quinta-feira, novembro 02, 2006

DEUSES


«Os deuses jogam dados e não perguntam se queremos participar no jogo»
Paulo Coelho
:..*..:
ESPERA
(En Attendant)

**Nin@**

No olhar, a ave que se recusa a migrar...
Memória de um outrora, onde o azul era quente.
E o sol presente,
mesmo após o poente.
E no rio branco que me percorre
E que desagua nas palavras por dizer...
O silêncio, o insuportável e interminável silêncio!
Que cala as músicas dançadas,
as rotas para um futuro traçadas.

Saudades do horizonte...
Da linha que separa a Esperança da Fé...
O Querer do Crer...

Nas mãos, vazias, ainda perdura o espaço das tuas,
dos bosques desvendados, dos ventos partilhados...
Que nos faziam sentir alados.

E numa fracção de segundo
Fui e regressei ao nosso mundo.
Não passado.
Não inventado.
Não recriado.

País entre o aqui e o tempo por acontecer...
Talvez outro viver.
Talvez se chame coração.
Talvez distante de ti...
apenas um estender de mão.

Talvez 'ESPERA'...
Da abertura do portal...
E de voltar a ser 'una' noutra esfera.

(...)

Nin@
:..*..:
Nota: Estes textos podem ser retirados a qualquer momento. Escrevo e anulo. Como se tudo o que escrevo, cada vez mais, me soubesse a pouco. Tal como este blog, que 'já vai longo', porém circular.
Como lago, em que a água não flui... e já não faz sentido.

quarta-feira, outubro 18, 2006

EFÉMERA...

Há rotas que semeamos na procura da verdade... são os passos de luz que deixamos pela vida, como traços digitais da nossa essência, ainda que efémeros...

Ao longo do caminho já encontrámos muitas ideias que nos seduziram e habitaram em nós, com a força suficiente para condicionar o nosso sistema de crenças.

No entanto, passado algum tempo, muitas das verdades acabavam por ser abandonadas porque não suportavam as nossas interrogações internas, ou porque uma 'nova verdade', incompatível com aquelas, competia dentro de nós por um mesmo espaço.

Ou simplesmente porque essas verdades deixavam de o ser.

Aqueles conceitos que tinhamos tido como referentes deixavam de o ser e encontrávamo-nos, rapidamente, à deriva. Donos do leme do nosso barco e conscientes das nossas possibilidades, mas incapazes de traçar um rumo fiável.

Lembro-me de uma passagem de O Principezinho, de Antoine de Saint-Exupéry:

«Nas suas viagens pelos pequenos planetas da sua galáxia encontrou-se com um geógrafo, que anotava, num grande livro de registo, montanhas, rios e estrelas.

O principezinho quis registar a sua flor (aquela que tinha deixado no seu planeta), mas o geógrafo disse-lhe:

- Não registamos flores, porque não podem tomar-se como referência as coisas efémeras.

E o geógrafo explicou ao principezinho que efémero quer dizer ameaçado de rápido desaparecimento.

Quando o principezinho ouviu isto, ficou muito triste. Tinha-se dado conta de que a sua rosa era efémera...»

E então, por um lado, pergunto a mim própria: será que existem verdades sólidas como rochas e imperturbáveis como acidentes geográficos? Ou será a verdade apenas um conceito que traz em si mesmo a essência da transitoriedade e fragilidade das flores?

E, por outro lado... será que por acaso as montanhas, os rios e as estrelas não estão também ameaçados de rápido desaparecimento?

Quanto é 'rápido' comparado com 'sempre'?

Não serão as montanhas, segundo este ponto de vista, também efémeras...?

...

Há rotas que semeamos na procura da verdade... são os passos de luz que deixamos pela vida, como traços digitais da nossa essência, ainda que efémeros... como tudo.

Ni*



sexta-feira, outubro 13, 2006

BREVIDADE ... Breve idade


(...)

Nasci hoje de madrugada
vivi a minha infância esta manhã
e cerca do meio dia
já passava a minha adolescência.
E não é que me assuste
que o tempo passe por mim tão depressa.
Só me inquieta um pouco pensar
que talvez amanhã
eu seja
demasiado velha
para fazer o que deixei pendente.




quinta-feira, outubro 05, 2006

CUANDO TUS OJOS DEJEN DE BRILLAR




«(...) Se moría mi alma... ni siquiera la llenaban los recuerdos ni los momentos secretos...

...La luna llena se asoma tímidamente... hay nubes que quieren robárnosla y yo casi siento miedo... Tu y la luna sois mi alimento... y no os tengo...

... sentirme tuyo a la luz de cualquier Palencia... dejar que me despidieras como en Casablanca... saber que siempre nos queda París... que siempre habrá un país para que vivan nuestros sueños...

Quizás sea por eso que deseo cambiar el tiempo de estos recuerdos... dejar días transcurridos y ocasiones perdidas por ese presente que aguarda cada vez que te pienso... sentir que el futuro no queda lejos... que lo estoy alcanzando y casi te tengo...

No escribiré más graffitis en los baños de caballeros... sabré encontrarte allí donde estés... para susurrarte con caricias:

Cuando tus ojos dejen de brillar... mi reina... A la luz de mi vela... Mis entrañas estallarán... Busca entonces en los cubos de basura y encontraras un corazón rojo, rojo, rojo... que te anhela
... »

*
.:::.
.
Alguém dixit... e eu gostei.

domingo, setembro 03, 2006

MODUS VIVENDI


Rir...

Saber ver o lado bom da vida. Encontrar a parte positiva de tudo/todos. Dançar a dança do ventre existencial. Usar o sentido de humor como especiaria que condimenta todos os contratempos vitais.
...

Sem risos, o Universo inteiro ficaria silencioso à espera do bater da primeira pulsação...

...

(...)

E o sorriso com que me enlaças,
dentro do meu corpo pousa como uma ave...
Sorve do meu passado o momento presente adivinhado...
E abre portas, gavetas, rios, fontes e afectos.
Alimenta-me com doces pérolas de uva branca,
E estradas desenhadas nas asas dos pássaros que virão.
...
Só tu me preenches de sorrisos assim...
Só tu, espelho de mim.
(...)
Sorriso e o meu abraço de vento...
Ni*

sexta-feira, julho 14, 2006

AMOR SEM DONO


Amor Sem Dono
Nina Castro

Sou...

Essência inteira, una, verdadeira...
Nem metade, nem o dobro.
Do fruto e da vida sou o todo!
Vontade de ir além do além e mais além.
Abraçar o tempo-espaço que ainda não é de ninguém.
Sem sal no olhar pelo que já foi.
Sem páginas de vidas coladas...
depois de rasgadas...
O vento curou a ferida do que já não dói.

E refazer as rotas de marés agitadas.
Firme no leme deste meu coração-razão veleiro.
Ressuscitar centelhas divinas naufragadas.
Louvar as palavras-mantras resgatadas.
E beber o segredo do Amor último
com sabor sempre a primeiro.

Sou...

Amor no feminino.
Ora dócil ora felino.
Encaro firmemente o caminho.
E com mãos-cálice de ternura desenho o destino.
Não me vendo.
Não me rendo.
Apenas me dou...
... num momento...
num fragmento...
faço-me eterna, maga-mulher...
Que sabe e escolhe o que e quem quer.

Sem dono, sem senhor, sem dor.
Sou MULHER-AMOR!

Lisboa, 5/7/2006






~***~

Carinho e o meu abraço de vento

Nina

segunda-feira, julho 10, 2006

FRAGILIDADES


Talvez a vida magoasse menos, nalguns momentUS, se não precisássemos de dizer adeus.

Ou melhor, de o balbuciar, como quem o conjuga de perfil e, da primeira à última sílabas, o compreende na semântica, na gramática, ou num sentido oculto que se resguarda (perdido) nas entrelinhas.


Ni*

sábado, junho 24, 2006

PARA TI, QUE 'ME SABES'... OU QUE 'ME SENTES...assim me vou.'




Vontade de voltar 'para casa...'
As páginas le luz 'aqui' acabaram...
Ni*


AMOR E INOCÊNCIA




As histórias de amor nascem da inocência.

Acredito. Acredito sim. Acredito que é assim.

E vive-se sem horas, lânguido e longamente...

O amor ainda é a encruzilhada de sentimentos que nos separa da morte e da vida. E há, realmente, pessoas que nos viram do avesso, nos tiram as nuvens do olhar, e banham de sol o nosso coração.

A redenção com que o amor se dá é mais do que uma forma de ver o mundo pelos olhos do outro. É uma forma de ver para além dos nossos olhos e dos dele.

O amor não é bem um encontro de verdades. É melhor! É confiarmo-nos a alguém e entregar, pela mão dos olhos dele, o nosso olhar ao desconhecido, guiados pela esperança de vir até nós «um infinito de nós dois».


Abraço de vento...
Ni*

segunda-feira, junho 19, 2006

PALAVRAS AO OUVIDO




Há pessoas que são, para nós, como os poetas: põem palavras onde, antes, só havia sentimentos. Palavras que interpelam o que sentimos e lhes respondem. Com gestos. De surpresa.
São gestos que, parecendo um tudo-nada, tocam cá dentro e fazem do 'perto' 'muito perto'... e sentimos uma liberdade que se perde de vista.

A esses gestos - que nos revolvem - podemos chamar, simplesmente, comunhão. Ou, timidamente, amor.

Como se fossem um regresso a um paraíso que parecia perdido e, ao mesmo tempo, um lugar que se sente e se saboreia quando se visita pela primeira vez...

Como se fosse possível, para sempre, trazer para dentro de nós quem nos queira dentro de si. E nos presenteie com um perto muito perto, que nos devolva à comunhão e restaure com beleza a fé na vida, onde, antes, se formara um ermo nos nossos sentimentos...

Abraço de vento...
Ni*

domingo, junho 18, 2006

ENTRE O SONHO E A ALMA

Há uma linha ténue, percorrida por veleiros delineados na Luz, onde a alma deixa recados tecidos nas asas das gaivotas.
... E o teu nome está em todos eles...
...
Mas eu quero mais!
Muito mais!
...
Abraço de vento...
Ni*



sexta-feira, maio 05, 2006

MONÓLOGO






«...


Já fizeste um dominó? Já pensaste que a existência humana é, tantas vezes, assim? Passamos dias, semanas, meses, anos, a construir os nossos sonhos e, num breve instante, alguém tropeça neles e tudo se desfaz e desmorona, numa sucessão de azares impossível de travar.

Quando o meu dominó começa a cair, junto-lhe mais peças na cauda e aproveito para limpar fantasmas na enxurrada. Ao menos sofro tudo de uma vez, condenso a frustração num par de dias e fico a enxaguar a tristeza até ela secar ao sol.

Depois, com muita calma, começo a montá-lo outra vez e, aos poucos, vejo-o crescer sozinho, como se o embate que faz cair as peças tivesse o poder de as levantar.

...

Sou e serei a mulher mais persistente que se cruzou no teu caminho.

...

Sísifo, filho de Éolo e rei de Corinto, é a encarnação da fadiga eterna; durante dias, meses, anos, séculos, tentou colocar no alto de uma montanha uma enorme pedra. No entanto, cada vez que se aproximava do cume, a pedra caía, resvalando pela encosta abaixo, obrigando-o a começar de novo a ingrata e árdua tarefa.

Serei eu tão insensata a ponto de fazer o mesmo com os meus sonhos?

... »




Ni*... numa noite em que me escondi do sono.

segunda-feira, maio 01, 2006

PRETÉRITO MAIS QUE IMPERFEITO




«(...)


Era, realmente, mais fácil se, no lugar de um adeus, fossemos rebeldes, simplesmente, irascíveis, ou, então, vaidosos e impertinentes, diante de tudo o que nos salta do coração até ao corpo. E, mais ainda, se as palavras se esgueirassem pelos olhos e falassem à margem de tudo o que sentimos. E, sempre que um adeus hesitasse na garganta, elas nos traíssem numa nesga de sílaba ou num gesto estonteante.


Mas, como acontece tantas vezes, há palavras que são da nossa família sem que tenhamos, alguma vez, percebido o que querem dizer. É assim o 'adeus'. E, por mais que se faça da família, todo o adeus amachuca o coração. E transforma, vezes demais, cada memória num pretérito... mais que imperfeito.»

...
..::..

in 'Dizer adeus sem dar por isso'

Ni*



quinta-feira, abril 27, 2006

O 43201º MINUTO




Às vezes, acontecem, na nossa vida, momentUS assim.
Em que um mês não são trinta dias. Em que um mês não é, apenas, mais um mês. Às vezes, acontecem, na nossa vida, meses que são 43200 minutos em que nascemos. Nascemos nas palavras e nos gestos que redescobrimos, no desejo que não calamos, na ternura que em nós transborda, no prazer que nos enche o corpo e a alma. Nascemos na voz e nascemos na pele e nascemos, ainda, no sorriso. E na paixão. Às vezes, acontecem meses, na nossa vida, em que nascemos. Apenas nascemos. Às vezes, acontecem momentos nas nossas vidas em que não nos preocupamos como será daqui a um mês ou daqui a um ano. Às vezes, acontecem meses na nossa vida em que só o 43201º minuto conta.


... e nesse, eu estou contigo.


Ni*

sábado, abril 08, 2006

O ZAHIR...


ZAHIR
«Segundo a tradição islâmica, o Zahir é algo ou alguém que, uma vez tocado ou visto, nunca é esquecido - e vai ocupando o nosso pensamento até nos levar à loucura...»
..::..
«O meu Zahir tem um nome, e o seu nome é Esther»
..::..
Assim se nos apresenta o narrador deste romance de Paulo Coelho.
O Zahir é a sua esposa, Esther, com quem é casado há mais de dez anos. Tudo parecia bem entre eles, até ao dia em que ela desaparece sem deixar vestígios. A polícia coloca várias hipóteses:
rapto, assassínio e envolvimento com terroristas – ela foi correspondente de guerra no Médio Oriente – sem chegar a uma conclusão.

Mas ele, o marido, sabe a resposta: ela abandonara-o simplesmente sem se despedir, sem dizer para onde ia nem por que o fazia . Esther saiu da sua vida e acabou por ocupar a sua mente pois, diante de tantas perguntas sem respostas, para ele tornou-se impossível parar de pensar nela. Por que ela desistiu? Onde está agora? Com quem está? As interrogações não o deixam encontrar a paz e acabam por guiá-lo numa viagem em busca da esposa desaparecida e de si mesmo.

"O Zahír" é uma história de grande subtileza e coragem e uma reflexão cuidada acerca do verdadeiro preço dos compromissos que assumimos na e com a vida.

Recomendo a leitura deste livro. Sei que Paulo Coelho é um escritor que provoca reacções extremas: idolatra-se ou abomina-se (por vezes sem se conhecer a obra, apenas porque a elite intelectual decidiu denomina-lo superficial, comercial).

Há livros de Paulo Coelho que valem por uma frase, uma só. Como uma espada que nos trespassa, nos incomoda, nos agita, nos obriga a reagir, a SER.

O Zahir é diferente. Intenso. Todo. Total.
Talvez porque, mesmo sem o assumir, é a sua verdade de «vida vivida».
Há passagens que reli inúmeras vezes.
E de cada vez me acrescentava algo.



Deixo um excerto. Se depois de o lerem ficarem pacificamente indiferentes... esqueçam este post.

« - Digamos, então, que preciso de estar sozinha.
(...)
- O que é que está mal na tua vida?
- Justamente isso. Tenho tudo, mas estou infeliz. Não sou a única, no decorrer destes anos convivi ou entrevistei todo o tipo de pessoas: ricas, pobres, poderosas, acomodadas. Em todos os olhos que se cruzaram com os meus li uma amargura infinita. Uma tristeza que nem sempre era aceite, mas que estava ali, independentemente do que me diziam. Estás a ouvir?
- Estou a ouvir. Estou a pensar. Na tua opinião, ninguém é feliz?
- Algumas pessoas parecem felizes: simplesmente não pensam nisso. Outras fazem planos: vou ter um marido, uma casa, dois filhos, uma casa de campo. Enquanto estão ocupadas com isso, são como touros em busca do toureiro: reagem instintivamente, seguem em frente sem saberem onde está o alvo. Conseguem o seu carro, às vezes até conseguem o seu Ferrari, acham que o sentido da vida está ali, e nunca fazem a pergunta. Mas, apesar de tudo, os olhos mostram uma tristeza que nem elas mesmas sabem que carregam na alma. És feliz?
- Não sei.
- Não sei, são todos infelizes. Sei que estão sempre ocupados: fazem horas extra no trabalho, cuidam dos filhos, do marido, da carreira, do diploma, do que fazer amanhã, do que falta comprar, do que é preciso ter para não se sentir inferior, etc. Enfim, poucas pessoas me disseram : "Sou infeliz". A maioria diz-me: "Estou óptimo, consegui tudo o que desejava." Então pergunto: "O que o faz feliz?" Resposta: "Tenho tudo o que uma pessoa pode sonhar - família, casa, trabalho, saúde.". Pergunto outra vez: "Já parou para pensar se isso é tudo na vida?" Resposta: "Sim, isso é tudo." Insisto: " Então o sentido da vida é trabalho, família, filhos que vão crescer e deixá-lo, mulher ou marido que se transformarão mais em amigos do que em verdadeiros apaixonados. E o trabalho vai terminar um dia. O que fará quando isso acontecer?" Resposta: não há resposta. Mudam de assunto. Na verdade, respondem:" Quando os meus filhos crescerem, quando o meu marido - ou a minha mulher - for mais meu amigo do que um amante apaixonado, quando eu me reformar, terei tempo livre para fazer o que eu sempre sonhei: viajar." Pergunta:" Mas não disse que era feliz agora? Não está a fazer o que sempre sonhou?" Aí sim, dizem que estão muito ocupados e mudam de assunto.
Se eu insisto, acabam sempre por descobrir que estava a faltar alguma coisa.»


Paulo Coelho, in 'O ZAHIR'


quarta-feira, abril 05, 2006

PASSOS PERDIDOS



Passos Perdidos

Ni*

Não quero falar de amores.
Nem cantar outroras felizes
e presentes com asas de dores!
Amores idealizados
são verbos no passado conjugados.

São fontes-cascatas-miragem
Horizonte, sem voos nem ponte,
para a outra margem.

São sentidos sem sentido.
Onde, em vez do teu abraço consentido,
de intemporais afagos incontidos,
mergulhei em passos perdidos.

Não quero falar de amores.
Nem contar porque não canto
os seus alegres ou sofridos gemidos.

Nina

Lisboa, 5/4/2006

sábado, abril 01, 2006

ÉS PARTE DE MIM

...*...
*
Os barcos, sem rota marcada,
que abrigo no meu olhar
Acenderam velas ao vento,
Soltaram amarras do lamento,
Têm vontade de mar...
Libertos de âncoras de naufragar.
Amantes da renovada madrugada...
...
A vida... VIDA...
Lembras-te do sabor de a SER?
O padrão de todas as descobertas!
O caminho das escolhas certas.
Ainda que sempre incertas...
sem cartas de marear...
Liberdade de ir e voltar
Sem nada a isso nos obrigar.
E só assim...
vale a pena ousar!
...
Com ou sem lua,
dispo-me de águas estagnadas!
Tal como tu,
sou de nascentes e poentes.
De rios e afluentes.
De águas ascendentes.
De tudos,
porque dobrei o Cabo dos Nadas.
...
Se és parte de mim... não fiques.
De ti não abdiques.
Ficar é regredir.
E eu quero ir!
...
Sabes, a vida perdida...
Ainda vamos a tempo de a redescobrir!
Conjugá-la como um verbo.
Como se fosse um campo de bem-me-queres,
bem-te-quero...
em pleno mar.
Suspenso.
Em cada momento de respirar.
...
E tu calas-te.
Acho que foi por tanto te ter procurado
que em mim nos encontrei....
Suspeito, suspeito só por um instante,
se não andarás tu à procura da lua....
E a lua respira em ti,
porque és parte de mim.
...
...Sabes há quanto tempo não me sentia tão leve?...
...
Sei!
Ni*

sábado, março 11, 2006

SECRETAMENTE


(...)
Nina
..::..

Talvez eu te ame outra vez...
Talvez não é não, não é sim...
é ferida ainda viva dentro de mim!
Mas, agora, ao meu coração, não peço uma decisão...
Estou assim!
Prisioneira de mim...
Dorida, por um véu de distância protegida.
Recolhi os pensamentos insanos que eram só por ti.
Virei o rosto ao poema nascente,
olhei a solidão de frente... e segui.
...
Os nossos passos estão em descompasso...
e é ausente o abraço.
Os meus braços, caídos,
perderam o formato do enlaço do teu corpo...
A alegria escorreu de mim...
Como pássaro em terra , porque se esqueceu que tem asas.
Sei, sei que não podia ser ainda o fim...
Sei, sim...
Mas reencontramo-nos no talvez.
Encruzilhada, por memórias de glórias habitada,
onde cabe o tudo e o nada.
...

Timidamente, desenho o teu nome na minha boca...
Sem som, sem o calor da minha voz rouca...
Sem entrega nem fuga...
Sem mão que se estende ou que se esconde...
Sem saber quem e o que somos... e onde...
As palavras envolventes, irrequietas, ágeis, juras secretas...
Rasgaram-se em letras isoladas,
em sentidos sem sentido...
Nada...

Talvez...
Tu me mostres que estou errada!
E talvez eu te ame outra vez pela primeira vez...
...
Até lá, dobro as emoções e guardo-as no olhar.
No fundo do meu mundo, onde ainda nenhum mar chegou.
Secretamente.
E agora vou...
..::..
Ni*

domingo, março 05, 2006

ESTA PALAVRA SAUDADE...


(...)

Nina

Nas palavras há silêncios...
que só o coração consegue ouvir.
Impossível querer-lhe mentir.

Tal como a sombra da Lua,
redonda, como o teu sorriso,
quando para ti dançava, nua.

Murmúrio, pauta de sinfonia inacabada...
que contém os segredos dos olhares que lhe suplicam:
- Dá-me a alegria, do abraço o calor...
o seu perdido sabor...
Tira da minha alma o nada.
- No nada que nos separa agora
cabe lá tudo o que quisermos -

Palavras...
que nos fazem vislumbrar o infinito...
Ir em solto grito.
ter memórias de 'casa'...
Guardei-as no peito várias vidas, sucessivas...
libertei-as quando te encontrei...
E mesmo no silêncio a ti me dei.
em cada palavra uma asa...

E hoje,
sentada entre o espaço da saudade
e o tempo da dor...
há uma que voltou em voo lento, sozinha
para o profundo mar do meu olhar...
Mas veio na forma singular, amor.




Ni*

... Então, inventámos uma só palavra que define com doçura e encanto a improbabilidade universal de dois corpos se voltarem a encontrar com a mesma intensidade da Luz - a Saudade...

Somos apenas almas que gerem com maior ou menor perícia essa saudade doída. A ausência é uma saudade arrefecida, uma saudade que nos faz ter tempo para recuar e olhar para dentro.

Dizem que o tempo cura. É mentira. A Saudade não. Nada a cura. Não sobra tempo para nada, porque todo o tempo do mundo pertence-lhe.

E eu olho esse tempo da Saudade e, devagarinho, encosto-me à memória das coisas boas, como a luz do teu olhar, sempre que alongávamos a vista pelas ondas altas de espuma a rebentarem do outro lado da janela.

E é no tempo que roubo à saudade que digo que gosto de ti. Assim, com toda a simplicidade. Ainda que não me ouças...

domingo, fevereiro 12, 2006

SER MULHER



SER MULHER...

(...)

Ni

Este ondular de alma...
Este suspiro de aparente calma...
que acompanha o ritmo de um coração
que não está mais em mim...
E me comanda, mesmo assim.

Traz-me lembranças de vivas marés,
luas plenas do total que tu és.
Ventres em sintonia...
Murmurar em harmonia...
Mãos entrelaçadas... sem fugas...
a tocarem-se, amadas.

Espuma de mar,
sal de uma boca que o meu desejo conseguiu saciar...
e de novo atiçar...

Este gesto parado a meio...
Entre o teu beijo e o meu seio.
Como tempo suspenso, nevoeiro denso...
Onde me perdi em ti...
E chorei... gemi, gritei de prazer, e sorri.

Ah, este ser mulher...
Que enfrenta da vida os revés...
E te olha de frente sem receio...
E te pede em silêncio acariciador:
Desvenda-me.
Desnuda-me.
Destapa-me o que escondo.
Invade-me os recantos.
Toma-me ...
Sorve-me os nãos.
Desaloja-me a dor!
Molda-me, amor...

...
E ainda e sempre...
A esperança de que um dia,
Como esperada melodia...
alguém,
vá ao total fundo do meu mundo...

Ah, este ser mulher...
que sabe bem o que quer...
Mas não to diz...
Não posso. Não quero.
Eu espero.

Adivinha-o...
No meu corpo... sublinha-o...
Lê-me a febril loucura que anseio
e faz-me feliz!

Nina

terça-feira, janeiro 17, 2006

PODIA...



...
«(...) Podia escrever, como se nunca tivesse escrito nada antes de ti.
Deixar florescer em palavras a Luz que escorre dos meus olhos,
e tansborda em pássaros soltos,
ao encontro do teu nome...

(...)


E iria procurar-te no reflexo do espelho que reúne as gotas da lua...
Aquele, onde a minha alma se desnuda e encontra a tua.
Podia...
Trocava um teu segundo por todo o tempo do mundo.
Talvez numa outra noite, ou num outro dia!
Quando souberes ler o jardim de ventos suaves e (e)ternos
que há em mim...(...)»

Nina
*

sábado, janeiro 14, 2006

JOSÉ CARDOSO PIRES




'Que sorte que Lisboa tem de ter alguém a escrever sobre ela tão bem como ele escreve'
(...)


«Logo a abrir, apareces‑me pousada sobre o Tejo como uma cidade de navegar. Não me admiro: sempre que me sinto em alturas de abranger o mundo, no pico dum miradouro ou sentado numa nuvem, vejo‑te em cidade‑nave, barca com ruas e jardins por dentro, e até a brisa que corre me sabe a sal. Há ondas de mar aberto desenhadas nas tuas calçadas; há âncoras, há sereias. O convés, em praça larga com uma rosa‑dos‑ventos bordada no empedrado, tem a comandá‑lo duas colunas saídas das águas que fazem guarda de honra à partida para os oceanos. Ladeiam a proa ou figuram como tal, é a ideia que dão; um pouco atrás, está um rei‑menino montado num cavalo verde a olhar, por entre elas, para o outro lado da Terra e a seus pés vêem‑se nomes de navegadores e datas de descobrimentos anotados a basalto no terreiro batido pelo sol. Em frente é o rio que corre para os meridianos do paraíso. O tal Tejo de que falam os cronistas enlouquecidos, povoando‑o de tritões a cavalo de golfinhos.

[...]

Finis Terrae

A última Vista da Cidade será uma cortina de gaivotas enfurecidas a levantarem‑se entre mim e o Tejo.
Na altura estarei, ou estou ainda, sentado num café‑snack do Terreiro do Paço junto ao cais dos cacilheiros, com uma larga vidraça a separar‑me do rio. Café Atinel, que nome mais estúpido. Olho as mesas vazias e pergunto‑me por que razão é que um sítio assim, tão privilegiado, consegue estar desconhecido. Por mim não quero outra coisa: barcos que chegam, barcos que partem, gente de entrar e sair a servir‑se ao balcão, e eu sentado em cima do Tejo.
Tal como estou tenho a cidade pelas costas. Comércio, multidão, Europa, fica tudo para trás. Lá as pessoas andam todas a perguntar as horas umas às outras, enquanto que neste reduto para aqui esquecido sabe‑se do correr do dia pelo mudar da cor do Tejo, e não me digam que não é uma felicidade estar‑se assim, à mesa sobre as águas, com gaivotas a saírem‑nos de baixo dos pés e a passarem‑nos a dois palmos dos olhos num bailado de gritaria.
Tempo bom, o desta solidão. Tempo melhor ainda, lembram os eméritos de biblioteca num ulissiponês de fazer inveja, quando se via a olho a nu o Promontório da Lua por toda essa costa além. Tempo, dizem, em que nas margens da Outra Banda havia areias que escorriam ouro (Marco Terêncio fala disso) e pastagens celestes onde as éguas emprenhavam pelo vento. Tempo de poeiras luminosas e lágrimas lunares. E de pérolas. E de tritões. Tritões cantadores como aquele que consta da Descrição da Cidade de Lisboa de Damião de Góis. "Noutros tempos, longos tempos, havia em Lisboa uma sereia..." Conheço uns versos de Robert Desnos que começam desta maneira mas é melhor ficar por aqui porque o Tejo não é de fábula nem de poema e corre sem nostalgias. E Lisboa a mesma coisa, disso podemos estar nós bem seguros. Só que, com o saber dos séculos e os sinais de muito mundo que a perfazem, sugere várias leituras, e daí que a cada visitante sua Lisboa, como tantas vezes se ouve dizer.
Daí também que nós, os que somos dela, lhe estejamos tão errantes na paixão. Um dia pode acontecer que, sentados como agora sobre o rio, a tentemos ler pela voz dos outros e então ainda nos sentiremos mais errantes, mais incertos. Entre uma Lisboa de Tirso de Molina, saudada como a “oitava maravilha”, e a Lisboa de Fielding, o genial, que a amaldiçoou como um pesadelo leproso, correm águas insondáveis. Beckford viveu-a em palácio, Sade inventou-a num cárcere de rancores. “Lisboa oferece uma apreciável variedade de escolhas para um nobre suicídio”, escreveu um dos grandes narradores dela, Antonio Tabucchi. Vozes, tudo vozes. Olhares. Memorações.
Quando por fim fechamos a página onde líamos a cidade, descobrimos que a vidraça do café está toldada por uma dança de gaivotas em turbilhão e que não há Tejo. Que desapareceu por trás duma desordem de asas e já não é prenúncio de oceano.
Então, ternamente, confiadamente, reconhecemo-nos ainda mais ancorados à cidade que nos viu partir.»
.
in 'Lisboa, livro de bordo', José Cardoso Pires
*
JOSÉ CARDOSO PIRES
[S. João do Peso (Castelo Branco), 1925 - Lisboa, 1998]
*


Autor diversificado, do romance à sátira política, passando pelo teatro e pela crónica, José Cardoso Pires é considerado um dos maiores e melhores prosadores e contadores de histórias da literatura portuguesa contemporânea, tendo obras traduzidas numa quinzena de línguas. Nunca tendo integrado qualquer corrente literária específica - considerava-se a si próprio um "integrado marginal" -, acusa, no entanto, influências várias, desde o neo-realismo, no início da carreira, ao surrealismo, passando por Tchekov e por autores americanos como Poe, Hemingway, Melville. Resulta daqui um realismo crítico de estilo muito pessoal, caracterizado por grande depuração, tanto ao nível narrativo como sintáctico e vocabular, uma prosa viva e objectiva que foi tendo na actividade jornalística, desenvolvida ao longo dos anos, a sua oficina permanente. A ligação do autor ao jornalismo começou na adolescência e manteve-se regularmente, sendo os marcos mais importantes deste percurso as passagens pela revista Almanaque, pelo Jornal do Fundão, pelo Diário de Lisboa e pelo Público. É também apontado à sua escrita um cariz cinematográfico, de certa forma corroborado pelas várias adaptações de contos seus para o cinema.
Indiscutivelmente, abriu uma página nova na Literatura Portuguesa e soube multiplicá-la, sempre fiel ao seu estilo, muito próprio.
Quando lemos José Cardoso Pires, entramos numa esfera onde mergulham a palavra, a memória e o Mundo.

BIBLIOGRAFIA:


Os Caminheiros e Outros Contos (Contos), 1949

Histórias de Amor (Contos), 1952

O Anjo Ancorado (Novela), 1958 ; 1990

Cartilha do Marialva, 1960

O Render dos Heróis (Teatro), 1960

Jogos de Azar (Contos), 1963 ; 1993

O Hóspede de Job (Romance), 1963 ; 1992

O Delfim (Romance), 1968 ; 1999

Dinossauro Excelentíssimo (Sátira), 1972

E agora, José ?, 1977

O Burro em Pé (Contos), 1979

Corpo-Delito na Sala de Espelhos, 1980

Balada da Praia dos Cães (Romance), 1982 ; 1989

Alexandra Alpha (Romance), 1987

A República dos Corvos (Contos), 1988

Cardoso Pires por Cardoso Pires (Crónicas), 1991

A Cavalo no Diabo (Crónicas), 1994

De Profundis, Valsa Lenta (Crónicas), 1997

Lisboa, Livro de Bordo (Crónicas), 1997

Dispersos I - Literatura, org. de Vasco Rosa, 2005

domingo, dezembro 18, 2005

M~O~M~E~N~T~U~M


Há memórias que escorrem dos meus olhos como rotas perdidas...

Palavras inocentes e caladas, toques que ficaram na vontade, levados em voo por asas feridas.

Instantes que me paralisam, quando o teu sabor a metade de mim me chama... assim...

Numa balada, num momento de abraço embalado, num olhar de céu imaculado, num poema inacabado...

quinta-feira, dezembro 08, 2005

SENTIMENTOS NUNCA TRAÍDOS


"(...) Sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos; acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes parámos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio das noites quietas em que tantas vezes olhámos o céu e interrogámos o seu sentido. Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem princípio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos."


Miguel Sousa Tavares, in 'Não Te Deixarei Morrer, David Crockett'
*

quinta-feira, dezembro 01, 2005

ad eternUM...




A face serena da Eternidade - *E - TERNA - IDADE* - tem o rosto de quem se amou incondicionalmente até ao fim.
Olho os meus olhos, reflectidos nos teus e sinto...
Que o amor tem janelas abertas para o infinito,
onde o amanhecer é perene e cala a ausência, o grito.

E neste cruzar de espadas de Luz se anulam palavras, mágoas, saudade...
E a Roda do Tempo retoma o início, abraça o fim e renasce em mim.
Envolvendo-me na certeza de que o Amor tanto cabe num fragmento de segundo,
como no ad eternum.
Ainda que de nós permaneça só UM.

E do silêncio flui o som do Amor,
audível somente para quem sabe que não há dois silêncios iguais...

Nem tempo...
Nem espaço...
Nem idade...
Nem dor...
Nem «Nunca mais».

Nina
~*~
*





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terça-feira, novembro 22, 2005

TALVEZ SILÊNCIO




...
Sim, o mais desesperante
Não é querer o impossível.
É não alcançar o possível.
...
Pára de procurar o que não se encontra.
Pára e sente.
Mas sente.

*


«Every word is like a knife
But the silence cuts you twice»

Jay Jay Johanson

NÃO QUERO UMA METÁFORA!


«És grande no que escreves e pequeno no que vives...»

*



Ser batoteiro a vida inteira. O amor é a pior das doenças sentimentais. O amor incorpora a loucura pela vida. O amor é a infelicidade que te conduz ao sofrimento. Dos sentimentos que tens, é o único que regride. Tenho necessidade de falar da minha vida. Tenho tudo para ser feliz. Falta-me o sentimento para me sentir feliz. O meu sentimento de felicidade está sempre fora das coisas que me levam a ser feliz. Tu, por exemplo, o meu amor, e eu nunca senti o teu corpo. Tu, por exemplo, tu e as tuas palavras, e eu nunca senti as tuas preocupações. Não me obrigues a sentir mais felicidade imaginária. A vida que tenho pode ser um poema que eu nunca desejei escrever. Não quero transformar a beleza numa metáfora. Quase concordo com os dias que vivo. Pensamento por tudo o que é vida. Um dia disseram-me: és grande no que escreves e pequeno no que vives. Claro, não se pode ter duas vidas. Imagino um vento a soprar nas folhas do meu pensamento, a descascar nessa capa dura todos os meus grandes defeitos.
Se queres amar para sempre, nunca acredites em ninguém. Valoriza apenas o teu amor. Ama a partir de ti para os outros e nunca o contrário.

*

Tinha pensado na tristeza, esta que eu vivo neste momento. Com tudo o que eu te digo, por mais voltas que dê à minha vida, vou parar aos mesmos lugares. O medo é o mesmo. O meu mal é projectar-me para além daquilo que eu imagino poder viver. Estou sempre a ver mais fundo e a compreender de modo grotesco a simplicidade que a vida me tem reservado. É o meu pensamento a destruir os belos caminhos da felicidade. Deixa-me dizer-te uma coisa: vou desistir. Não vivo sozinho e nunca havia pensado nisso. Tenho de olhar também para os outros e reconhecer-me no amor que eles têm para me dar.
*

Fernando Esteves Pinto, in 'Sexo Entre Mentiras'
*


'Nasce Selvagem'

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AMOR ESTÚPIDO...




Amor estúpido. Quando podemos dizer alguma coisa é quando estamos calados. Não penses muito, o amor não se pensa. Fingido. Há coisas mais interessantes do que amar o que não se conhece. O amor é uma prova de vida. É um impresso que não sabes preencher. A saudade não tem palavras. Não acredito que dizes ou escreves mal o que sentes. Agora sou amigo do tempo. Conversamos muito sobre ti. É claro que eu estou a sofrer, mas isso também é uma religião. Estou a construir vazios como se fosse possível fugirmos do tempo.
Nunca estive tanto em silêncio.
(...)
Quando me apaixonei não sabia nada sobre o meu amor. O amor é o livro branco do conhecimento onde o tempo escreve os sentimentos de quem ama. Depois das apresentações, depois das definições das identidades de cada um, depois de nos emocionarmos com o pouco que sabemos sobre quem amamos é que começa a verdadeira descoberta do outro. Ir ao cinema ou passear num final de tarde junto ao mar é um truque romântico que nunca falha. Não se pense que os novíssimos apaixonados são sinceros. São sinceros na arte de iludir. No amor, as mentiras são uma ordem emocional e quem mente com paixão não é um mentiroso mas um irremediável apaixonado. O amor é uma guloseima que derrete no coração. Se soubéssemos tudo sobre a pessoa que amamos, se calhar nunca tínhamos querido amá-la incondicionalmente. O amor dura enquanto ainda houver matéria desconhecida no outro. A prova é que ninguém ama do fim para o princípio duma relação. Duas pessoas que se conhecem há muito tempo dificilmente poderão amar-se. O tempo é um filtro de emoções e não admite grandes desordens sentimentais. Posso dar um exemplo: duas pessoas que se amaram muito e depois acabaram tudo; esses dois estão condenados pelo tempo a nunca mais poderem vir a amar-se. O amor esgotou-se no conhecimento excessivo que tinham um do outro. Diz-me há quanto tempo amas e eu dir-te-ei quanto tempo tens para amar.
*
Fernando Esteves Pinto, in 'Sexo Entre Mentiras'

quinta-feira, novembro 17, 2005

momentUM de momentUS passados...

SEM TI... NUNCA MAIS!
Nina

Tu és o meu mapa sagrado, a minha pureza, o meu pecado
O meu leito de areia... que provo no teu corpo salgado.
És o meu toque divino...
E em ti sou vela de barco, de rumo traçado...
procurando a tua pele como meu destino.
Cola-me a ti, sorve-me as memórias onde tu és ausência.
Faz-me contigo ser lucidez e desejada demência.
E no teu beijo molhado, bebe-me,
faz-me contar os segredos...
Percorre-me, com os olhos, a língua,
o calor que te escorre dos dedos.
Recebe a minha chama, metade tua,
brilho azul de uma essência feminina de alma nua.
Tu inventas-me onde sou espaço vazio...
E em ti renasço,
como andorinha em voo entre as margens de um rio.
Ah amor, não me deixes fugir...
Em nós há mil noites de amor por cumprir!
E sigo a memória da tua serena voz...
Sei que te trago em mim, como rota para chegar até nós.
Só tu és o abraço que eu procuro no vento,
balanceado , ora agitado, ora lento...
Só ele, como tu, me afaga assim...
Porque tu és a minha ausência de sombra...
De mim lavas todo o medo.
Quero mergulhar em ti, minha parte reencontrada,
meu grito e meu segredo.
Meu amor total... meu porto, meu cais...
Quero murmurar-te ao ouvido,
ao som do teu prazer, do teu gemido...
Sem ti... nunca mais!
©Nin@




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quarta-feira, novembro 02, 2005

CONFIAR

Há elos que nos fazem sentir a importância de 'confiar'.
Quem não confia, será digno de confiança?
*

Cada Lugar Teu

Mafalda Veiga


Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar
Pensa em mim protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar
Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei
Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só
Eu Vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar


Mafalda Veiga - Cada Lugar Teu

domingo, outubro 02, 2005

GOTAS...


Gota a gota... emoção a emoção... palavra a palavra...
do nada me (re)erguerei...