, para apagar as mágoas das horas vazias. Seria fácil pedir-te 'Vem comigo... '. É fácil adivinhar que nunca virias. As vontades extinguem-se em mim, mas não as emoções, porque de emoções sou feita. Diferente de ti, eu sei. Ainda sinto o frio das pedras com que calcetaste o teu peito. Em mim, o sonho conspira com as memórias. E penso no eterno que podíamos ser...

segunda-feira, outubro 20, 2008

HOJE APETECE-ME APENAS...

... parar tudo a que chamam inadiável e adiar.

Ouvir Diana Krall e deixar-me tentar... pela suavidade hipnótica deste som-tentação-à-tentação...

Sim, hoje... a sensualidade da blusa preta justa... do colar exótico onde o meu cabelo negro e despudoradamente comprido se enrola... murmura-me num convite quase lunar, quase uivado, que deixe todos os papéis e obrigações e me permita, simplesmente, dançar descalça...

...

domingo, outubro 19, 2008

AS PONTES DE MADISON COUNTY




"Do whatever is necessary to find happiness in your life, because it happens just once in a lifetime - if you're lucky!"


in "As Pontes de Madison County".


...


Ninguém fica indiferente a este filme. Fez parte da minha noite deste Sábado indeciso entre chuva forte, granizo, trovoada, sol, céu azul...

Impossível não sentir, aplicada à nossa vida, a pergunta 'E se...?'.

A frase transcrita em cima, é da personagem Francesca... um legado de amor aos filhos...

Que filme!
...






... ficaram durante bastante tempo abraçados. E ele murmurou-lhe:

«Só tenho uma coisa a dizer, apenas uma; nunca voltarei a dizê-la a ninguém, e peço-te que te lembres dela: num universo de ambiguidades, este tipo de certezas só existe uma vez, e nunca mais, não importa quantas vidas se vivam.»
...
in "As Pontes de Madison County".

Que livro!




sábado, outubro 18, 2008

RECADO... (para mim)




O teu próprio olhar fixa-te e interroga-te, no espelho casual, numa manhã de Sábado. Queres abrigar-te da interrogação, mas não consegues. Não fujas de ti. És livre. Agora és livre! E a água divina lava-te a memória e o sal. Sentes um sorriso que te sussurra para lhe abrires a tua vida e, de repente, se o quiseres... renasces. Acredita em mim! Ainda que agora doa... ainda que não saibas os contornos das linhas do mapa da terra das águas calmas, permite-te ser quem és! SimplesMENTE. Sente o corpo ressurgir da rotina enfadonha a que te submetes, sem nunca te permitires erros ou loucuras-puras-verdades, esquecendo o céu sobre ti. Os teus olhos, velhos guerreiros feitos prisioneiros durante tantas décadas, cravejam a terra que vais pisando e te vai gastando. Olha para cima: há todo um mundo autêntico à espera que o descubras de corpo inteiro. Olha para cima!
*
Ni*

sábado, outubro 11, 2008

AS ESCADAS QUE SÓ SE DESCEM...


Parei o momento e reconheci cada detalhe, de cada instante, daquelas escadas.
As escadas que só se descem.
Quando nos permitimos sentir frio, cansaço e vontade de nos enrolarmos, inertes.

«- Cada instante é diferente» dizes-me, com a certeza própria de quem acredita em certezas e nunca viu um encontro de silêncios e de solidões.

Cada silêncio é diferente.
Cada solidão é diferente.

Cada instante é o eco do instante primeiro.
Espelho do espelho do espelho do espelho... até o pararmos com o olhar.


Nunca entenderás que há escadas que só se descem.
...

Ni* (Escrito há algum tempo... )

quinta-feira, outubro 09, 2008

NUMA NOITE...

Post recuperado... lá atrás, no blog. O texto de partida é fantástico! Aliás... todos os textos daquele jovem autor...





Numa noite, com data certa, na pureza desta cidade que não cessa de me aveludar a pele...



Escrevo-te para te murmurar aquele 'amo-te' que me desenhaste há anos atrás. Murmuro-to hoje porque ainda te amo, embora te negue muitas vezes três vezes, e porque é esse ter-te no negar-te que me mantém viva. Sei que os meus cabelos negros te correm nas veias e o meu nome, que os meus dedos escreveram nos teus poros, morde-te a memória. Sei. Não há nada de ti que não saiba de olhos fechados, como caminho único. Mas o que conheci então é o meu passado. E hoje, frente às minhas mãos onde as linhas que te escrevo se cruzam com as tuas, o futuro chama-se espelho do espelho do espelho do que sempre fomos. Sonho-te todas as madrugadas, de olhos abertos, para de ti receber mais um dia em cada dia. Ou será mais uma vida, em cada vida? E assim, dormente, enroscada na interrogação, sou.



Volta.


Ni*





(Inevitável... escrever... face a um texto que li aqui e aqui... após uma noite de trabalho... de exaustão. E agora... vou dormir com a madrugada...)

domingo, outubro 05, 2008

DIVIDIDA


Ando sobrecarregada de trabalho!
Apesar da minha energia transbordante... estou numa daquelas situações em que é TANTO o que há para fazer... é TUDO para ontem... que não consigo estabelecer prioridades.

Ainda assim... e porque sou feliz em aula, e fora dela, com os meus alunos... criei um blog conjunto com eles...
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*
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É quase impossível fazer algumas correcções a todos os posts, porque em duas semanas... vão ver o que eles já partilharam...
Bom, muito bom... mas muito trabalhoso!
Deixo aqui um post do blog «QUEM ÉS TU?» : o texto foi iniciado por uma aluna, continuado por um colega meu... e também professor dessa aluna... e a seguir escrevi eu (porque estes meus dedinhos não conseguiram ficar quietos... e obedeceram a este vício da escrita...)
*
(Vão ler os 'meus meninos'... eles apreciarão uma palavra vossa!)
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LUZ


Estava escuro como breu e tu apareceste, Sol radioso e brilhante, trouxeste a felicidade de volta à minha vida. Iluminaste-me o caminho durante uma longa jornada que fizémos juntos, lado a lado, uma só alma em dois corpos. Juraste que seria para sempre, que nunca irias para Oeste... a tua luz sempre foi indispensável para mim, o teu calor aquecia-me no dia mais frio, mas acabaste por te revelar apenas o início de um sonho inacabado. Quando a noite chegou, desapareceste no mar, deixaste-me só, com o meu fraco luar, a iluminar todos os outros amores, sem poder viver o meu. Ainda hoje sofro por isso... e agora vivo... talvez à espera que o dia chegue para eu poder ver outra vez essa luz brilhante e amarela... sejas tu, ou seja outro Sol que vier em teu lugar.

*
E o Sol aparecerá e encherá de luz e calor mais um dia para mais tarde ir para Oeste e desaparecer no mar. E quando isso acontecer, mais uma vez uma grande Lua Cheia iluminará a noite... sem o calor do Sol, mas com uma beleza incomparável.
*
Tauronet
*
É a beleza líquida das luas azuis, que migram para Norte nos olhos de quem conhece o sal da solidão... e o doce do riso cúmplice e solar...
Nessas noites, o vento é de Levante, cortando cirurgicamente, impiedosamente, letra a letra, o teu nome. E as marés, inconformadas, gritam até à exaustão que em mim, a memória dos teus poros, nunca será pó.
É que tu juraste que seria para sempre, que nunca irias para Oeste...
*
Ni*